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NOVELA DO STREAMING

Catharina Caiado estreia em Dona Beja com trama marcada por opressão e desejo

REPRODUÇÃO/INSTAGRAM

Catharina Caiado no set de Dona Beja, usando roupa de época, sorridente, segurando o rosto com as duas mãos

Catharina Caiado no set de Dona Beja; atriz estreia em novela da HBO Max com personagem forte

Atriz estreante em novelas, Catharina Caiado chega a Dona Beja como intérprete de Carminha, uma jovem de origem nobre que vive deslocada dos padrões de comportamento e corpo impostos pelo meio em que cresce. No remake atualizado da história, ela traz uma história marcada por rejeição, desejo e busca por liberdade.

A personagem é descrita pela própria atriz como uma figura viva, alegre e espirituosa, mas profundamente atravessada por cobranças. "A Carminha é um cristalzinho. Muito viva e alegre, ela vai se apaixonar por um homem também à margem, e essa paixão muda radicalmente o caminho dela", conta Catharina em entrevista ao Notícias da TV.

Segundo ela, o texto usa a época como espelho do presente para discutir padrões femininos ainda inalcançáveis. A atriz também explica que o corpo da personagem carrega um simbolismo importante na narrativa.

"Vivemos um tempo em que o padrão segue sendo um delírio irreal e inatingível. É muito fácil você estar fora da curva. Os espelhos são projetados por um sistema que ganha com a busca incessante de pertencimento das mulheres", afirma.

A relação de Carminha com a mãe é um dos motores dramáticos da trama e se constrói a partir de uma rejeição travestida de proteção. "Minha mãe projeta em mim uma opressão que ela viveu como uma mulher com curvas. Ela me machuca na busca por me proteger. O afeto pode ser muito possessivo e violento", relata a atriz, sobre a dinâmica com a personagem de Kelzy Ecard.

Para viver o papel, Catharina passou por uma intensa preparação corporal e emocional. Ela lembra que precisou desacelerar os próprios movimentos e mergulhar no universo da personagem. "O meu maior trabalho foi me propor outro tempo. A Carminha foi se revelando com muito brilho nos momentos de cansaço em que eu soltava o controle", explica.

A temática da pressão estética exigiu estudo e escuta de outras mulheres, segundo a atriz. "Eu precisei estudar. Eu ouvi muitas mulheres. Todo corpo feminino vive algum tipo de opressão e pressão --que varia de acordo com o espaço, tempo e cultura", pondera ela, destacando que o assunto vai além de um drama individual.

Na trama, ela vive um romance com Honorato, vivido por Gabriel Godoy, um homem em situação de rua, e o namoro surge como uma ruptura com as expectativas sociais e familiares.

"A relação com o Honorato é o passaporte da Carminha para a liberdade. Muitas vezes nos tornamos livres quando falhamos em corresponder a expectativas que são dos outros sobre nós", analisa.

Catharina destaca ainda a importância de Dona Beja dialogar com o presente, mesmo sendo uma novela de época. "A dramaturgia implicada com seu tempo pode ser uma revolução. Eu desejo que a Carminha possa libertar mulheres que não se sentem no direito de se sentirem gostosas, desejantes e desejadas", sentencia.

Para a atriz, a estreia em novelas já veio com uma personagem de grande densidade emocional. "Gosto de personagens cheias de desejo e ambivalência. A Carminha foi um potinho de ouro. Não achei que pudesse sonhar tão grande no início da minha trajetória", crava.


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