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BRILHANTE

Globo encontra 'novela perdida' de Gilberto Braga e reforça projeto do Globoplay

Divulgação/TV Globo

Foto em preto e branco de mulher de cabelos lisos, na altura dos ombros, e roupa social.

Fernanda Montenegro como Chica Newman em Brilhante; novela será resgatada pelo Globoplay

DUH SECCO, colunista

duh@noticiasdatv.com

Publicado em 9/4/2026 - 21h49

Os fãs de Gilberto Braga (1945-2021) podem comemorar! Brilhante (1981), novela do autor considerada perdida, será disponibilizada no Globoplay. Um compacto editado para o mercado internacional foi resgatado pela Globo. A emissora "remontou" o conteúdo, incluindo abertura e vinhetas originais, para oferecê-lo aos assinantes da plataforma de streaming.

O processo é similar ao de Corpo a Corpo (1984) e Plumas e Paetês (1980), exibidas recentemente pelo Globoplay Novelas. A diferença é que as versões internacionais destes folhetins contam com o mesmo número de capítulos das originais. Já os 155 episódios da versão brasileira de Brilhante foram condensados em cerca de 70.

Até então, a expectativa era de que a trama de Gilberto Braga fosse disponibilizada através do Projeto Fragmentos, dedicado a títulos com poucos capítulos preservados. Mas o Globoplay encerrou o Fragmentos em março, sem Brilhante, o que gerou suspeitas sobre a recuperação do conteúdo.

Fontes da coluna indicam, porém, que entraves jurídicos ainda impedem a disponibilização da novela no streaming. Consultada, a Comunicação da plataforma informa que "não há previsão para publicação de Brilhante e Final Feliz" --obra de Ivani Ribeiro (1922-1995) também remontada pela Globo.

Exibida às 20h entre setembro de 1981 e março de 1982, Brilhante causou polêmica por conta da abordagem acerca da homossexualidade de Inácio, papel de Dennis Carvalho (1947-2026). A mãe do rapaz, Chica Newman (Fernanda Montenegro), pretende casá-lo com Luiza (Vera Fischer), designer da rede de joalherias da família.

Luiza, além de recusar a proposta, se une a Paulo César (Tarcísio Meira, 1935-2021), marido de Maria Isabel (Renée de Vielmond), primogênita de Chica. Inácio, envolvido em casos furtivos, acaba subindo ao altar com a interesseira Leonor (Renata Sorrah).

A censura da Ditadura Militar (1964-1985) comprometeu a narrativa ao vetar menções à homossexualidade de Inácio. Brilhante também enfrentou problemas estruturais, admitidos pelo autor ao projeto Memória Globo: "Foi uma novela muito mal bolada, com uma história impossível de contar".

Gilberto Braga pretendia recontar a trama. Intolerância, uma das últimas propostas apresentadas por ele à Globo, partia do conflito entre Chica Newman e Inácio. Mas a releitura, dividida com o também autor João Ximenes Braga, acabou engavetada.


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