REALISMO EM XEQUE
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Joélly (Alana Cabral) está cercada por garotas que a hostilizam por causa da gravidez na novela
Três Graças começa a acumular incoerências que tiram a força do realismo proposto pela trama: Joélly (Alana Cabral), por exemplo, sofre bullying por sua gravidez precoce, mesmo vivendo em uma comunidade onde a novela já mostrou que isso é comum; enquanto Paulinho (Romulo Estrela), policial, circula livremente pela Chacrinha sem gerar conflito com o tráfico comandado por Bagdá (Xamã).
Fora isso, o sotaque da maioria dos personagens excessivamente carregado no "R" destoa da ambientação paulistana. Quem vive na capital não fala puxando essa letra, como é comum entre moradores do interior de São Paulo.
A novela das nove da Globo tem sido elogiada por retratar o cotidiano da periferia com olhar sensível e afiado, mas esses deslizes provocam incômodo entre os telespectadores mais atentos.
Joélly já foi hostilizada mais de uma vez por colegas por estar grávida aos 15 anos, o que vai na contramão do que a própria trama mostrou no primeiro capítulo e também do que se vê na realidade. Na estreia, a novela mostrou Gerluce (Sophie Charlotte) acompanhando a filha ao posto de saúde para confirmar a gestação.
Na cena, diante da sala de espera cheia de meninas igualmente grávidas como a filha da mocinha, Gerluce soltou uma frase marcante. "Você está vendo algum homem aqui?", disse a protagonista à filha. Ela quis questionar onde estão os pais dessas crianças todas, o que serviu para a narrativa reforçar um dos pilares da novela, que retrata três gerações de mulheres que engravidaram na adolescência e seguiram como mães solo.
O problema é que, apesar desse contexto, Joélly sofre bullying pesado -- chegou a ser empurrada numa farmácia e chorou ao ser defendida por Samira (Fernanda Vasconcellos) e Misael (Belo). A agressividade destoa da naturalização da gravidez precoce que a própria novela já havia mostrado.
A relação de Gerluce com Paulinho também desafia a lógica. Ele é policial, e mesmo a Chacrinha sendo uma área controlada pelo traficante Bagdá, o detetive entra e sai com carro oficial e sirene ligada, mas sem qualquer reação do crime organizado.
Raul (Paulo Mendes), pai do bebê de Joélly, chegou a ser perseguido por dever dinheiro ao tráfico, mas o namoro de Gerluce com um policial não causa incômodo algum? A presença constante de Paulinho no território do bandido parece fora da realidade.
Por fim, há uma questão recorrente de sotaque. A tentativa de suavizar o sotaque carioca do elenco gerou um excesso de "erres" nas falas, com "Arrrminda", "Gerrrluce" e "verrrdade" sendo pronunciados de maneira carregada, como se os personagens fossem do interior paulista.
Isso destoa da ambientação da novela, que se passa em bairros populares da capital, como Pinheiros (zona oeste) e Aclimação (região central). A própria Arminda (Grazi Massafera), criada em uma família rica de São Paulo, fala com um "R" interiorano que não condiz com sua história.
Embora Três Graças continue envolvente e potente em muitos núcleos, essas falhas comprometem a autenticidade que a novela se propôs a entregar desde o início.
Leia também -> Resumo dos capítulos da novela Três Graças
Três Graças é uma novela criada por Aguinaldo Silva em parceria com Virgílio Silva e Zé Dassilva. A história é ambientada em São Paulo e ficará no ar até maio de 2026.
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