UMA PENA

O maior defeito de A Nobreza do Amor está na cara: é tão bonita quanto vazia

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 22/8/2026 - 6h10

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Não há dúvidas de que, ao ligar a TV para assistir a qualquer capítulo de A Nobreza do Amor, o telespectador encontra uma novela belíssima e com produção de arte impecável. E para por aí. O maior defeito da trama das seis é justamente o contraste: ser tão vazia de história --que se arrasta por mais de 100 capítulos-- quanto impecável na estética.

O diretor artístico Gustavo Fernandez, o mesmo dos remakes de Pantanal (2022) e Renascer (2024), comanda uma equipe técnica nos bastidores que está bastante afiada. Os figurinos são deslumbrantes, os atores estão bem, as cenas são bem construídas, mas é como se faltasse algo --uma pitada de sal, ou melhor, de história.

Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr. caíram na mesma armadilha de Amor Perfeito (2023) ao esgotar a trama central cedo demais. A diferença é que a novela anterior contava com um texto mais bem amarrado e que mantinha algum ritmo, mesmo sem grandes reviravoltas.

A Nobreza do Amor parece girar em círculos há meses por um motivo simples: o inevitável reencontro entre Alika/Lúcia (Duda Santos) e Jendal (Lázaro Ramos) forçará a trama a caminhar para o desfecho. Chega a parecer absurdo que a mocinha e o grande vilão se desencontrem por mais de 100 capítulos.

De lá para cá, a atual novela das seis empurra uma barriga --jargão para quando não há nada de relevante acontecendo-- sem fim:

  • Virgínia (Theresa Fonseca) arma para cima de Alika/Lúcia, que consegue virar o jogo e impor uma derrota humilhante para a vilãzinha;
  • Jendal procura por Alika/Lúcia, mas nunca a encontra, assim como também não tem grandes conflitos com a resistência de Batanga;
  • Mirinho (Nicolas Prattes) tenta se dar bem, mas se dá mal; tenta beijar Alika/Lúcia, mas leva um fora;
  • Tonho (Ronald Sotto) sofre por causa das diferenças --agora, Omar (Rodrigo Simas)-- que o afastam de Alika/Lúcia.

São capítulos e mais capítulos em que essa estrutura vai se repetindo e, claro, isso se reflete no Ibope. A Nobreza do Amor não é um desastre como o remake de Elas por Elas (2023), mas também não empolga tanto quanto sucessos recentes na faixa, como Êta Mundo Melhor! (2025) ou Garota do Momento (2024).

A impressão é que a Globo tinha uma boa ideia, trazendo um tema pouco explorado como a realeza africana, mas não passou também de boa vontade. Beleza não põe mesa, muito menos segura mais de 150 capítulos.

Leia também -> Resumo dos próximos capítulos de A Nobreza do Amor.

A Nobreza do Amor tem como protagonistas a princesa africana Alika, interpretada por Duda Santos, e o trabalhador brasileiro Tonho, vivido por Ronald Sotto. A trama conta com a direção artística de Gustavo Fernandez
e é ambientada na década de 1920.

A história escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr se desenvolve em dois universos fictícios: o reino de Batanga, na costa ocidental da África, e a cidade de Barro Preto, localizada no Rio Grande do Norte.


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