RITMO DE SÉRIE
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Afonso (Humberto Carrão) em Vale Tudo; novela aborda câncer de maneira rápida e superficial
Afonso (Humberto Carrão) era praticamente o retrato da saúde até o capítulo de quinta (27) em Vale Tudo. Atleta de triatlo, disciplinado com alimentação, sempre no pique. Do dia para a noite, o irmão de Heleninha (Paolla Oliveira) passou mal, correu para o banheiro e vomitou. Assim, como do nada, surgiu um câncer.
Essas cenas ilustram bem uma das principais falhas da novela das nove, que é duramente criticada nas redes sociais --e também pela crítica especializada, diga-se de passagem-- pela maneira superficial e rápida com que aborda diversas questões.
Afonso é apenas um exemplo de tantos que sobram no folhetim de Manuela Dias. Odete Roitman (Debora Bloch), por exemplo, acabou sendo vista mais como uma "loba" do que a "vilã das vilãs". E não à toa, já que as maldades delas foram dosadas quase que homeopaticamente nos primeiros meses da história.
Essa pressa sem justificativa parece uma influência direta do universo das séries --até porque Manuela Dias foi bastante elogiada neste formato por Justiça (2016). A questão é que Vale Tudo não é uma corrida de 100 metros rasos, em que se gasta toda a energia em um tiro só; é uma novela, muito mais próxima das maratonas, com uma estratégia completamente diferente.
O contraste é gritante com Laços de Família (2000), que levou dezenas de capítulos para construir o arco da doença de Camila (Carolina Dieckmann). Desde as primeiras semanas, Helena (Vera Fischer) já soltava frases como "você está muito branca" para a filha.
A jovem também aparecia com alguns sinais roxos e frequentemente perdia a fome. O diagnóstico só veio lá pelo quinto mês. E, assim, quando ela raspou a cabeça, a catarse já estava pronta.
Uma das principais características das telenovelas é a reiteração. O recurso não é um vício, mas essência. Walcyr Carrasco, por exemplo, é um dos autores que mais lança mão desse exercício. Fabiana (Nathalia Dill), de A Dona do Pedaço (2019), não cansava de dizer que havia nascido num convento.
O roteirista até passava do ponto? Sim. Mas até quem assistia a um capítulo perdido ou outro entendia perfeitamente quem eram aquelas pessoas e em que pé estava a trama.
Em Vale Tudo, acontece o contrário. A história corre como se fosse feita apenas para quem acompanha religiosamente todos os dias. O problema é que a novela depende do público que chega e sai: repetir e reforçar pontos-chave é o que assegura coesão. Sem isso, a narrativa fica esfarelada, sem acúmulo dramático.
O câncer de Afonso recai exatamente nesta mesma falha. Em vez de emocionar e criar tensão, a doença vira apenas um susto mal calculado --e o sintoma mais claro da maior falha deste remake de Vale Tudo.
Leia também -> Resumo dos capítulos da novela Vale Tudo.
Vale Tudo foi exibida em 1988 e é um dos grandes sucessos da teledramaturgia brasileira. O remake da novela celebra os 60 anos da Globo. A autora Manuela Dias está responsável pela atualização da trama, e Paulo Silvestrini assina a direção artística.
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