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FRACASSOS CONSTANTES
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Virgínia (Theresa Fonseca) em cena de A Nobreza do Amor: ela faz maldade, mas sofre com revés
Normalmente, as novelas prolongam ao máximo as vitórias dos vilões para puni-los apenas no final, mas A Nobreza do Amor segue pelo caminho oposto. A trama tem consolidado uma estratégia curiosa: seus antagonistas não param de fazer maldades, mas quase nunca conseguem aproveitar os frutos delas durante muito tempo. Quando uma armação parece dar certo, logo vem um revés.
É justamente essa dinâmica que ajuda a explicar parte do prazer que a novela tem proporcionado ao público. O folhetim transforma os fracassos dos vilões em combustível para a diversão dos telespectadores. O mal continua existindo, ameaçando os protagonistas e movimentando a trama. A diferença é que os antagonistas também apanham.
A exceção mais evidente foi o golpe de Estado promovido por Jendal (Lázaro Ramos). A tomada do poder em Batanga serviu como ponto de partida para toda a história, obrigando Alika/Lúcia (Duda Santos) a fugir para o Brasil e se afastar da vida que levava como princesa.
Foi uma vitória grandiosa para o usurpador. Mas, curiosamente, talvez tenha sido também sua última conquista incontestável. Desde então, o tirano vive cercado por derrotas, contratempos e traições.
Embora ocupe o trono, o personagem de Lázaro Ramos raramente transmite a sensação de controle absoluto. Sua trajetória é marcada por uma tentativa permanente de apagar incêndios provocados pelas próprias ações. O resultado é um vilão que continua perigoso, mas dificilmente desfruta de uma posição confortável.
No núcleo brasileiro, a estratégia aparece em tom mais leve e até cômico. Mirinho (Nicolas Prattes), por exemplo, vive criando situações para impressionar ou conquistar Alika, mas quase sempre termina acumulando vexames. Sua patacoada mais recente o levou a trabalhar como caixa no banco do sogro, em mais um capítulo de uma longa coleção de tombos.
Virgínia (Theresa Fonseca) segue caminho semelhante. Determinada a se colocar acima dos demais, ela passa boa parte do tempo tentando humilhar a rival para reafirmar sua suposta superioridade.
O problema é que suas investidas raramente produzem o efeito esperado. Em vez de celebrar vitórias, a personagem quase sempre termina consumida pela frustração, pela inveja e pela raiva.
Esse mecanismo cria um efeito particularmente eficiente na relação com o público. O telespectador continua acompanhando as maldades, torcendo pelos mocinhos e desejando justiça, mas não é obrigado a suportar longos períodos de impunidade.
Assim, a novela oferece pequenas recompensas emocionais ao longo do caminho. Cada golpe baixo costuma vir acompanhado de uma resposta quase imediata do destino.
Leia também -> Resumo dos próximos capítulos de A Nobreza do Amor.
A Nobreza do Amor tem como protagonistas a princesa africana Alika, interpretada por Duda Santos, e o trabalhador brasileiro Tonho, vivido por Ronald Sotto. A trama conta com a direção artística de Gustavo Fernandez
e é ambientada na década de 1920.
A história escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr se desenvolve em dois universos fictícios: o reino de Batanga, na costa ocidental da África, e a cidade de Barro Preto, localizada no Rio Grande do Norte.
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