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ENTREVISTA

'Dita de Êta Mundo Melhor! é heroína que a gente precisava', diz Jeniffer Nascimento

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

A atriz Jeniffer Nascimento caracterizada como Dita em cena de Êta Mundo Melhor!

Dita (Jeniffer Nascimento) em cena de Êta Mundo Melhor!; atriz fez balanço sobre este papel

FERNANDA LOPES

fernanda@noticiasdatv.com

Publicado em 18/2/2026 - 6h10

A Dita de Êta Mundo Melhor! será inesquecível para Jeniffer Nascimento. A atriz sente que merecia este espaço de protagonista na novela e que a história da mocinha foi muito precisa ao levantar questões relacionadas à independência feminina. "Dita era a heroína que a gente precisava", diz ela.

Para a atriz, o desenvolvimento desta personagem, que ganhou muito mais destaque em relação à sua participação em Êta Mundo Bom! (2016), foi fundamental para reconstruir o imaginário de mulheres pretas no audiovisual.

Em entrevista ao Notícias da TV, Jeniffer falou sobre a relevância da personagem com suas pautas sociais, sobre sua pesquisa para interpretar uma cantora do rádio dos anos 1950 e sobre suas cenas mais impactantes.

Confira:

NOTÍCIAS DA TV -Como tem sido sua experiência ao reinterpretar Dita, agora em Êta Mundo Melhor!? Quais eram suas expectativas no início e como isso tem se transformado ao longo da trama?
JENIFFER NASCIMENTO - A Dita, para mim, é um presente. Poder reviver essa personagem, ainda mais agora como protagonista, podendo explorar muitas camadas dela, para mim tem sido um grande aprendizado.

Antes de começar essa novela, eu achava que eu tinha um pouco de dificuldade de fazer cenas de drama, porque por muito tempo eu fui colocada numa caixa do humor. E essa personagem, que tem tantas camadas, me fez poder explorar todas as vertentes da atriz Jeniffer.

Então, estou muito feliz de poder estar fazendo a minha arte, me experimentando, me explorando. Fiquei muito feliz de ver que eu realmente consigo fazer isso, né? Às vezes, o ator só precisa de uma oportunidade.

Isso não é clichê, mas é porque no próprio dia a dia a gente vai praticando e interiorizando as coisas. É um ponto muito positivo, que tem transformado muito a jornada da Dita, ao longo da trama, e a da Jeniffer também.

Dita evoluiu bastante de Êta Mundo Bom! pra Êta Mundo Melhor!, é uma mulher que luta por seu relacionamento, por seu trabalho, pelas coisas que quer na vida. Como você enxerga a evolução da personagem e como acha que ela pode inspirar mulheres reais?
Eu muito feliz com a jornada da Dita. Eu acho que, apesar de ela ser uma protagonista, ela não é uma mocinha, ela é uma heroína. E eu acho que ela ser uma heroína é exatamente o que a gente precisava para essa reconstrução do imaginário de uma mulher preta no audiovisual, sabe?

Acho que a Dita é uma das personagens que a gente estava pedindo. Quando a gente vê a Dita, a gente se sente representada. Ela é essa força da natureza.

Eu estava até discutindo recentemente sobre a personagem, que existe uma coisa que é assim: para além do que a sociedade espera, o comportamento da mulher preta sempre é diferente. A atenção é redobrada, porque a gente sabe que sempre vai ser mais cobrada, sempre vai ser mais apontada.

A Dita é uma mulher maravilhosa, ela é muito inspiradora, ela é muito íntegra, mas ao mesmo tempo ela não abaixa a cabeça para as pessoas. Então, é muito feliz para mim estar interpretando essa personagem, sair nas ruas e ver tantas pessoas, tantas mulheres, meninas, crianças de todas as idades se inspirando nessa personagem e dizendo que gostariam de ser como a Dita.

Para mim, estar representando essa personagem que carrega toda essa história e esses valores vai muito ao encontro do meu propósito na arte, que é inspirar e transformar.

Qual tem sido seu maior desafio ao interpretar Dita em Êta Mundo Melhor!?
De todas as personagens que eu já fiz, acho que ela é a que mais me trouxe uma carga dramática, possibilidades dramáticas diferentes. Ela foi exatamente essa oportunidade para eu mostrar todas as minhas facetas enquanto atriz, me explorar no drama.

E uma coisa que eu também não havia feito ainda era me experimentar cantando de uma outra maneira, como essas cantoras de época, com esses trejeitos da época. Isso também tem sido um grande experimento e uma grande escola para mim.

Nesta novela, você tem a possibilidade de mostrar também seu talento como cantora, de interpretar uma cantora que enfrenta vários preconceitos para fazer seu trabalho. Como é essa oportunidade e como é a preparação; você chegou a estudar cantoras dos anos 1950, músicas desta época?
Eu ouço muito as cantoras da era de ouro, da era das rádios. Para mim, tem sido uma escola. Elas eram brilhantes, e eu acho que essa época do rádio, musicalmente falando, é muito rica e muito potente.

Porque hoje nós temos muitos artifícios. Hoje, a grosso modo, qualquer um pode cantar se colocar a voz num efeito, num afinador. Hoje a gente tem até IA que faz música, sendo que não tem nem uma pessoa cantando. Hoje a gente também tem a parte do visual, então às vezes a pessoa não gosta nem da música do artista, mas ela acha o artista bonito, a forma que o cantor dança legal, uma coreografia que fixou.

E nessa época [da novela], não. O cantor só tinha a voz para conquistar o público. E eu acho que isso faz com que o grau de dificuldade das melodias, da forma de cantar, da interpretação, seja mais rebuscado, porque era um caminho muito mais difícil você conquistar só pela voz, né?

Acho muito interessante eu estar fazendo essa cantora também nessa novela de época. Tivemos grandes cantoras pretas que muitas vezes começaram a fazer sucesso porque as pessoas não sabiam que era uma cantora preta, porque as pessoas ligavam a rádio e se encantavam simplesmente por essa voz. As pessoas lotavam um teatro, mas a própria estrela tinha que entrar pela porta dos fundos.

Então, acho muito legal a gente relatar essa história, contar o que aconteceu nos bastidores, como foi a cena emblemática, por exemplo, no início da novela, que a Dita está cantando na coxia para uma mulher branca fingir que está cantando. Quantos artistas passaram por isso e a gente não faz ideia? Sinto quase como se fosse uma missão ancestral contar essa história.

Você tem sido elogiada nas redes sociais por interpretar uma protagonista negra com o destaque merecido, com uma boa trama, que valoriza Dita.
Como é estar nesta posição, qual é a importância de ocupar este lugar?
Eu estou muito feliz que essa personagem faça jus a ser uma protagonista, de fato, que ela tenha realmente essa jornada contemplada de protagonista. Sou muito grata ao Walcyr Carrasco, sou muito grata ao Mauro Wilson, que deu continuidade nessa trama e nessa trajetória da Dita brilhantemente.

Eu torcia muito para que esse momento acontecesse, eu torcia muito para ter uma oportunidade de protagonista e confesso que, por estar nessa carreira desde os cinco anos de idade, muitas vezes eu me via ansiosa, com expectativa de isso acontecer logo, e isso ainda não tinha acontecido.

Mas eu acredito muito no universo e que as coisas acontecem na hora que têm que ser. E hoje eu vejo que não poderia ter uma personagem melhor para eu estrear nesse lugar que eu tanto almejei viver um dia, de protagonista, do que a Dita, porque ela realmente me faz se sentir pertencente a esse lugar.

Fico muito feliz com a repercussão nas redes e que o público esteja vendo e abraçando, né? Um pouco antes de eu começar a novela, eu via muita gente criticando: 'Ah, agora só tem protagonistas pretos', 'Ah, estão cumprindo cotas'. E graças a Deus, com muita dedicação e mostrando meu trabalho e mostrando que eu merecia estar nesse lugar, o público abraçou essa personagem. Sou muito grata.

Alguma cena de Dita que foi mais marcante pra você? Mais desafiadora, mais difícil, mais engraçada, mais emocionante?
Tive algumas cenas bem emocionantes. Uma delas foi quando a Dita tentou matricular o filho dela na escola e recebeu uma negativa por ela ser uma mulher desquitada.

Aquela cena se conectou muito comigo, acho que também pelo momento de vida que eu vivo, mas como um grito representando todas as mães solo desse país. Por mais que seja uma novela de época, as mães solo ainda têm muitas dificuldades. Me emocionam muito as cenas em que a gente quebra a quarta parede, que está falando diretamente com a realidade das pessoas.

Me emocionou muito fazer também a cena com a Dhu Moraes, quando a Dita começa a ensinar Manoela a ler. Também a cena que a Dita fez com Samir (Davi Malizia), quando ele coloca água no leite, e ela fala que às vezes a gente chega num lugar e se sente culpado por estar nesse lugar, achando que a gente deveria passar pelas mesmas dificuldades de antes. Ela ensina que não, que a gente tem que ser grato pelo que a gente tem.

Enfim, muitas cenas me tocaram pessoalmente porque se conectaram com realidades que eu vivi. Eu sou uma mulher preta, hoje mãe solteira, e também vim de uma realidade muito difícil. Tenho muitos lugares em que converso com a personagem. Às vezes, sinto inclusive que a personagem está falando com a Jeniffer.

Como tem sido a repercussão do público com você, o que as pessoas mais te
falam nas ruas, redes sociais?
A repercussão tem sido maravilhosa. Dita realmente se tornou uma unanimidade, assim. Eu recebo relatos de mães falando que os bebês têm meses de vida e precisam ouvir uma música da Dita cantando para dormirem.

E recebo mensagens de senhoras de 80 anos que se vestiram de Dita Ribeiro e fizeram uma apresentação de Rainha do Rádio num curso. Recebo muita mensagem de crianças, de filhos que contam de pais que têm alguma condição especial, como Alzheimer, ou estão numa fase desafiadora da vida e, quando ouvem Dita cantar, isso faz com que eles resgatem alguma memória.

Tenho amigos do meu pai que se reúnem no bar para assistir à novela. Recentemente, uma amiga de elenco falou que tinha um pedreiro fazendo obra na casa dela e falou: 'Olha, eu volto amanhã porque está dando o horário da minha novela e eu preciso ir'. E ele nem recebeu o pagamento daquele dia, na ansiedade de chegar para ver a novela. O feedback tem sido o mais especial possível; eu fico muito feliz com todo o carinho que o público tem pela Dita.

Como gostaria que fosse o final de Dita na novela, que mensagem ou legado gostaria que a personagem deixasse ao público?
Eu gostaria que o final da Dita fizesse jus à frase [de Candinho] de que 'tudo o que acontece de ruim na vida da gente é para melhorar'. Eu gostaria que a Dita tivesse um final poderoso, em que ela chegue nos lugares que ela tanto sonhou e tanto batalhou para estar, porque acho que ela é uma personagem muito resiliente, que passou por muitos momentos desafiadores nessa trama.

E eu realmente gostaria que ela deixasse o legado de que a vida não é fácil, que a gente tem muitos altos e baixos, mas, quando a gente é resiliente, quando a gente não passa por cima de ninguém e é fiel aos nossos valores, o final vai ser positivo, a colheita vai ser positiva.

Eu de verdade espero que a colheita da Dita, tanto na vida profissional como na vida amorosa, seja a mais positiva possível para a gente de fato começar a recriar esse imaginário, principalmente para as mulheres pretas.

Recebo muitos relatos de mulheres que falam: 'Nossa, a Dita está me inspirando a ver uma outra realidade, a recomeçar, Dita está me ensinando que nunca é tarde para seguir os seus sonhos'. Então espero que ela continue firmando esse legado.

Leia também -> Resumo dos próximos capítulos de Êta Mundo Melhor!.

Êta Mundo Melhor! foi criada por Walcyr Carrasco e Mauro Wilson. A novela tem direção artística de Amora Mautner. A trama é ambientada dez anos após os acontecimentos da primeira fase da história, Êta Mundo Bom! (2016), e ganhou novos personagens.


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