A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
ESPECIALISTA EXPLICA
DIVULGAÇÃO/GLOBOPLAY

Gustavo Mioto e Maya Aniceto em novela vertical do Globoplay; formato explodiu em 2025
As novelas verticais deixaram oficialmente de ser uma mera curiosidade de rede social para se tornarem um dos eixos centrais do entretenimento em 2025. O formato, que nasceu como experimento entre criadores de conteúdo, hoje movimenta plataformas, marcas e grandes grupos de mídia. A explosão do consumo por celular e a consolidação do vídeo curto transformaram o modelo em uma nova frente da dramaturgia, moldada pela mesma lógica das redes sociais, das comunidades e da interatividade.
Segundo o especialista em creator economy Caio Dominguez, CEO da LOI, mais de 70% de todo o conteúdo consumido no Brasil já é vertical --um ambiente que abriu espaço para microdramas de um a cinco minutos, distribuídos em TikTok, Reels, Kwai e aplicativos próprios.
Para ele, o casamento entre consumo acelerado e dramaturgia compacta explica a virada de chave neste ano. "Mais do que uma fusão com os formatos tradicionais, o que está acontecendo é a criação de novas formas de você se comunicar com a comunidade, de você interagir com o público final, que é o que realmente interessa", destaca em entrevista ao Notícias da TV.
Dominguez afirma que o público brasileiro estava pronto para esse movimento. O país combina duas forças decisivas: dependência das redes sociais e tradição de décadas acompanhando novelas na TV aberta.
"O brasileiro está entre os povos que mais consomem mídias sociais no mundo. Além disso, as novelas tradicionais estão no sangue e no DNA do nosso povo. Quando você integra um formato tradicional de conteúdo com a nova realidade das verticais, é a combinação perfeita", avalia ele.
A presença das plataformas também redesenhou a forma de contar histórias. Algoritmos que entregam conteúdos por interesse criaram novos públicos para heróis, vilões e tramas condensadas. "O grande acerto dessas plataformas é o fato de o público falar com comunidades. Você tem um desperdício de audiência muito menor, porque você está falando com o público correto", explica o CEO.
A chegada de grandes players, como o investimento gigante que a própria Globo fez para entrar de vez na concorrência pelo formato, acelerou ainda mais o processo.
Caio Dominguez acredita que, longe de sufocar os criadores de conteúdo independentes, a disputa melhora o nível das produções. "A entrada dos grandes players só traz benefícios. Ela sobe a régua para padrão de qualidade, para textos criativos, para imagens bem produzidas. O que diferencia o trabalho dos creators é a autenticidade", ressalta.
Para o especialista, o formato já é uma realidade consolidada, mas ainda está distante do seu auge. A fase atual é de experimentação e de busca por novas maneiras de engajamento.
"As novelas verticais já são um grande sucesso, mas a gente ainda está descobrindo os melhores formatos e inventando as melhores formas de se relacionar com o público final", declara.
A verticalização também acompanha uma mudança estrutural da dramaturgia brasileira. Reedições mais curtas, capítulos dinâmicos e narrativas rápidas são reflexos diretos da geração que consome tudo pelo celular.
"A dramaturgia passa por um processo de reformulação. A expectativa é que a gente tenha cada vez mais profissionalismo e trabalhos de grande qualidade dentro da dramaturgia vertical", projeta ele.
Para que o formato se consolide como indústria, o diferencial será o mesmo que move qualquer produto de entretenimento: conteúdo sólido.
Em 2025, as novelas verticais já saíram do nicho --agora disputam, de igual para igual, a atenção do público brasileiro. "O que vai diferenciar o que é bom do que é hype e do que fica para sempre é o conteúdo, a autenticidade e a qualidade da criação", conclui Dominguez.
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