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CASALZÃO!
Beatriz Damy/TV Globo

Alanis Guillen e Gabriela Medvedovsky em Loquinha; acerto de Três Graças rendeu até novelinha
Entre os muitos acertos de Três Graças, novela das nove que chega ao fim nesta sexta-feira (15), está o casal Loquinha. Formado por Lorena (Alanis Guillen) e Eduarda, a Juquinha (Gabriela Medvedovsky), o par entra para a história da dramaturgia da Globo por naturalizar o afeto entre duas pessoas do mesmo sexo. Até então, relações homoafetivas eram apenas insinuadas ou restritas a carícias no último capítulo.
Como qualquer outro casal de Três Graças, Loquinha protagonizou cenas triviais repletas de abraços e beijos, algo incomum até então em relacionamentos sáficos --e gays-- nas novelas. O público aplaudiu o avanço: o sucesso rendeu uma trama vertical batizada com o ship do casal.
É bem verdade que Aguinaldo Silva, um dos autores de Três Graças, já havia tentado avançar neste sentido. Em Senhora do Destino (2004), Eleonora (Mylla Christie) e Jenifer (Bárbara Borges) surgiram de pés entrelaçados na cama.
No ano anterior, em Mulheres Apaixonadas, Manoel Carlos (1933-2026) só conseguiu promover um beijo de Clara (Alinne Moraes) e Rafaela (Paula Picarelli) com a última vestida de homem e durante uma montagem da peça Romeu e Julieta. Em Torre de Babel (1998), Leila (Silvia Pfeifer) morreu junto da companheira Rafaela (Christiane Torloni), contrariando os planos do autor Silvio de Abreu. Tudo por conta da reação inflamada ao pretenso envolvimento de Leila, após a viuvez, com Marta (Glória Menezes).
Foi quase para este patamar que as relações sáficas voltaram nos últimos anos. Após Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller), de Em Família (2014), também de Maneco, a Globo reduziu abordagens do tipo a olhares. Talvez pela forte campanha de políticos e religiosos contra Babilônia (2015), de Gilberto Braga (1945-2021), Ricardo Linhares e João Ximenes Braga, após o selinho de Estela (Nathalia Timberg) e Teresa (Fernanda Montenegro).
Há três anos, em Vai na Fé, escrita por Rosane Svartman, cenas de beijo entre Clara (Regiane Alves) e Helena (Priscila Sztejnman) foram cortadas na edição. Na releitura de Vale Tudo (2025), assinada por Manuela Dias, Cecília (Maeve Jinkings) e Laís (Lorena Lima) pareciam mais brincar de casinha do que duas mulheres em um relacionamento de décadas.
Neste cenário, Três Graças, com Lorena e Juquinha, pavimentou a estrada para que os próximos pares ganhem tratamento similar. Já passou da hora de a Globo tratar casais sáficos, ou quaisquer outros, como os ditos tradicionais.
A TV precisa estar à frente de quem vê, batalhando para que o é que natural deixe de ser visto pela parcela conservadora do público com estranhamento. E para que a comunidade celebre todos os dias --não só quando a censura interna e a pressão da audiência permitam um beijinho.
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