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EDIÇÃO ESPECIAL
Divulgação/TV Globo

Ana Paula Arósio e Thiago Lacerda como Giuliana e Matteo, de Terra Nostra, em reprise na Globo
A edição especial de Terra Nostra (1999) se aproxima da reta final, mas a Globo, conforme antecipado aqui no Notícias da TV, ainda não debate a sua substituta --as atuais prioridades da emissora envolvem a troca de Rainha da Sucata (1990) por Avenida Brasil (2012), no Vale a Pena Ver de Novo, o lançamento de A Nobreza do Amor e os ajustes em Coração Acelerado.
Já nas redes sociais, o próximo título da faixa pós-Jornal Hoje rende discussões. As apostas passam por novelas de todas as épocas.
Abaixo, a coluna lista cinco obras dos anos 1990 que, certamente, manteriam os bons índices de audiência de Terra Nostra. Todas elas, assim como a trama de Benedito Ruy Barbosa, foram reprisadas apenas uma vez na TV aberta.
DIVULGAÇÃO/TV GLOBO

Cassia Kis (Ana) e Cláudia Abreu (Clara) em Barriga de Aluguel
Sucesso de Gloria Perez exibido pela Globo às 18h, Barriga de Aluguel usou a ciência a serviço do folhetim. Os conflitos foram estabelecidos a partir do desejo da jogadora de vôlei Ana (Cassia Kis) de ser mãe. Sem possibilidades de gerar o próprio filho, ela aceita Clara (Cláudia Abreu) como barriga de aluguel. Só que a dançarina, gestando um bebê com o óvulo de outra mulher, acaba impactada pelas sensações da maternidade.
A disputa entre Ana e Clara ganhou as ruas. A novela absorveu o debate, incluindo opiniões de famosos e anônimos nos capítulos, que atingiam números dignos de tramas das oito. Juízes de verdade foram escalados para dar veredictos sobre a batalha das mães pelo bebê. A ciência e o entendimento sobre casos do tipo mudaram, mas as emoções das personagens seguem as mesmas, capazes de atingir em cheio o público.
Barriga de Aluguel foi reexibida somente em 1993. O Vale a Pena Ver de Novo compactou os 243 episódios em 90, o que implicou em muitos cortes. Na época, o tempo de arte da faixa de reprises era relativamente curto, já que a grade comportava outras atrações, como as séries da Sessão Aventura (1977-1998), o game Radical Chic (1993) e o humorístico Escolinha do Professor Raimundo (1990-1995).
BAZILIO calazans/TV GLOBO

Maitê Proença (Helena) e Tatyane Goulart (Bia) em Felicidade
A volta de Manoel Carlos (1933-2026) à Globo, após oito anos entre emissoras de TV do Brasil e do exterior, rendeu a segunda Helena, a de Felicidade, entregue a Maitê Proença. Interessada em deixar Vila Feliz, interior de Minas Gerais, e reencontrar Álvaro (Tony Ramos), advogado do Rio de Janeiro que passou pela cidade, ela articula um casamento com o engenheiro Mário (Herson Capri) e uma falsa gravidez que comprometem sua reputação. Então, parte sozinha para o Rio de Janeiro.
Helena e Álvaro se esbarram, mas ele, mesmo apaixonado, opta por manter o compromisso com a neurótica Débora (Vivianne Pasmanter). O tempo passa e a aproximação da filha de Helena, que esconde a identidade do pai da criança, com o filho de Álvaro e Débora reacende antigas paixões e rivalidades. Um turbilhão de emoções à altura dos mais famosos folhetins de Maneco, aqui inspirado por contos de Aníbal Machado (1894-1964).
Felicidade comoveu os espectadores das 18h com a bonita relação de Helena e Bia (Tatyane Goulart). A garota, mesmo sendo alvo da perseguição de Débora, não se desvinculava do pai que desconhecia, Álvaro, e do meio-irmão Alvinho (Eduardo Caldas). Em 1998, a trama voltou ao vídeo no Vale a Pena Ver de Novo. Os 203 capítulos foram condensados em apenas 55. Aqui, o tempo de arte era maior --especialmente no período em que Felicidade foi alocada após o Jornal Hoje, com o Vídeo Show (1983-2019) às 17h.
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Mauricio Mattar (Leonardo) e Adriana Esteves (Marina)
Não é de hoje que Aguinaldo Silva divide a titularidade de suas obras. Com Ana Maria Moretzsohn e Ricardo Linhares, o autor de Três Graças concebeu Pedra Sobre Pedra, clássico das oito que uniu Romeu e Julieta, peça de William Shakespeare (1564-1616), ao realismo mágico. Apaixonados, Leonardo (Mauricio Mattar) e Marina (Adriana Esteves) driblavam o ódio de seus pais, Murilo Pontes (Lima Duarte) e Pilar Batista (Renata Sorrah), líderes da pitoresca Resplendor.
Na cidadezinha situada na Chapada Diamantina, o "retratista" Jorge Tadeu (Fábio Jr.) morria após se envolver com várias mulheres comprometidas. Para não as deixar na saudade, voltava à vida sempre que elas comiam a flor de uma árvore que nasceu no canteiro em que ele "tirava água do joelho". Já Sérgio Cabeleireira (Osmar Prado) precisava ser contido para não acabar levado pela lua cheia, que o enfeitiçava.
Pedra Sobre Pedra turbinou a audiência da Globo após a queda causada por O Dono do Mundo (1991), de Gilberto Braga (1945-2021). O resgate da novela via Vale a Pena Ver de Novo se deu em 1995, na sequência de outro hit do trio de autores: Tieta (1989). A trama estrelada por Betty Faria passou pelas tardes da emissora recentemente, conquistando bons índices. Pedra ou A Indomada (1997), de Silva e Linhares, podem causar efeito semelhante...
JORGE BAUMANN/TV GLOBO

Cristiana Oliveira (Selena) em Corpo Dourado
Conhecido por suas incursões pelo universo praiano, Antonio Calmon buscou um novo caminho em Corpo Dourado. Foi do campo que saiu Selena (Cristiana Oliveira), protagonista deste sucesso das sete. Após anos na mais completa ignorância sobre a identidade do pai, ela é surpreendida com tal descoberta e também com a existência de uma meia-irmã, Amanda (Maria Luisa Mendonça), capaz de tudo para mantê-la longe dos negócios da família e de seu marido, Chico (Humberto Martins).
É o delegado Chico quem investiga o assassinato de Zé Paulo (Lima Duarte), empresário que deixa uma série de planos para que seus herdeiros executem sem questionar. O mais audacioso deles envolve a união de seu clã com o de Amanda, através do casamento de Selena e Arturzinho (Marcos Winter). O problema é que o filho de Zé Paulo está perdidamente apaixonado por Alicinha (Danielle Winits), figura ingênua e sensual que agita a litorânea Marimbá.
Entre a praia e o campo, Calmon construiu um enredo que, embora não trouxesse nada de novo, manteve o interesse do público ao longo de oito meses. Em 2004, a Globo escalou Corpo Dourado para o Vale a Pena Ver de Novo após desistir do repeteco de Estrela-Guia (2001) --em meio ao fim do contrato com Sandy, estrela do folhetim, e Junior. A escolha surpreendeu, especialmente por atingir números superiores aos de títulos mais festejados.
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Malu Mader (Ester) em Força de um Desejo
Parceria de Gilberto Braga e Alcides Nogueira, Força de um Desejo é considerada pelos noveleiros o "biscoito fino" do horário das seis. Embora extensa, com seus 226 capítulos, Força não perdeu o embalo em nenhum momento. Feito do bom folhetim, liderado por Ester Delamare (Malu Mader), a cortesã mais famosa do Rio de Janeiro. Apaixonada por Inácio (Fabio Assunção), ela se casa com o pai dele, Henrique Sobral (Reginaldo Faria).
A rede de enganos que leva à disputa de filho e pai pela mesma mulher é tecida por Idalina Menezes de Albuquerque Silveira (Nathalia Timberg). Avó materna de Inácio, mãe da esposa morta de Sobral, Idalina faz de tudo para manter a pose, inclusive articular o casamento do neto com Alice (Lavinia Vlasak), filha do maior desafeto dos Sobral, Higino Ventura (Paulo Betti).
Com Força de um Desejo, a Globo devolveu o horário das seis às novelas de época. Porém, a excelência do roteiro e da produção não se converteram em audiência --reflexo, talvez, do momento difícil que as tardes da emissora viviam, especialmente por conta dos deslizes de Malhação (1995-2020), em seu último ano na academia que deu título à produção. Em 2005, Força foi reapresentada em Vale a Pena Ver de Novo. Com o advento das redes sociais, e os consequentes cortes, a obra conquistou uma nova legião de fãs.
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