ENTREVISTA

Fernanda Rodrigues volta às novelas em microdrama sobre violência psicológica

DIVULGAÇÃO/TV GLOBO

Fernanda Rodrigues com feição de choque em Fuzuê (2023)

Fernanda Rodrigues em Fuzuê (2023); atriz volta às novelas em microdrama sobre violência

GIULIANNA MUNERATTO

giulianna@noticiasdatv.com

Publicado em 26/7/2026 - 12h00

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Fernanda Rodrigues está de volta às novelas após sua participação em Fuzuê (2023), mas desta vez em um formato diferente. A atriz integra Eu Não Era Louca, Era Casada, microdrama do Globoplay que aborda violência psicológica dentro de um relacionamento abusivo. Ela afirma que o projeto a fez refletir sobre comportamentos muitas vezes naturalizados nos casamentos e espera que a produção ajude mulheres a reconhecerem situações semelhantes.

  • Entenda a notícia:
  • Novo formato: Fernanda Rodrigues volta à dramaturgia para estrelar o microdrama do Globoplay Eu Não Era Louca, Era Casada.
  • Alerta social: A atriz vive uma vítima de gaslighting e espera que a trama ajude mulheres a identificarem e saírem de relacionamentos abusivos.
  • Desafio: Fernanda destacou o exercício de atuar em uma linguagem mais dinâmica sem perder a naturalidade e o cuidado com o tema delicado.

Na trama, Fernanda interpreta Beatriz, uma mulher vítima de gaslighting, forma de manipulação psicológica que faz a pessoa duvidar da própria percepção da realidade.

Para a atriz, o próprio título da obra sintetiza a experiência vivida por muitas mulheres. "Apesar de ser uma dramaturgia, esse título é muito forte porque traduz exatamente o que tantas mulheres vivem na realidade. A Beatriz passa a acreditar que o problema está nela, quando, na verdade, ela é uma mulher que está sendo vítima de uma manipulação constante", afirma em entrevista ao Notícias da TV.

A artista acredita que a história pode incentivar reflexões para além da ficção. "A frase resume o processo de apagamento que o gaslighting provoca e mostra como é importante falar sobre esse tipo de violência, que muitas vezes acontece de forma silenciosa. Espero que esse trabalho ajudem no despertar de mulheres que vivem algo similar em suas casas", destaca ela.

Para construir a personagem, Fernanda conta que procurou mostrar de maneira gradual o impacto emocional causado pela violência psicológica. Segundo ela, as mudanças aparecem em pequenos gestos, na postura e até na forma como Beatriz ocupa os ambientes.

"Emocionalmente, busquei entender como uma pessoa vai perdendo a confiança em si mesma quando é constantemente colocada em dúvida. Foi um processo intenso, mas muito enriquecedor como atriz", pondera.

A atriz admite que a personagem também provocou mudanças em sua visão sobre relacionamentos. "Ela me fez refletir sobre como pequenas atitudes de controle, desvalorização ou manipulação podem ser normalizadas no dia a dia", comenta.

Nem toda violência deixa marcas físicas, e conhecer mais profundamente esse universo aumenta nossa atenção e nossa responsabilidade de falar sobre o assunto.

Além do tema delicado, Fernanda precisou se adaptar ao formato das novelas verticais, pensadas para serem consumidas pelo celular. Ela avalia que a experiência exigiu outra dinâmica de interpretação, mas sem abrir mão da naturalidade.

"É uma linguagem diferente e muito interessante. O ritmo é mais dinâmico, as cenas precisam estabelecer uma conexão muito rápida com quem está assistindo e tudo acontece de forma bastante objetiva. Como atriz, foi um exercício de adaptação sem perder a verdade da interpretação", analisa.

Depois de acompanhar diferentes transformações da televisão ao longo da carreira, Fernanda vê com bons olhos o investimento da Globo e do Globoplay nesse novo modelo de dramaturgia.

"Acho muito positivo. A forma como consumimos entretenimento mudou bastante e é natural que as histórias também encontrem novos formatos. O mais importante continua sendo contar boas histórias, independentemente da tela. É interessante ver a dramaturgia brasileira se reinventando e dialogando com diferentes públicos", afirma.

Mesmo com décadas de experiência, a atriz conta que ainda sente insegurança antes de iniciar novos trabalhos --e considera essa sensação importante. "Sempre existe aquele frio na barriga, e eu gosto que ele exista. Mais do que gostar, ele se faz necessário para mim", relata.

"Acho que significa que aquele trabalho me conquistou, se tornou importante na minha trajetória. A Beatriz despertou esse sentimento porque exige muita responsabilidade. Estamos falando de um tema delicado, que faz parte da vida de muitas mulheres, então eu queria tratá-lo com todo o cuidado e respeito possíveis", finaliza ela.

A novelinha Eu Não Era Louca, Era Casada deve chegar ao Globoplay ainda em 2026, mas não teve sua data de estreia oficial divulgada.


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