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ESTREIA DIA 2
DIVULGAÇÃO/HBO MAX

Grazi Massafera é a protagonista de Dona Beja, novela que estreia na HBO Max no próximo dia 2
Os primeiros capítulos de Dona Beja, da HBO Max, deixam claro que a plataforma não pretende suavizar o mito da personagem que marcou época na extinta Manchete nos anos 1980. O remake protagonizado por Grazi Massafera assume sem pudor o tom de novelão adulto, com erotismo explícito, muita vilania, conflitos de classe e uma protagonista que se reinventa a partir da própria desgraça.
Gravado em 2024 e cercado de turbulências nos bastidores, o projeto estreia em 2 de fevereiro com uma energia bruta que o afasta da lógica da TV aberta, cada vez mais conservadora. Grazi vai da virgem apaixonada que não entrega sua pureza à cenas de domínio sexual absoluto.
Apesar dos relatos de problemas de produção, embates com a direção e insatisfação do elenco, esses ruídos não são perceptíveis nos primeiros episódios assistidos pelo Notícias da TV. Há, sim, algum descompasso de ritmo e pequenas irregularidades no encadeamento do enredo, mas nada que comprometa.
O que se vê é uma novela de época atrevida, sem concessões morais, que usa a sexualidade da protagonista como válvula propulsora. A história se passa no Brasil imperial, em Araxá, e apresenta Beja ainda jovem, romântica e sonhadora, apaixonada pelo noivo, Antônio (David Junior).
A relação deles é sabotada pelo preconceito da família do rapaz, que torce o nariz para Beja: garota pobre, criada pelo avô, que carrega a dor do suicídio da mãe no peito. A novela adiciona uma camada contemporânea ao fazer do protagonista um homem negro, com um pai igualmente negro, em uma sociedade pós-escravidão ainda profundamente racista.
A virada brutal vem com o desejo obsessivo do ouvidor do imperador, que tenta estuprar Beja e depois a sequestra. O rapto e a morte do avô da jovem detonam a primeira grande transformação da personagem.
Enganada pela irmã do noivo, Maria Felizardo (Indira Nascimento), que a faz acreditar que ele se casou com sua irmã de criação, Angélica (Bianca Bin), Beja decide perder a virgindade com um padre, em uma das cenas mais cruas e desconfortáveis desse início da história.
A partir daí, Beja se torna amante do ouvidor, decide nunca mais ser manipulada por homem nenhum e passa a usar o próprio corpo como instrumento de poder. Ela constrói riqueza, acumula joias, atrai amantes influentes e transforma a sexualidade em moeda de troca.
É uma trajetória que dialoga com o contexto histórico de uma mulher sem direitos formais tentando sobreviver e dominar um mundo masculino. Grazi Massafera sustenta esse arco com entrega física e emocional que marca um ponto de virada em sua carreira.
Desde o primeiro capítulo, ela surge em cenas sensuais na cachoeira, com roupas transparentes, em enquadramentos que sugerem nudez integral. Tem até uma flashback em que a personagem se masturba na frente de Antônio.
Não é a primeira vez que a atriz encara participar de sequências assim. Em Verdades Secretas (2015), Grazi já havia aberto esse caminho, mas aqui há um salto evidente de maturidade cênica, firmeza no olhar e domínio do subtexto da personagem.
O erotismo explícito, permitido pela lógica do streaming, diferencia Dona Beja de qualquer novela recente da TV aberta. Ao mesmo tempo, a trama evita reduzir a protagonista a um objeto sexual passivo. Há um empoderamento progressivo na forma como Beja passa a controlar as situações, ditar regras e surpreender os homens que tentam possuí-la.
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