SOBERANIA NACIONAL
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Gabriel Braga Nunes como o advogado Augusto; personagem levanta a discussão sobre Estados Unidos
A novela Terra Nostra, atualmente em reexibição no Vale a Pena Ver de Novo, fez há quase três décadas uma espécie de "profecia" que hoje soa curiosamente atual: um confronto político entre um presidente dos Estados Unidos e o governo brasileiro.
Na trama escrita por Benedito Ruy Barbosa e ambientada no início do século 20, o personagem vivido por Gabriel Braga Nunes, o advogado Augusto, é quem chama atenção para o dilema entre interesses externos e a luta pela soberania nacional.
Na cena que foi ao ar na tarde desta terça (30), o personagem debate a interferência estrangeira, sob o contexto da história da imigração italiana no Brasil.
Estava em pauta o Decreto Prinetti, aprovado em 1902 pelo ministro das Relações Exteriores da Itália, Giulio Prinetti, que proibiu a emigração patrocinada para o Brasil, após denúncias de más condições de trabalho dos imigrantes nas lavouras de café.
"Se os senhores deputados não mudarem de posição, a coisa vai pegar fogo de vez", alerta o personagem. "O Brasil não pode aceitar que essa questão seja julgada pelo presidente dos Estados Unidos". E continua: "O governo brasileiro não pode aceitar essa intermediação de fora. Somos um país ou não somos?", disse Augusto.
Ou seja, a decisão, tão importante ao Brasil, estava na mão dos EUA. A trama também se passa durante o período do presidente norte-americano Theodore Roosevelt (1858-1919), e sua política do Big Stick (grande porrete, em inglês) --estratégia adotada pelos Estados Unidos de intervir em países estrangeiros, seja por via diplomática ou, se necessário, pelo uso da força militar.
A "previsão" acabou chamando a atenção, por parecer quase um alerta em 2025, em meio ao tarifaço imposto aos produtos brasileiros pelos Estados Unidos. O presidente dos EUA, Donald Trump, tem usado a ameaça econômica como ferramenta de pressão política, e para intervir em decisões nacionais.
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