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MULHER FORTE
ESTEVAM AVELLAR/TV GLOBO

Isadora Cruz interpreta Rosa em Guerreiros do Sol; novela estreia nesta quarta (22) na Globo
Guerreiros do Sol finalmente chega à TV aberta nesta quarta (22), na faixa que era ocupada pelo BBB 26, logo depois da novela das nove. Gravada em 2023, a trama apresenta um recorte brutal da vida no cangaço entre as décadas de 1920 e 1930, a partir das histórias de Rosa (Isadora Cruz) e Josué (Thomás Aquino), personagens inspirados em Lampião (1898-1938) e Maria Bonita (1910-1938).
Criada por Sergio Goldenberg e George Moura, a novela conquistou público e crítica no ano passado, quando entrou no catálogo do Globoplay. Mais do que uma reconstituição de época, a obra propõe uma reflexão sobre temas estruturais do país, como desigualdade social, patriarcado, patrimonialismo e promiscuidade entre crime e poder público.
George Moura destaca que a exibição na TV aberta amplia a responsabilidade da obra. "Essa é uma reestreia, com uma responsabilidade ainda maior. Na televisão aberta, Guerreiros do Sol será vista por muito mais gente. Agora está nas mãos do grande público", diz o novelista.
Para construir esse universo, os autores mergulharam em uma extensa pesquisa de campo. "A gente foi para Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, fez todo o circuito do cangaço e encontrou parentes de cangaceiros e também de policiais das volantes [tropas especiais criadas para combater o cangaço]. É um tema que continua muito vivo no Brasil, na música, nas festas, no imaginário popular", explica Sergio Goldenberg.
Esse mergulho também incluiu referências literárias e culturais. "A novela dialoga com a nossa história, paisagem, música e com a própria língua portuguesa. Revisitamos autores como Guimarães Rosa [1908-1967], Ariano Suassuna [1927-2014] e João Cabral [de Melo Neto, 1920-1999] para construir esse repertório que aparece nos diálogos", conta Goldenberg.
Em um universo tão vil, os roteiristas escolheram uma mulher para narrar a saga justamente com a intenção de mudar o olhar sobre o cangaço, buscando um tom mais sensível. Ao longo da história, Rosa tem a missão de mostrar os efeitos brutais da guerra nas famílias e na sociedade, além de viver uma história de amor banhada de sangue do começo ao fim.
A violência extrema é um dos pontos fortes da história, que exibe, sem filtros, como terminavam os duelos entre polícia e cangaceiros. "Quando as volantes diziam que mataram, precisavam exibir as cabeças, porque o povo acreditava que os cangaceiros eram imortais. Era uma forma de comprovar. Muitas vezes levavam só a cabeça, porque carregar o corpo era inviável", detalha Moura.
Por isso, algumas batalhas terminam com cabeças decepadas expostas em praça pública na novela. Entretanto, o cangaço de Guerreiros do Sol também tem muito amor, como o de duas mulheres que se apaixonam e lutam contra tudo e todos --papéis muito bem defendidos por Alice Carvalho e Alinne Moraes. Tem ainda a descoberta de uma paixão proibida entre dois cangaceiros do bando de Josué.
Entre as histórias paralelas, a dos flagelados da seca é uma das chocantes. Carla Salle vive Soraia, uma dessas pessoas isoladas em instituições governamentais desumanas, em um contexto que ficou conhecido como "Holocausto Brasileiro".
Para completar, o folhetim tem uma atuação de tirar o chapéu de Irandhir Santos, que incorpora de maneira inspirada o vilão Arduíno, um monstro forjado em sangue, ódio e tirania.
O personagem é o irmão ganancioso de Josué que rouba os próprios parentes no cangaço e acaba virando o maior algoz do protagonista na polícia e, depois, na política. Santos, inclusive, foi eleito o melhor ator no prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) no início deste ano por seu trabalho em Guerreiros do Sol.
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