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SANGUE NAS MÃOS
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Raul (Paulo Mendes) em cena de Três Graças: ele poderia ter impedido tragédia com denúncia
Três Graças escancarou um problema clássico da dramaturgia: quando o roteiro força o silêncio de um personagem para que a tragédia aconteça. No caso de Raul (Paulo Mendes), calar-se não teve lógica. Ele tinha o endereço do local para onde Samira (Fernanda Vasconcellos) iria levar Joélly (Alana Cabral) e, inclusive, deu o cartão a Jorginho (Juliano Cazarré). Em vez de agir, o jovem deixou dois crimes rolarem.
Desde o acidente em que a gestante entrou em trabalho de parto e foi levada para uma clínica clandestina, o rapaz tinha nas mãos a chance de impedir que o pior acontecesse. Um dado objetivo, concreto, que poderia ter sido levado imediatamente à polícia, a Gerluce (Sophie Charlotte) ou ao próprio Rogério (Eduardo Moscovis). Não era um detalhe qualquer, era uma pista cabal.
A decisão de Raul de esconder essa informação durante dias não transforma o personagem só em omisso, mas cúmplice da tragédia anunciada há meses. Ele não apenas esconde um dado crucial, como também acompanha o desespero geral --inclusive o de Josefa (Arlete Salles), sua avó, passando mal-- sem revelar que sabia onde a namorada poderia estar.
A inércia dele traz um preço alto: o roubo da recém-nascida e a morte de Jorginho. Há ainda um detalhe na trama que beira o inverossímil: quem passa dias carregando o mesmo papel dobrado na bermuda, sem fotografar, sem compartilhar, sem ao menos ler a informação escrita ali?
Em tempos de celular na mão, a ausência de uma simples foto amplia a sensação de artificialidade. Porém, esse silêncio permite a escalada trágica: a morte de Jorginho, o desaparecimento da bebê, a ação de Samira e a entrega da criança a Lena (Barbara Reis) e Herculano (Leandro Lima).
Mas, ao optar por essa construção, o roteiro transfere para Raul uma responsabilidade moral gigantesca. O problema não é o personagem errar. É errar sem justificativa convincente.
Não há dilema ético ou ameaça consistente que o impeça de pôr a boca no mundo. Há apenas a necessidade narrativa de prolongar a investigação e potencializar o caos.
Agora, quando Raul decide confrontar Samira e reagir, o gesto soa como tardio. O público sabe que ele poderia ter evitado tudo, o que gera uma indignação contra a passividade do personagem --que, vale ressaltar, já não era muito querido pelo público mesmo antes desse deslize imperdoável.
Leia também -> Resumo dos capítulos da novela Três Graças
Três Graças é uma novela criada por Aguinaldo Silva em parceria com Virgílio Silva e Zé Dassilva. A história é ambientada em São Paulo e ficará no ar até maio de 2026.
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Resumo de Três Graças: Capítulos da novela das nove da Globo - 18/4 a 2/5
Sábado, 18/4 (Capítulo 156)
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