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ENTREVISTA
REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Vandré Silveira como Moacir de Dona Beja; ator falou sobre as contradições do personagem
Vandré Silveira vive um dos personagens mais complexos de Dona Beja. No folhetim de época da HBO Max, ele interpreta Moacir, capitão dos Dragões de Minas destemido e valente que enfrenta um conflito íntimo ao se relacionar com Severina, mulher trans interpretada por Pedro Fasanaro. Para o ator, o contraste entre a figura pública e o desejo reprimido foi o principal desafio da construção.
"Foi divertido, porém delicado, e pensei muito na responsabilidade que este personagem carrega", afirmou Silveira em entrevista ao Notícias da TV.
Em uma das cenas, Moacir chega a se referir a Severina no masculino quando é surpreendido por outros integrantes da guarda. "Ficam evidentes tanto o medo de ter sua masculinidade questionada quanto a hipocrisia que mascara seu desejo por Severina", analisou.
Segundo Vandré Silveira, foi justamente essa relação que o encantou no papel. "Severina não se encaixa nos padrões da época, considerada subversiva, desviada. É muito bonito acompanhar sua trajetória de coragem e afirmação."
Para ele, Moacir vive uma contradição: mantém intimidade com a personagem, mas se recusa a assumir o vínculo em público. "Infelizmente, ainda vivemos num tempo de muito preconceito e hipocrisia. Imagina, então, nessa época colonial? Estamos avançando, mas é importante lembrar que o Brasil é um dos países mais violentos em relação à comunidade LGBTQIA+", destacou o ator.
Embora seja ambientada no passado, Dona Beja aborda temas que, na avaliação do artista, seguem atuais. "Estamos falando de uma sociedade patriarcal e machista em que a mulher serve ao homem e a sociedade assim entende o lugar da mulher, do recato, da subserviência, sem desejos próprios", pontuou. Para ele, a protagonista vivida por Grazi Massafera rompe essa lógica ao escrever o próprio destino.
Silveira acredita que a discussão não deve ser restrita às mulheres. "Esta luta contra o patriarcado deve ser também uma luta dos homens", destacou. "A maneira como o Moacir reage ao que sente diz sobre o preconceito que o impede de viver essa reação de forma plena, como acontece com muitos homens na atualidade", refletiu.
Para tratar a relação entre Moacir e Severina com cuidado, o ator buscou evitar estereótipos. "O personagem é preconceituoso, fruto de uma sociedade que não legitimava a existência dessas pessoas", explicou.
Eu me aproximei dessa postura, tal qual homens como o Moacir costumavam tratá-las: com afeto e tesão na intimidade; intolerância e desprezo no ambiente público. É importante observar essa hipocrisia que ainda perdura nos dias atuais e buscar naturalizar a liberdade do desejo, do corpo e do afeto.
Natural de Belo Horizonte, Vandré Silveira tem 25 anos de carreira e formação sólida no teatro. "Sou uma cria dos palcos. Adoro uma coxia. Sempre chego mais cedo ao teatro para me preparar. É como um ritual para mim", contou.
Além da novela, o ator vive uma fase movimentada. A partir de 6 de março, ele entra em cartaz com o espetáculo A Hora do Boi, no Ágora Teatro, e também participou das filmagens de Emmanuel, dirigido por Wagner de Assis, no qual interpreta Paulo de Tarso. "É muito gratificante quando nos é dada a oportunidade de desenvolver um trabalho de maior profundidade", concluiu.
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