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ROTA ERRADA
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Lucélia (Daphne Bozaski) em Três Graças: mudança no perfil da vilã traz cenas sem verdade
A transformação de Lucélia (Daphne Bozaski) em chefona do tráfico quebra a coerência sempre priorizada em Três Graças. A dissimulada sofreu uma guinada brusca ao assumir, de uma hora para outra, o comando da boca da Chacrinha. A virada destoa do realismo que a trama tem defendido desde a estreia, e a bandida já é motivo de chacota nas redes sociais.
Até então, Lucélia funcionava como uma antagonista clássica: venenosa, calculista e silenciosa. Sua força estava na inteligência e na capacidade de agir por trás, sem se expor. Esse desenho vinha funcionando bem, com boa entrega de Daphne Bozaski, que sustenta a ambiguidade da megerinha.
A personagem crescia com consistência, amparada por ações condizentes com sua trajetória. Isso inclui até as revelações mais pesadas, como ter armado um assalto para assassinar os próprios pais.
A partir do momento em que ela passa a circular armada, berrando e ameaçando matar todos ao seu redor, a construção desanda. A nova Lucélia não dialoga com a anterior.
Mais do que isso: a novela ignora completamente o contexto social e estrutural do universo que retrata. A ascensão repentina de uma jovem, sem histórico no crime organizado e sem grandes vínculos com aquele território, ao posto de liderança de traficantes soa artificial.
Os personagens Vandílson (Vinicius Teixeira), Alemão (Lucas Righi) e Bagdá (Xamã) nunca foram tratados com o mesmo tom realista da trama central. Sempre flertaram com o humor, com dinâmica mais próxima de alívio cômico do que de ameaça concreta.
Bagdá se consolidou como um bandido cheio de conflitos emocionais, o que o seu intérprete conseguiu sustentar sem comprometer a história. Porém, a tentativa de impor uma escalada de violência com Lucélia esbarra em um ambiente que nunca foi, de fato, crível como núcleo de criminalidade pesada.
Cenas exibidas recentemente reforçam esse descompasso. Lucélia já apontou arma para a própria prima, ameaçou execuções em série e submeteu Vandílson a tortura, incluindo até choque elétrico. Ainda assim, não há sensação de perigo real.
O resultado é o oposto do pretendido: em vez de consolidar uma vilã temida, a novela entrega uma figura que não impõe medo e acaba resvalando no exagero. Falta lastro, construção e verdade.
Leia também -> Resumo dos capítulos da novela Três Graças
Três Graças é uma novela criada por Aguinaldo Silva em parceria com Virgílio Silva e Zé Dassilva. A história é ambientada em São Paulo e está prevista para terminar em 15 de maio.
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Resumo de Três Graças: Capítulos da novela das nove da Globo - 13 a 16/5
Quarta, 13/5 (Capítulo 177)
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