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ESTREIA HOJE!

Dona Beja abre gavetas da diversidade com amor lésbico e transexualidade

FOTOS: DIVULGAÇÃO/HBO MAX

Pedro Fasanaro e Grazi Massafera contracenam juntos na novela Dona Beja

Severina (Pedro Fasanaro) é salva de morrer queimada numa fogueira por Beja (Grazi Massafera)

MÁRCIA PEREIRA, colunista

marcia@noticiasdatv.com

Publicado em 2/2/2026 - 21h00

Dona Beja estreia nesta segunda (2) na HBO Max com a proposta de tratar a história como releitura, não como remake, reposicionando a protagonista vivida por Grazi Massafera para um olhar contemporâneo. Assim, nasce uma Beja menos reduzida a rótulos e mais colocada como alguém que desafia o sistema. Essa lógica se espalha pelos núcleos da trama, trazendo negros em posição de poder, transexualidade e amor homoafetivo.

O autor Daniel Berlinsky sustenta a atualização como um gesto de ampliação do horizonte e afirma que a intenção foi imaginar uma mulher à frente do tempo --quatro décadas depois da exibição da primeira versão em 1986 na Manchete (19830-1999).

Ele diz que sociedade mudou menos do que se gostaria, mas a consciência coletiva sobre opressões e desigualdades é bem mais nítida. Berlinsky afirma que a novela aborda a diversidade na raiz.

"Tem o corpo fora do padrão da beleza imposto e a questão da negritude. O que a gente fez foi um desdobramento do próprio tema já sugerido pelo Wilson Aguiar Filho, o autor da primeira novela. As sementes estavam todas lá. Ele conseguiu ir até onde aquela época permitia, até onde ele como artista conseguia ir e como o público conseguiria entender", completa Berlinky.

Amor proibido

A maior atualização, porém, está no campo do afeto e da identidade. Na família principal da saga está Maria (Indira Nascimento), uma mulher em processo de compreender a própria sexualidade num contexto repressor. Para a atriz, esse papel é importante porque até hoje a falta de referências diversas na televisão empurra muita gente para o silêncio e a culpa.

Indira Nascimento

Maria (Indira Nascimento) vai se apaixonar por outra mulher e viver romance homoafetivo

"A gente vive uma heterossexualidade compulsória, e eu acho que agora a gente tem os termos para discutir isso. Eu não queria usar a palavra representatividade, porque acho que ela está machucada, mas a verdade é essa. Se eu Indira, tivesse aos 14, 15 anos, assistido a uma série que tem uma personagem percebendo que talvez ela tenha uma outra sexualidade e que isso pode existir, é possível, a minha vida teria sido diferente", declara Indira.

Em Dona Beja, a personagem dela mostra desde o começo uma atração pela noiva do irmão, Antônio (David Junior). Por isso, ela antagoniza Beja e faz de tudo para acabar com o romance deles. Ao longo da história, Maria vai se apaixonar por Eulália (Bruna Spínola) e viver a sua história de amor proibido.

Fiel escudeira

A novela também incorpora transexualidade por meio de Severina (Pedro Fasanaro). Ela é mulher trans culta e intuitiva, vira a melhor amiga e sócia de Beja na Chácara do Jatobá. Nos primeiros capítulos, Severina é salva da fogueira por Beja. Ela havia sido condenada por ser homem e se vestir de mulher. Graças à protagonista, ela escapa da morte e acaba virando dama de companhia.

Depois, Severina assume a administração das contas e ainda ensina Beja a ler e escrever. Naquela época, somente os homens frequentavam escolas.

Pedro Fasanaro diz que relação entre Severina e Beja é inspiradora e centrada na sororidade e num vínculo que desloca o amor romântico do centro das atenções, legitimando outras formas de afeto, como o amor entre amigos. O resultado é uma Dona Beja que trata diversidade sexual e de gênero como parte orgânica da trama.

Luta por direitos

A atualização racial na história segue o mesmo princípio. João (André Luiz Miranda) aparece como parte de um elenco que, nas palavras do ator, evidencia que pessoas pretas são múltiplas e não pensam todas do mesmo jeito. O que serve de recado para a dramaturgia, que historicamente encaixa esses personagens num molde único.

Ele forma o triângulo amoroso principal com Beja e Antônio. João tem pais negros e empoderados, entra em conflito com a sociedade justamente por lutar pelos direitos das pessoas pretas.

Já Antônio é um símbolo de ascensão e conflito: herda expectativas políticas abolucionistas, mas vive sob o peso da reputação, com uma família atuando como mecanismo de controle. A mãe dele, Ceci (Deborah Evelyn), é uma mulher guiada pelas aparências, que odeia Beja por enxergar nela a liberdade que combate e atua para afastar o filho da protagonista.

O curioso é que Ceci tem marido negro e filhos pretos, mas é racista. Ao lado dela está Sampaio (Bukassa Kabengele), homem influente e defensor da educação do povo negro.

Ao apostar nesse conjunto de protagonismo feminino, com amor lésbico, transexualidade, negritude com poder e conflitos atravessados por opressões reais, Dona Beja tenta repetir o impacto que a novela teve 1986, mas com outro vocabulário e urgências.


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