Menu
Pesquisar

Buscar

Facebook
X
Instagram
Youtube
Pesquisar

Buscar

MULHER FORTE

Guerreiros do Sol estreia na Globo com olhar dilacerador sobre o cangaço

ESTEVAM AVELLAR/TV GLOBO

Isadora Cruz como Rosa na novela Guerreiros do Sol, da TV Globo

Isadora Cruz interpreta Rosa em Guerreiros do Sol; novela estreia nesta quarta (22) na Globo

MÁRCIA PEREIRA, colunista

marcia@noticiasdatv.com

Publicado em 22/4/2026 - 16h00

Guerreiros do Sol finalmente chega à TV aberta nesta quarta (22), na faixa que era ocupada pelo BBB 26, logo depois da novela das nove. Gravada em 2023, a trama apresenta um recorte brutal da vida no cangaço entre as décadas de 1920 e 1930, a partir das histórias de Rosa (Isadora Cruz) e Josué (Thomás Aquino), personagens inspirados em Lampião (1898-1938) e Maria Bonita (1910-1938).

Criada por Sergio Goldenberg e George Moura, a novela conquistou público e crítica no ano passado, quando entrou no catálogo do Globoplay. Mais do que uma reconstituição de época, a obra propõe uma reflexão sobre temas estruturais do país, como desigualdade social, patriarcado, patrimonialismo e promiscuidade entre crime e poder público.

George Moura destaca que a exibição na TV aberta amplia a responsabilidade da obra. "Essa é uma reestreia, com uma responsabilidade ainda maior. Na televisão aberta, Guerreiros do Sol será vista por muito mais gente. Agora está nas mãos do grande público", diz o novelista.

Para construir esse universo, os autores mergulharam em uma extensa pesquisa de campo. "A gente foi para Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia, fez todo o circuito do cangaço e encontrou parentes de cangaceiros e também de policiais das volantes [tropas especiais criadas para combater o cangaço]. É um tema que continua muito vivo no Brasil, na música, nas festas, no imaginário popular", explica Sergio Goldenberg.

Esse mergulho também incluiu referências literárias e culturais. "A novela dialoga com a nossa história, paisagem, música e com a própria língua portuguesa. Revisitamos autores como Guimarães Rosa [1908-1967], Ariano Suassuna [1927-2014] e João Cabral [de Melo Neto, 1920-1999] para construir esse repertório que aparece nos diálogos", conta Goldenberg.

História banhada de sangue

Em um universo tão vil, os roteiristas escolheram uma mulher para narrar a saga justamente com a intenção de mudar o olhar sobre o cangaço, buscando um tom mais sensível. Ao longo da história, Rosa tem a missão de mostrar os efeitos brutais da guerra nas famílias e na sociedade, além de viver uma história de amor banhada de sangue do começo ao fim.

A violência extrema é um dos pontos fortes da história, que exibe, sem filtros, como terminavam os duelos entre polícia e cangaceiros. "Quando as volantes diziam que mataram, precisavam exibir as cabeças, porque o povo acreditava que os cangaceiros eram imortais. Era uma forma de comprovar. Muitas vezes levavam só a cabeça, porque carregar o corpo era inviável", detalha Moura.

Por isso, algumas batalhas terminam com cabeças decepadas expostas em praça pública na novela. Entretanto, o cangaço de Guerreiros do Sol também tem muito amor, como o de duas mulheres que se apaixonam e lutam contra tudo e todos --papéis muito bem defendidos por Alice Carvalho e Alinne Moraes. Tem ainda a descoberta de uma paixão proibida entre dois cangaceiros do bando de Josué.

Entre as histórias paralelas, a dos flagelados da seca é uma das chocantes. Carla Salle vive Soraia, uma dessas pessoas isoladas em instituições governamentais desumanas, em um contexto que ficou conhecido como "Holocausto Brasileiro". 

Para completar, o folhetim tem uma atuação de tirar o chapéu de Irandhir Santos, que incorpora de maneira inspirada o vilão Arduíno, um monstro forjado em sangue, ódio e tirania.

O personagem é o irmão ganancioso de Josué que rouba os próprios parentes no cangaço e acaba virando o maior algoz do protagonista na polícia e, depois, na política. Santos, inclusive, foi eleito o melhor ator no prêmio da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) no início deste ano por seu trabalho em Guerreiros do Sol.


Mais lidas


Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.