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ACERTO DE CONTAS
Sergio Baia e Cristina Granato

Gustavo Reiz e Roberta Richard; autor e diretora emplacam terceira novelinha no Globoplay
Nesta terça-feira (21), o Globoplay lança a novela vertical O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas. A trama de Gustavo Reiz, com direção de Roberta Richard, acompanha Berenice (Maya Aniceto) e Beatriz (Maíra Aniceto). Gêmeas idênticas separadas logo após o nascimento, as duas se reencontram em meio à uma grande confusão, que leva Berenice a assumir o lugar --e os privilégios-- de Beatriz, então em coma.
O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas marca a terceira parceria de Reiz e Roberta. O autor e a diretora são dois nomes de peso do gênero que, neste 2026, ganhou força na dramaturgia da Globo. Além do streaming, a emissora tem investido em novelinhas para dispositivos móveis, derivadas dos folhetins da TV aberta, como Três Graças (2025) e Coração Acelerado.
Em entrevista exclusiva à coluna, Gustavo Reiz e Roberta Richard celebram o novo lançamento, a presença de veteranos como Giulia Gam e Guilherme Leme no elenco e reforçam as características do microdrama, além das diferenças entre este e a novela tradicional.
NOTÍCIAS DA TV – Esta é a terceira novelinha da parceria de vocês. Considerando o que já sabemos sobre a trama, O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas parece mais folhetinesca do que Uma Babá Milionária e Icônica: De Faxineira à Fashionista. Como imprimir, no texto e na direção, uma identidade própria a cada produção?
GUSTAVO REIZ – Todas as tramas possuem os elementos que caracterizam o gênero: a narrativa acelerada, os personagens arquetípicos, as grandes viradas e momentos de explosão emocional. Como estamos num momento de implantação de um gênero no país, a estratégia foi, justamente, oferecer novas possibilidades ao espectador, acompanhar o interesse e o comportamento do público em diferentes tramas.
E cada história traz um universo diferente; nossas escolhas artísticas --do texto à direção, do elenco à trilha, das cores aos figurinos e cenários-- precisam potencializar a identidade da trama. Em Uma Babá Milionária seguimos um caminho mais clássico, Icônica: De Faxineira à Fashionista veio com uma linguagem mais pop e O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas vem com uma comédia de erros mais descontraída, com leveza, humor e romantismo.
ROBERTA RICHARD – Cada texto quer dizer algo, então a minha abordagem é em cima do que o texto está pedindo: do conflito, das situações, dos protagonistas, dos antagonistas. Para onde vai a trama, o que se espera de uma gravação, o que eu quero passar para o público é o que o texto me indica. Com isso, a gente consegue, digamos, pesar onde o público espera ver o conflito. Cada produção é diferente, cada texto pede algo específico.
O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas resgata um recurso clássico da dramaturgia: a troca de identidades. O que esse novo formato de dramaturgia pode acrescentar a uma história já tão conhecida pelo público?
REIZ – O microdrama tem uma característica fundamental, ele também é conhecido como o drama da satisfação. Ou seja: o público deste gênero busca certos elementos de segurança emocional --e os clássicos da dramaturgia são recursos poderosos para alcançar este objetivo, desde que eles também tragam elementos surpreendentes. E a nossa trama vem cheia de surpresas!
ROBERTA – Eu diria que funciona de forma semelhante a uma novela horizontal, mas é outro formato. É um trabalho mais voltado ao drama: quem chora mostra a lágrima; se cai o copo, mostramos o detalhe do copo quebrado no chão. É tudo mais dramático. O peso é bem maior, já que temos que segurar o espectador no celular.
A ideia é segurar o público para que ele não se disperse. Levamos em consideração que o espectador assiste à novela sempre na rua, no banco, dentro do ônibus, qualquer coisa pode distraí-lo. Por isso, a trilha também é tão importante na condução da narrativa desse tipo de dramaturgia, porque ajuda a segurá-lo.
Há uma grande expectativa dos noveleiros em relação ao retorno de Giulia Gam à dramaturgia. A presença de um nome tão marcante influencia o desenvolvimento da produção ou até mesmo a escrita dos personagens?
REIZ – A Giulia Gam foi um presente. Ficamos muito felizes quando ela aceitou nosso convite. Como um novelista noveleiro, eu acho um privilégio contar com atores veteranos no elenco de qualquer produção. Além do incontestável talento, há este fator de reconhecimento do público, da memória afetiva, da satisfação em acompanhar um artista que já faz parte do seu imaginário.
ROBERTA – Foi maravilhoso contar com a Giulia no elenco. Ela arrasou, fez muito bem e ficou muito feliz de fazer; foi um retorno legal, junto com o Guilherme Leme, que também celebrou esse retorno, eles arrasaram. Foi muito bom estar com os dois no elenco.
Vocês são crias do formato tradicional de novelas. O que foi preciso deixar de lado --ou reaprender-- para escrever e dirigir uma novelinha?
REIZ – É um gênero novo, que bebe da fonte do melodrama, mas que tem as suas características muito próprias. O microdrama não vem da telenovela, mas de um outro fenômeno digital: a literatura online chinesa. Os vídeos curtos e impactantes começaram a ser produzidos para vender as emoções dos livros, vendidos capítulo a capítulo, para depois criar um universo próprio e gigante.
Então, é fundamental o autor não tentar replicar a telenovela aqui; ele aproveita muito do seu conhecimento, mas também precisa aprender novos recursos e linguagens. Minha pesquisa sobre o tema se tornou o primeiro livro brasileiro a traçar um panorama do gênero, Microdramas - Entendendo a Revolução Vertical (Editora Summus), onde trago insights e aprendizados sobre todos os departamentos dessa enorme engrenagem.
ROBERTA – Eu sou cria desse formato mesmo, trabalho há muitos anos fazendo novela horizontal. No vertical, uma das diferenças é que eu optei por usar muito mais o plano médio e o fechado. O plano geral não funciona tanto porque o ator fica pequeno no quadro. Aprendi a enquadrar especificamente para o vertical.
Os ganchos são uma premissa fundamental no formato e devem acontecer a cada um minuto ou um minuto e meio, em média. É preciso ter sempre um gancho forte, construído com o apoio da trilha sonora, de um close e de uma interpretação intensa.
Se pudessem resumir O Acerto de Contas das Gêmeas Trocadas em uma única palavra, qual seria e por quê?
REIZ – A primeira que me veio foi conflito. Mas eu acho que escolha pode ser mais apropriada. Não só o público é convidado a escolher um lado ao longo da trama, mas os próprios personagens também são obrigados a fazer suas escolhas e lidar com as consequências.
ROBERTA – Melodrama!
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