A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
EDIÇÃO ESPECIAL
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

A atriz Ana Paula Arósio como Giuliana, a mocinha protagonista da novela Terra Nostra (1999)
A Globo colocou Terra Nostra (1999) para ocupar a faixa de Edição Especial no lugar de História de Amor (1995), que registrou boa audiência nas tardes da emissora. A escolha é arriscada, já que a saga de Benedito Ruy Barbosa não teve desempenho satisfatório em sua primeira reprise, no Vale a Pena Ver de Novo, em 2004, quando chegou a ser encurtada devido aos baixos índices.
Na exibição original, entre 1999 e 2000, Terra Nostra foi um fenômeno: marcou média geral de 44 pontos na Grande São Paulo. Os índices cumpriram a meta estipulada para o horário na época, quando não havia disputa acirrada pela audiência com o streaming e as redes sociais, como acontece hoje.
Os capítulos de estreia e de desfecho ultrapassaram a marca de 50 pontos no Ibope. A novela ainda elevou em seis pontos a audiência do horário e se consolidou como um dos grandes sucessos da virada do milênio, mesmo com seus 221 capítulos e uma barriga considerável no meio.
O cenário foi bem diferente em sua reapresentação de 2004. No Vale a Pena Ver de Novo, a trama abriu com 16 pontos, mas, ao longo da exibição, amargou quedas e chegou até 12, bem abaixo da meta de 20.
Em diversas ocasiões, ela foi ameaçada pelas novelas mexicanas do SBT --entre elas, Maria do Bairro (1995). A perda de público fez a Globo encurtar a reprise e retirá-la do ar antes do previsto, com apenas 106 capítulos.
Em 2025, o retorno de Terra Nostra acontece em condições diferentes. A Globo aposta no impulso da reta final de História de Amor, que termina em alta, para manter os índices estáveis. O primeiro capítulo da reprise cravou 13 pontos, repetindo o patamar de sua antecessora e mostrando que o público, ao menos a princípio, não rejeitou a trama.
Mas, ao contrário de História de Amor, que tem narrativa ágil e duração mais curta, Terra Nostra é uma novela longa, com mais de 200 capítulos e ritmo típico das produções rurais de Benedito Ruy Barbosa, como O Rei do Gado (1996) e Renascer (1993). Esse é o obstáculo a ser enfrentado pelo público vespertino, acostumado a histórias mais leves e enxutas.
Outro ponto de atenção é a concorrência. O SBT exibe novamente Maria do Bairro, novela que já foi algoz de Terra Nostra em 2004 e que vai bater de frente com a trama dos italianos. A mexicana continua sendo um trunfo da emissora fundada por Silvio Santos (1930-2024).
Curiosamente, a reprise ainda vai ser confrontada por A Escrava Isaura (2004), exibida originalmente com sucesso no mesmo período em que a saga de Giuliana (Ana Paula Arósio) e Matteo (Thiago Lacerda) fracassava.
O desafio é transformar um folhetim que já decepcionou no passado em um sucesso atual. Se o público aceitar revisitar a história, a emissora pode consolidar a faixa como uma vitrine de clássicos. Se não, corre o risco de reviver o fantasma de 2004.
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