EDIÇÃO ESPECIAL

Baixa audiência de Além do Tempo cria impasse na escolha da próxima reprise

Reprodução/TV Globo

Mulher branca, com cabelos compridos e claros e expressão séria.

Alinne Moraes em Além do Tempo; desempenho da novela deve influenciar escolhas da Globo

DUH SECCO, colunista

duh@noticiasdatv.com

Publicado em 15/7/2026 - 14h00

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A reprise de Além do Tempo (2015) na faixa Edição Especial tem registrado índices de audiência muito abaixo das expectativas. Até o momento, a novela de Elizabeth Jhin acumula 10,3 pontos de média parcial --aquém das antecessoras, embora suficiente para manter a liderança com folga.

A trama tem inúmeras qualidades e foi pedida pelo público por muito tempo. O desempenho pode estar relacionado a um desgaste dos folhetins de época. Antes do drama espírita, o telespectador acompanhou Terra Nostra (1999), de Benedito Ruy Barbosa (1931-2026), também ambientada no século 19.

Outro ponto é a aposta, até então, em títulos já reapresentados pela Globo. Alguns, mais de uma vez, como O Cravo e a Rosa (2000), Chocolate com Pimenta (2003) e Mulheres de Areia (1993). A audiência do horário parece afeita àquilo que já conhece bem --Além do Tempo só foi resgatada no Globoplay Novelas, canal pago de alcance bem inferior ao da TV aberta.

Tais questões certamente serão consideradas na escolha da substituta. Além do Tempo foi um teste nos dois sentidos: o da manutenção das tramas de época e o da aposta em uma novela nunca reprisada. Como o resultado, até o momento, está abaixo das antecessoras, é provável que a emissora privilegie, na sequência, folhetins contemporâneos ou já revistos em outras ocasiões.

Antes da opção por Além do Tempo, a emissora considerou Força de um Desejo (1999), outra narrativa desenvolvida no século 19, e Orgulho e Paixão (2018), cuja ação transcorre no início do século 20 --esta última nunca reprisada. Ambas, a princípio, devem permanecer na gaveta.

É bem verdade que as opções para o horário são limitadas. Nos últimos anos, a Globo mergulhou no acervo e reapresentou obras que fizeram história, tanto na faixa Edição Especial quanto no Vale a Pena Ver de Novo. Restaram poucos títulos de peso.

Entre as produções da década de 1990, estão Barriga de Aluguel (1990), Felicidade (1991) e Pedra Sobre Pedra (1992). Já dos anos 2000, Coração de Estudante (2002) e Caras e Bocas (2009) aparecem como alternativas.

Considerando produções contemporâneas nunca resgatadas, a aposta fica por conta de Bom Sucesso (2019). A trama escrita por Rosane Svartman e estrelada por Antonio Fagundes e Grazi Massafera chegou a ser cogitada para as tardes da Globo tempos atrás.

Além do Tempo ainda tem um longo caminho pela frente e potencial para ganhar audiência. Se a Globo atribuir o desempenho à saturação das novelas de época e à pouca exposição anterior, a Edição Especial poderá seguir pelo caminho apontado pela coluna. É esperar para ver.


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