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RICARDO BUFOLIN/TV GLOBO

Cristiana Oliveira interpreta Marta na novelinha Então É Amor?, que estreia nesta terça (16)
Cristiana Oliveira está de volta à dramaturgia depois de sete anos em Então É Amor?, novela vertical do Globoplay que estreia nesta terça-feira (16). A atriz interpreta Marta, mãe de Vicente (Micael Borges) e uma das principais responsáveis pelos conflitos que cercam o romance do protagonista com Rosa (Arianne Botelho).
A coluna apurou que sua personagem morre, mas a veterana foge do spoiler. Em entrevista ao Notícias da TV, ela confirma que um dos segredos da história é justamente o fato de Marta não ficar até o final. Ela tenta despistar, diz apenas que a mulher "faz uma viagem", mas não nega a informação.
Aos 62 anos, a veterana experimenta pela primeira vez o formato de microdrama e conta que a construção da personagem a fez refletir sobre preconceito e conservadorismo. Marta é refinada, pragmática e autoritária. Vive em função de preservar a reputação da família.
Exigente, ela desaprova o relacionamento do filho com Rosa, funcionária de sua mansão, pois considera a jovem inadequada para integrar o seu círculo social. Apesar das atitudes, Cristiana afirma que Marta não é vilã.
Eu não vejo a Marta como uma vilã. Ela é uma mulher criada em uma realidade social muito rígida e conservadora. Quando o romance do filho surge, ela reage por acreditar que está protegendo o legado da família. Age pelo medo do julgamento dos outros, mas não faz nada por maldade.
A artista enxerga na personagem um reflexo de valores que marcaram gerações mais antigas e que ainda influenciam famílias tradicionais. "Ela tem um lado arrogante, mas isso vem muito da forma como foi criada."
Cristiana elogia o texto de Gustavo Reiz em Então É Amor? e antecipa que o autor utiliza elementos clássicos da teledramaturgia brasileira.
O Gustavo é genial nisso. Ele retomou um pouco das histórias da Glória Magadan [1920-2001] e da Janete Clair [1925-1983], com o folhetim clássico. Tem amor, vilão, bem, mal... Isso mexe com emoções muito básicas do ser humano e faz com que as pessoas se conectem rapidamente com o enredo.
A atriz avalia que o sucesso de uma novela continua dependendo da força dos personagens e dos conflitos, independentemente do formato. "Se a trama é bem escrita, o público se apega. E os ganchos que o Gustavo escreve fazem a pessoa querer assistir ao próximo capítulo imediatamente", comenta.
Com capítulos de cerca de dois minutos, o microdrama exigiu da atriz uma atuação mais contida e objetiva. "Eu sou uma pessoa muito expressiva, uso muito as mãos, a voz. O Marcelo Zambelli [diretor] ficava falando: 'Cristiana, menos, menos, menos'. Eu tive que me conter muito mais", entrega.
Para ela, a experiência representa uma oportunidade de dialogar com novas gerações e acompanhar as transformações no consumo de conteúdo. "Hoje, as pessoas fazem milhões de coisas ao mesmo tempo. São multifacetadas. Poder assistir ao capítulo no celular, onde estiver, facilita muito."
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