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PERSONAGEM COMPLEXO

'Não passo pano para os erros do Celso', diz Rainer Cadete sobre Êta Mundo Melhor!

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

O ator Rainer Cadete com expressão séria em cena de Êta Mundo Melhor!

Rainer Cadete em cena como Celso em Êta Mundo Melhor!; ator falou sobre o personagem em entrevista

FERNANDA LOPES

fernanda@noticiasdatv.com

Publicado em 21/12/2025 - 8h10

Rainer Cadete chega ao fim de 2025 muito satisfeito com a oportunidade profissional que tem vivido em Êta Mundo Melhor!. O ator revisita Celso, papel que já havia interpretado no passado. Segundo ele, o personagem tem cometido os mesmos erros e ainda inventado novos problemas --o que, para um ator, traz muito mais nuances e é um prato cheio. Cadete ressalta, porém, que não passa pano para as besteiras feitas por Celso na novela das seis da Globo.

Na trama atual, Celso começou como um rapaz redimido de tudo de ruim que havia feito em Êta Mundo Melhor!. Rapidamente, no entanto, ele voltou a seguir as ideias da irmã e foi pelo mau caminho: escondeu o filho de Candinho (Sergio Guizé) num orfanato e manteve este segredo durante anos, mesmo vendo o sofrimento do primo de perto.

Celso também foi duro com Estela (Larissa Manoela) ao descobrir verdades do passado dela e ainda agiu para roubar dinheiro da fábrica de Candinho.

O ator conversou com o Notícias da TV e falou das questões de seu personagem na história, do quadrado amoroso que vive na novela e da repercussão que tem tido com o púbico. Confira:

NOTÍCIAS DA TV -Como tem sido sua experiência ao reinterpretar Celso, agora em Êta Mundo Melhor!? Quais eram suas expectativas no início e como isso tem se transformado ao longo da trama?
RAINER CADETE - Interpretar o Celso de novo tem sido uma celebração. Quando voltei para a novela, a sensação não era de simples continuação, mas de reencontrar algo que já tinha dado muito certo. Entrei em cena celebrando Êta Mundo Bom! e também a chance de revisitar esse personagem com um olhar mais maduro, embora o Celso continue sendo aquele sujeito que tropeça nos mesmos erros e inventa erros novos também. Isso me diverte e instiga.

O universo do Walcyr [Carrasco, autor] é cheio de confusões deliciosas que movimentam qualquer ator, e agora somo a isso a visão do [autor] Mauro Wilson, que continuou a novela. Cresci assistindo a Caça Talentos [1996-1998] e corria da escola para ver aquele mundo de fadas e gnomos. Sempre fui muito fã do Mauro, então sentir as escolhas inusitadas e bem-humoradas que ele propõe para o Celso tem sido muito especial.

No fim, esse retorno tem sido uma oportunidade rara. Estou revisitando um personagem que me marcou, dentro de um universo que continua me surpreendendo, e isso renova a minha relação com a história e comigo mesmo como artista.

Celso mudou um pouco de Êta Mundo Bom! pra Êta Mundo Melhor!; voltou a
aprontar contra Candinho, chegou a tratar Estela mal. Muita gente reclamou nas redes sociais sobre um suposto retrocesso do personagem, que agora parece estar se redimindo de novo. Como você enxerga a transformação e as nuances dele? Como defenderia essa trajetória errática?
Eu enxergo o Celso como um personagem que existe para além do bem e do mal. Ninguém é mocinho para todo mundo ou vilão para todo mundo. A gente é uma mistura de facetas, contradições e impulsos, e o Celso representa isso de um jeito muito claro.

Ele erra, e erra muito. Eu não passo pano para os erros dele. Mas também vejo que existe nele um desejo sincero de melhorar, mesmo que ele tropece no caminho. O público às vezes estranha esses movimentos, mas é importante lembrar que novela vive de conflito.

Se todo mundo acertasse sempre, se todo mundo se regenerasse de forma linear, a história simplesmente acabava. O folhetim respira porque existe tensão, porque existe queda, tentativa de acerto. A vida real funciona assim também. A gente não vive um final feliz eterno, a gente vive processos.

Para mim, interpretar o Celso é defender justamente essa humanidade imperfeita. Ele escorrega, tenta de novo, se perde, se encontra, se atrapalha todo. E é nesse descompasso que mora a força do personagem. Ele é um homem em movimento, e é esse movimento que faz o público sentir raiva, rir, se identificar e, no fundo, torcer por ele.

Qual tem sido seu maior desafio ao interpretar Celso em Êta Mundo Melhor!?
O maior desafio de interpretar o Celso é justamente sustentar essa corda bamba emocional em que ele vive. Ele é um personagem que transita entre o charme, a trapalhada, a culpa, o afeto e a ambição, às vezes tudo no mesmo capítulo. E isso exige de mim uma escuta muito fina, uma flexibilidade interna que eu não tinha explorado dessa forma em outros trabalhos.

O Celso me obriga a não me acomodar. Ele muda de rota o tempo inteiro, então eu também preciso me mover com ele. É um personagem que pede nuance, pede ironia, pede verdade, pede ritmo. E me pede também para rir de mim mesmo, o que é sempre muito libertador.

O novo para mim tem sido essa combinação de humanidade e imprevisibilidade. O Celso nunca chega pronto. Ele me surpreende e me desafia diariamente, e isso, para um ator, é ouro puro.

Algo que tem chamado muito a atenção do público é o quadrado amoroso entre Celso, Estela, Tamires (Monique Alfradique) e Túlio (Cadu Libonati). Como você enxerga as construções destas relações na trama? Já tem sua torcida para Celso ficar com Estela ou Tamires? Como é a dinâmica entre vocês nas gravações?
O quadrado amoroso virou praticamente um esporte para o público, e eu adoro ver essa energia. Cada relação do Celso revela um lado diferente da trama. Com a Estela existe uma doçura que se constrói aos poucos, com a Tamires aparece um frescor mais imprevisível, e o Túlio embaralha tudo de um jeito que deixa a história ainda mais saborosa.

E tem um fator muito especial nisso tudo, que são os atores com quem eu divido essas cenas. Trabalhar com a Larissa é um presente, eu já admirava ela de longe e agora admiro de perto, porque ela é uma atriz fenomenal e o nosso jogo é muito vivo.

A Monique é quase família, já é o nosso terceiro trabalho juntos, e ela se tornou uma das minhas grandes amigas, então estar com ela em cena sempre me deixa muito à vontade. O Cadu já foi meu irmão em A Dona do Pedaço [2019], e eu tenho um carinho enorme por ele. É um ator talentoso, generoso e um amigo que eu admiro muito.

Talvez por isso esse quadrado funcione tão bem. A gente brinca muito nos bastidores, faz apostas de quem vai ficar com quem, e essa leveza aparece na cena. No fim, o mais interessante é que essas relações movimentam o Celso de maneiras inesperadas, e esse jogo conjunto deixa tudo mais vivo, para nós e para quem assiste.

Como imagina que será a reação de Celso ao saber que Anabela (Isabelly Carvalho) é filha de Estela e a reação de Candinho (Sergio Guizé) ao descobrir que Celso escondeu o filho dele este tempo todo?
Eu acho que a reação do Celso quando esses dois grandes segredos vierem à tona vai ser de um impacto emocional muito profundo. Porque estamos falando dos maiores nós da trama.

O primeiro é esse segredo imperdoável que ele carrega sobre o filho do Candinho. O Celso conviveu com essa criança, ajudou a manter a Casa dos Anjos da dona Zulma (Heloisa Périssé) funcionando todos esses anos e criou um vínculo afetivo real com o menino. Lá atrás, a Sandra (Flávia Alessandra) mandou ele matar a criança, e ele não teve coragem.

Mas colocar para adoção e esconder isso do primo querido por tanto tempo é um erro enorme. O público entende o peso desse segredo e acompanha essa culpa que o personagem carrega.

O outro segredo é tão intenso quanto. A Estela ser mãe da Anabela é uma possibilidade que, se confirmada, mexe profundamente com a estrutura emocional dessa família. O Celso e a Estela acabam se encontrando justamente nesse lugar de culpas profundas, escolhas difíceis e verdades que ficaram guardadas por muito tempo.

Quando esses dois segredos explodirem, acredito que veremos uma grande reviravolta. Existe uma expectativa enorme do público para esse momento, e eu também estou muito curioso para ver como a história vai conduzir essa catarse. Será um dos momentos mais fortes e transformadores da novela.

Alguma cena de Celso que foi mais marcante pra você? Mais desafiadora, mais difícil, mais engraçada, mais emocionante?
É difícil escolher uma cena só, porque várias me marcaram de maneiras diferentes. Logo na primeira semana teve aquela sequência em que o Celso persegue a Zuma com o Samir bebê nos braços e acaba levando um banho de tinta. Depois ele toma banho de mangueira com a Quitéria (Kênia Costta) e a Maria (Bianca Bin). Foi uma cena muito divertida de gravar e, ao mesmo tempo, muito emocionante. A gente demorou alguns dias para conseguir fazer porque precisava de sol; então, quando finalmente aconteceu, foi de um jeito muito especial.

Também tem uma sequência intensa com o Candinho, quando ele descobriu que a mãe, Anastácia (Eliane Giardini), faleceu, e depois quando o Celso recebe a notícia da morte da Maria. Foi uma gravação intensa, cheia de verdade.

Minhas primeiras cenas foram com a Sandra, e isso foi simbólico para mim. Ela tem uma conexão sanguínea com o Celso, então começar por ali me colocou de volta no universo emocional do personagem de um jeito muito profundo.

E tem também a primeira cena após a passagem de tempo, quando o Celso salva a Estela de ser atropelada. Na hora da gravação, passou uma borboleta bem no meio da cena, e eu senti aquilo como um sinal bonito, quase poético. Então foram muitas cenas marcantes, cada uma iluminando um pedaço do Celso e um pedaço de mim também.

Como tem sido a repercussão do público com você, o que as pessoas mais te
falam nas ruas, redes sociais?
A repercussão do público tem sido muito intensa e muito carinhosa. As pessoas realmente abraçaram essa nova fase da novela e falam comigo como se estivessem conversando com alguém da família.

O que eu mais escuto nas ruas e nas redes sociais é um pedido quase unânime para o Celso contar logo a verdade para o Candinho sobre o filho dele. Tem gente que chega já dando aquela bronca afetiva, do tipo 'resolve isso agora'. É muito interessante ver como esse segredo mobilizou o público.

Muita gente também diz que o Celso precisa melhorar muito para merecer a Estela. E, do outro lado, tem quem ache o quarteto amoroso divertidíssimo, e as cenas de dança rendem muitos comentários.

As pessoas se envolvem, opinam, torcem, brigam, riem. Eu acho isso incrível. Significa que o personagem está vivo na imaginação de quem assiste. E, quando isso acontece, a novela cumpre seu papel mais bonito.

Como gostaria que fosse o final de Celso na novela, que mensagem ou legado gostaria que o personagem deixasse ao público?
Eu gostaria que o final do Celso deixasse claro que ninguém é uma versão definitiva de si mesmo. A gente se expande, se contradiz, se refaz. Se ele puder deixar um legado, que seja o de lembrar que evolução não é milagre, é escolha. E escolher mudar exige coragem. Isso, para mim, já é final suficiente.

Leia também -> Resumo dos próximos capítulos de Êta Mundo Melhor!.

Êta Mundo Melhor! foi criada por Walcyr Carrasco e Mauro Wilson. A novela tem direção artística de Amora Mautner. A trama é ambientada dez anos após os acontecimentos da primeira fase da história, Êta Mundo Bom! (2016), e ganhou novos personagens.


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