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ENTREVISTA

Luiza Rosa explica sucesso de Kellen em Três Graças: 'Criada para ser amada'

DIVULGAÇÃO/TV GLOBO

A atriz Luiza Rosa como a Kellen de Três Graças

Luiza Rosa, a Kellen de Três Graças, virou a "crente" favorita do público da novela das nove

GIOVANNA RIBEIRO

giovanna@noticiasdatv.com

Publicado em 1/12/2025 - 6h10

A jovem atriz Luiza Rosa, de 24 anos e apenas cinco de carreira, foi pega de surpresa com a repercussão positiva de sua personagem em Três Graças. A evangélica Kellen, fiel escudeira de Joélly (Alana Cabral), virou a "crente" favorita dos espectadores, além de muitos meme nas redes --a partir, inclusive, da própria interação da artista em seus perfis.

Para a atriz, a resposta calorosa do público demonstra que a personagem nasceu com vocação para ser amada e que a novela está abrindo espaço para novos retratos da fé, longe de caricaturas que dominaram a teledramaturgia durante anos. Com isso, naturalmente, alcança uma maior identificação com quem, por muito tempo, se viu reduzido a estereótipos, religiosos ou raciais.

Como também é uma mulher de fé --todavia, com crenças bem diferentes das de Kellen--, Luiza reconhece que a representatividade não passa apenas pela religião, mas também pela imagem. Ela celebra poder usar seu cabelo crespo natural na novela das nove e acredita que ver uma jovem negra, doce e contraditória ocupando esse espaço é algo transformador para o público.

Confira a entrevista exclusiva do Notícias da TV com a atriz de Três Graças:

NOTÍCIAS DA TV - A Kellen, uma jovem evangélica, tem sido aclamada nas redes, virou meme. Essa reação e essa recepção positiva à personagem te surpreenderam?
LUIZA ROSA - Muito, muito mesmo. Ela, na verdade, foi criada para isso, para ser amada. Mas acho que todo mundo tinha um pouco de receio por conta da questão da religião, que é sempre um assunto delicado e que poderia vir a se mostrar de uma forma polêmica. Mas não foi assim, e eu sabia que não seria, apesar do receiozinho que sempre fica. Mas eu também não esperava essa recepção dessa forma, tão grande quanto está sendo.

A que você atribui essa resposta do público?
Eu acho que a direção e as preparadoras foram fundamentais para construção da Kellen. Óbvio que não também não vou tirar meu mérito, porque a gente estuda bastante, se dedica, mas as preparadoras foram fundamentais e acompanharam a gente durante todo esse processo, ajudaram a gente, são as mães dos nossos personagens. Elas, inclusive, merecem mais reconhecimento do que elas têm. E a direção; cada um dos diretores, com a sua forma de manejar as cenas, fizeram com que a Kellen se tornasse uma personagem ainda mais incrível do que foi construída no papel.

Nos últimos anos, a representação da pessoa evangélica mudou muito nas novelas. Três Graças é um exemplo disso, mas até em obras da Rosane Svartman, por exemplo, a gente acompanha essa mudança. Evangélicos mocinhos, vilões, cheios de contradições... Como você enxerga essa quebra de estereótipo?
Eu acho incrível. Eu gosto de destacar que eu não faço parte da comunidade evangélica. Acho que a melhor pessoa para te responder isso seria uma pessoa da comunidade que acompanhou todo esse processo. Mas eu acho incrível, porque o respeito é fundamental. Ninguém quer ser desrespeitado, ninguém quer desrespeitar. Então, você não se sentir representado ou sentir que está havendo algum tipo de desrespeito ou de estereótipo pejorativo não é interessante. Que bom que isso está mudando e que essas pessoas estão cada vez mais confortáveis com o que elas veem na televisão.

Você tinha algum referencial de vivência evangélica? Você segue alguma religião ou foi realmente algo totalmente novo para você?
Na minha vida pessoal não, não tenho ninguém na minha família que seja evangélico. Quando eu tinha uns 11 anos, por vontade própria, entrei para a Igreja Católica, fiquei um tempo, fiz primeira comunhão e tudo mais. Aí me afastei e desde os 16, eu sou da umbanda. Sou filha de santo mesmo, não é como se eu fosse de vez em quando, não, tenho meus compromissos religiosos, sou umbandista mesmo. Mas igreja evangélica nunca frequentei. Já fui, né? Mas não tive essa referência próxima de uma pessoa evangélica.

Você é bem ativa nas redes, responde os fãs, interage. Você acredita que o digital mais ajuda ou atrapalha no trabalho? Por exemplo, quando ser atuante nas redes vira um pré-requisito para conseguir espaço dentro da profissão?
Ele tem uma grande capacidade de atrapalhar muito, em um segundo, com um post ou uma curtida, tudo pode desmoronar. Isso é impressionante! Mas eu acho que o digital também ajuda muito, com certeza. As pessoas que trabalham com isso conseguem sustentar suas famílias, e tem essa proximidade do público também. As pessoas gostam de ver, eu também como telespectadora adoro ver os bastidores, adoro me comunicar com os atores, tirar mais dúvidas. Eu acho isso muito interessante, além de abrir portas para outros futuros trabalhos. As redes sociais contam muito.

Assim como houve a quebra de alguns estereótipos na TV, hoje é possível encontrar muito mais atores negros nas novelas. Mas o que você acha que ainda precisa mudar no jeito de contar essas histórias?
Eu acho que a gente já avançou bastante, porque até pouco tempo atrás, quando foi introduzido um pouco mais de pessoas pretas na televisão, eram personagens com a pauta racial muito marcada. Então, era o professor negro que sofre racismo, a tia negra que sofre racismo, a advogada negra que sofre... Hoje em dia, a gente está podendo ser um personagem qualquer sem estar envolvido em pautas raciais. Isso já é muito importante, porque era como se nós fôssemos a minoria, e não é verdade. Então, que bom que a gente está ocupando esse espaço da maioria.

Acho que tem muita coisa para mudar ainda, mas estamos no caminho. Uma pauta que eu sempre gosto de trazer, principalmente, é o nosso cabelo. O cabelo crespo ainda é uma questão muito grande. Você ainda não vê ele muito na TV aberta. Ele ainda não é protagonista, sabe? Eu estou muito feliz de estar nessa novela com o meu cabelo natural. Eu acho isso uma honra muito grande. Eu já ouvi isso de seguidores que comentaram: "Caramba, eu tô muito feliz que tem uma pessoa com cabelo igual o meu na novela". E hoje mesmo uma menininha, a gente foi gravar em Guaratiba (RJ), e a mãe dela falou: "Olha, ela tá se sentindo muito representada por você, pelo seu cabelo, a sua cor de pele". Fiquei muito emocionada. Então eu acho que isso é uma das coisas que a gente ainda tem que caminhar um pouquinho. Mostrar os nossos cabelos crespos de uma forma mais bonita.

O que você espera para a Kellen ao longo da trama de Três Graças?
A gente faz novela muito sem saber. A gente faz o que a gente recebe ali, sem planejar um futuro. [Não é] Como seria no cinema, por exemplo, que você já sabe o arco completo do seu personagem. Eu não tenho certeza de nada, mas acho que seria interessante um amor romântico, por exemplo. Talvez um romance meio cômico seria interessante.

Acho que a personagem é muito plural, ela é muito coringa, pode caminhar para muitos lugares. Não acho que ela vá se tornar uma pessoa ruim. Acho que ela não está nesse caminho. Então, eu acho que todas as coisas mais positivas possíveis podem chegar para Kellen. Estou ansiosa esperando.

Hoje em dia, estar na novela das nove da Globo ainda é realmente esse grande divisor de águas para uma atriz ou para um ator, uma coisa a ser ambicionada e que realmente muda a trajetória?
Sim, muito. Ontem eu estava conversando com pessoal lá da Globo, inclusive, e a gente falou sobre isso. Na audiência, ainda não há nada maior no Brasil. Em termos de audiovisual, não há nada que se equipare na verdade com a audiência de uma novela das nove. Ainda é muito gigantesca.

As pessoas falam que realmente sentiram uma baixa. A galera tem assistido bastante a séries, streaming, tudo mais, vídeo no celular, ou mesmo acompanha a novela pelas redes sociais, em vez de assistir todos os dias no mesmo horário, mas ainda assim é muito grandioso. A gente vê isso nas ruas. Quando a gente vai gravar nas ruas, lá em Guaratiba, por exemplo, e tinha mais de 100 pessoas na rua esperando para falar com a gente embaixo de sol, assistindo à gravação, fazendo fila para tirar foto. Dei autógrafo para um monte de criança. Então, a gente tem essa resposta que é uma coisa gigantesca aqui para o Brasil, que projeta a gente para o mundo também.

O que o seus trabalhos anteriores como Mussum, O Filmis (2023) e Guerreiros do Sol (2025) te ensinaram e que você aplica hoje?
Muita coisa. Eu acho que as outras coisas que eu fiz no audiovisual, cinema, série... Eu trabalho desde 2020, então vamos dizer que são cinco anos trabalhando profissionalmente como atriz. É um tempo pequeno de experiência no audiovisual. Então até hoje, na verdade, todo dia que eu vou trabalhar, eu vejo tudo como uma escola, eu absorvo muita coisa, aprendo muito com meus amigos e todos da equipe também.

Em Guerreiros do Sol, eu tive um pouco do gostinho do que é essa estrutura gigantesca da Globo, porque é muito diferente de você fazer um filme; por mais gigantesca que a produtora do filme seja, ainda é outra estrutura. Em Guerreiros, eu aprendi bastante, conheci novos profissionais, novos termos e profissões que eu nem sabia que existiam.

Eu sempre carrego um pouco dos lugares que eu passo. Eu acho que isso soma e gera resultados bons. E estou aprendendo bastante em Três Graças. Eu sou muito curiosa por trás das câmeras, estou sempre atenta ali nos bastidores, quem está fazendo o quê, que profissional é aquele, o que ele está mexendo e tal, como é que funciona a câmera... Todo dia eu pergunto sobre o som, sobre a câmera, sobre luz. Eu adoro aprender.

De todos os atores do elenco, integrantes da equipe, qual troca até o momento foi a mais significativa para você?
Eu já conhecia a Alana Cabral de Guerreiros do Sol, e depois a gente fez um teste juntas para um filme que ela fez, um filme incrível chamado Quatro Meninas (2025). Foi um teste de três dias, então a gente se conheceu, se aproximou um pouquinho mais ali, se seguiu no Instagram, mas não passou muito de um coleguismo. Mas a relação que eu tenho com ela hoje é de irmandade mesmo, a gente se ama. Toda hora a gente fala assim: "Ai, te amo, te amo". A gente criou um laço muito forte.

Eu sou apaixonada por ela, admiro muito a história dela, da família dela, a mulher que ela está se tornando, a pessoa que ela é. Mas Gabriela Loran, Vinicius Teixeira, Lucas Righi, Paulo Mendes, Guthierry Sotero, Lorrana Mousinho, a gente tem um grupo no WhatsApp dessa panelinha (risos). A gente se aproximou muito, de uma forma surpreendente. É difícil isso acontecer. Então, são pessoas que eu amo e confio.

Eu perguntei o que você espera para Kellen, mas o que você também espera para você, Luiza?
Eu estou vendo isso tudo como uma escola. Até brinquei com uma outra jornalista, falei que era tipo um intensivão, assim, um curso. Então, eu espero me tornar uma profissional cada vez melhor, honestamente.

Sei que isso está acontecendo. Eu vejo o meu progresso no dia a dia, no set, nessas pequenas coisas de tecnologia, por exemplo, estrutura, mas também sendo uma profissional melhor, uma atriz mais atenta, mais esperta. Espero que também Três Graças, com certeza, me abra outras portas para outras personagens interessantes.

Meu sonho pessoal, grandioso, é viver o máximo de vidas que eu conseguir na mesma vida. Quanto mais personagens diferentes, com suas esquisitices, eu vou amar. É isso que eu espero para mim.


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