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'POVO HONESTO'

Criticada por ciganos, Êta Mundo Melhor! inventa cena para limpar sua barra

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Cristiane Amorim tem expressão de susto em cena de Êta Mundo Melhor!, da TV Globo

Carmem (Cristiane Amorim) foi de cigana a golpista que se passa por cigana para amenizar situação

REDAÇÃO

redacao@noticiasdatv.com

Publicado em 11/7/2025 - 20h06

Uma semana depois de Êta Mundo Melhor! irritar ciganos e de a Globo ser acusada de racismo por exibir cenas que representam de maneira negativa os ciganos no horário nobre, a novela das seis inventou uma nova sequência em que a personagem Carmem (Cristiane Amorim) é desmascarada. "Você está manchando a reputação de um povo honesto e honrado", disparou um policial à farsante.

A cena criada para limpar a barra foi ao ar no capítulo desta sexta-feira (11). O Notícias da TV apurou que ela não constava no roteiro original entregue ao elenco --embora não seja possível cravar que ela tenha sido adicionada depois da polêmica com os ciganos.

Na sequência, Carmem se aproxima de clientes de um bar. "Posso ler a sua mão? Posso ver o futuro?", pergunta ela. "Ah, te achei, né, vigarista?", solta uma ex-cliente da mulher. "O que é isso?", questiona a (agora) falsa cigana. "Onde é que estão minhas joias?", rebate a vítima.

Carmem se faz de desentendida, e um policial se aproxima das duas. "Mas o que é que está acontecendo aqui?", intervém o homem da lei. "Ela roubou minhas joias!", insiste a cliente. "Desconheço esse fato, ela está me confundindo com outra pessoa! Nunca vi essa senhora em toda a minha vida!", desata a falar a personagem de Cristiane Amorim.

"A senhora conhece essa mulher?", pergunta o policial. "Sim, muito! Inclusive muito mais do que gostaria! O nome dela é Carmem, ela finge ser cigana para enganar incautos!", diz a vítima, exaltada.

"Eu sei quem a senhora é. Um dos líderes ciganos esteve lá na delegacia, prestando queixa contra a senhora", fala o oficial. "O senhor deve estar me confundindo com outra pessoa", desconversa Carmem. "É a senhora mesmo. Uma golpista, uma vigarista, que está manchando a reputação de um povo honesto e honrado!", discursa o homem.

Ele, então, chama outro soldado para prender Carmem. "Não! Eu não sou cigana, eu não sou cigana! Eu vejo o futuro, mas eu não sou cigana, não!", repete a mulher algemada, desesperada. "A senhora está presa por falsidade ideológica, estelionato e furto. A senhora vai responder pelos seus crimes no xilindró, vendo o sol nascer quadrado", sentencia o policial.

Na página oficial da novela no Gshow, porém, Carmem ainda é descrita como cigana, mostrando que a negativa de sua suposta identidade não constava na construção original da personagem e foi implementada para corrigir o preconceito cometido no roteiro e explicitado pelas entidades. "Cigana. Vai viver com Zulma (Heloisa Périssé) e virar sua parceira em golpes", informa o perfil da mulher (veja ao lado).

Ciganos denunciam racismo na novela

Na semana passada, as entidades Urban Nômades Brasil, Instituto Cigano do Brasil (ICB), International Romani Union Brasil (IRU) e a Associação Mayle Sara Kali Brasil (AMSK) foram a público em suas redes sociais para condenar a maneira como os ciganos haviam sido representados no folhetim de Walcyr Carrasco e Mauro Wilson.

"Anticiganismo é racismo, e a Globo precisa responder" é o título do comunicado emitido pelas entidades, que direcionaram sua fala à sociedade brasileira, ao Ministério da Igualdade Racial (MIR) e à emissora.

"A novela Êta Mundo Melhor! apresentou, logo em seu primeiro capítulo, uma personagem cigana que entrega um bebê a uma golpista exploradora de crianças. Essa representação não é apenas irresponsável --é racista", acusaram. "O que vimos não foi arte, foi reprodução de estereótipos cruéis e coloniais, como o mito da 'cigana que rouba ou vende crianças'. Isso não tem base na realidade, apenas reforça um imaginário que já causou dor, perseguição e exclusão aos povos ciganos ao longo dos séculos."

"A Rede Globo, como concessão pública, tem responsabilidade sobre o conteúdo que transmite. E o Estado brasileiro tem a obrigação de agir diante da propagação de imagens que marginalizam ainda mais um povo que já luta por reconhecimento, visibilidade e direitos básicos", apontaram as instituições.

"Nunca roubamos crianças. Somos um povo de cultura, saberes e dignidade. Não queremos ser vilões exóticos de novelas. Queremos respeito", acrescentaram. "Está na hora de dizer: 'Não em nosso nome'. Chega de racismo travestido de ficção. Chega de silêncio institucional. Isso é anticianismo. Isso é romafobia. E sim, isso é racismo étnico-cultural."

Ao final, as quatro instituições colocaram uma lista de exigências depois da exibição da cena, que incluem retratação pública da emissora, nota de repúdio e ação direta do MIR, inclusão real dos povos ciganos nas narrativas nacionais e fim da romantização da dor dos ciganos como entretenimento.

Leia também -> Resumo dos próximos capítulos de Êta Mundo Melhor!.

Êta Mundo Melhor! foi criada por Walcyr Carrasco e Mauro Wilson. A novela tem direção artística de Amora Mautner. A trama é ambientada dez anos após os acontecimentos da primeira fase da história, Êta Mundo Bom! (2016), e ganhou novos personagens.


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