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NO FUNDO DO BAÚ

Conheça os projetos de Benedito Ruy Barbosa que a Globo nunca produziu

Reprodução/TV Globo

Homem branco, de cabelos grisalhos, usando óculos e camisa azul.

O autor Benedito Ruy Barbosa; três projetos desenvolvidos por ele foram engavetados pela Globo

DUH SECCO, colunista

duh@noticiasdatv.com

Publicado em 8/7/2026 - 8h00

O autor Benedito Ruy Barbosa (1931-2026) respondeu por vários sucessos durante sua longa trajetória na TV. Outros projetos, porém, ficaram pelo caminho. Três propostas apresentadas por Barbosa à Globo, emissora na qual ele passou as últimas décadas de sua carreira, foram engavetadas. Entre elas, a minissérie O Cerco e as novelas E Se Ele Voltar? e O Último Beijo.

Como boa parte das obras de Benedito Ruy Barbosa, O Cerco nasceu da observação de tipos comuns durante uma viagem em família pelo sertão da Bahia, na década de 1970.

"Quando voltei, depois de dois meses na estrada, esbocei a pré-sinopse de O Cerco. Minha intenção era transformá-la em filme. Não deu. Vai virar minissérie", contou o autor ao jornal Folha de S.Paulo, em março de 1993.

Na ocasião, Barbosa celebrava o êxito da primeira fase de Renascer (1993) – marco de sua volta à Globo e de sua estreia no horário nobre na emissora após a bem-sucedida Pantanal (1990), na Manchete.

Leonardo Vieira e José Wilker (1944-2014), destaques dos capítulos iniciais de Renascer, eram cotados para o elenco, assim como Fernanda Montenegro, Patrícia França e Cacá Carvalho.

Para Wilker, o autor havia reservado o protagonista, chefe de uma família do sertão ora pressionada pelos cangaceiros, ora pela polícia. Em dado momento, ele tomaria partido de um dos lados.

O Cerco foi engavetada sem maiores explicações, enquanto Benedito Ruy Barbosa ainda estava envolvido com Renascer. Nos anos seguintes, ele assinou O Rei do Gado (1996), Terra Nostra (1999) e Esperança (2002).

Sua primeira e única minissérie na Globo foi Mad Maria (2005), projeto acalentado durante anos e que finalmente ganhou forma na comemoração das quatro décadas da emissora.

Em 2015, após liderar remakes de tramas suas, adaptadas pelas filhas Edmara e Edilene, Barbosa propôs a produção de E Se Ele Voltar?. A novela versava sobre a volta de Jesus Cristo à Terra, como um homem comum. Na mesma época, a Record ganhava terreno com a bíblica Os Dez Mandamentos (2015).

"É uma história que escrevi para as 18h, sobre dois estudantes de Medicina, que têm sonhos. Um deles fala, brincando, em pegar o Santo Sudário, que tem o sangue de Cristo, e fazer um exame do DNA. [...] Mas, de repente, eles já médicos, cirurgiões, encontram uma caixinha numa praia. Quando estes médicos conseguem abrir esta caixa, eles encontram um pequeno pedaço do Santo Sudário. Ele consegue o DNA, acha que conseguiu o DNA de Cristo", revelou Benedito Ruy Barbosa ao UOL, em setembro de 2016.

A sinopse não foi adiante, o que gerou um conflito entre o autor e Silvio de Abreu, então diretor de Dramaturgia diária da Globo. Uma menção ao carrasco nazista Josef Mengele (1911-1979) fez Abreu associar, segundo Barbosa, a trama ao nazismo: "Eu posso tirar o Mengele da história. O importante é achar a caixa, com o Santo Sudário lá dentro. Aí eu falei: 'Esse cara [Silvio de Abreu] não pode ler sinopses. Não entendeu a sinopse'".

Benedito Ruy Barbosa passou a se dedicar à supervisão de Velho Chico (2016), escrita pela filha Edmara e pelo neto Bruno Luperi. A irritação com Silvio de Abreu resvalou no trabalho. "Não quero que ele leia e que ele ponha a mão na novela", teria pedido o autor, segundo o próprio, a Carlos Henrique Schroder, então diretor-geral da Globo.

Após o episódio, Barbosa apresentou outro projeto à emissora. O Último Beijo, candidata à faixa das sete --a única para qual ele nunca escreveu--, era definida como uma trama romântica e urbana. O neto Marcos Barbosa de Bernardo atuava como colaborador. Mas a ideia não avançou. Benedito Ruy Barbosa, já com problemas de saúde, acabou se retirando da cena artística logo depois.


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