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COLUNA DUH SECCO
Estevam Avellar/TV Globo

Débora Falabella e Adriana Esteves em Avenida Brasil; novela ganhará continuação em 2027
A grande aposta da dramaturgia da Globo para 2027 é Avenida Brasil 2. A continuação da novela de João Emanuel Carneiro substituirá Quem Ama Cuida, de Walcyr Carrasco e Claudia Souto, a partir de janeiro. Será um desafio e tanto para o autor, para os atores envolvidos --como Adriana Esteves, intérprete de Carminha-- e para a emissora. Afinal, a "primeira temporada" de Avenida Brasil (2012) é um reflexo de seu tempo. E a Globo daquela época não existe mais.
Basta acompanhar a reprise da trama em Vale a Pena Ver de Novo. Verônica (Debora Bloch) exagera no classicismo ao se referir ao genro Jorginho (Cauã Reymond) e à família dele. Suellen (Isis Valverde) usa a sensualidade para conseguir o que quer com os homens do Divino enquanto é desqualificada pelas mulheres do bairro. Max (Marcello Novaes) trata o pai, Nilo (José de Abreu), com violência. Carminha não poupa a filha Ágata (Karol Lannes) de seus comentários depreciativos.
Conflitos como estes perderam espaço nas novelas da Globo. A emissora avançou na discussão de pautas importantes, como o machismo. Porém, retrocedeu em outros tantos assuntos, influenciada por pesquisas que mostram o Brasil cada vez mais polarizado --com um polo excessivamente conservador e retrógrado. Personagens ambíguos sumiram. Os vilões adotaram termos "politicamente corretos". A família passou a ser tratada como uma instituição quase sagrada.
O resultado é a dramaturgia "em cima do muro". A Globo evita pisar fundo em qualquer debate que possa causar ruído, independentemente do lado. O remake de Vale Tudo (2025) talvez seja a grande referência deste momento. As discussões éticas e políticas deram espaço ao melodrama. Odete Roitman (Debora Bloch) trocou frases lancinantes por comentários amenos.
O primeiro desafio de Avenida Brasil 2 é driblar o receio da Globo diante das celeumas que uma boa novela costuma provocar. A emissora não pode ter medo de tocar nas muitas feridas ainda expostas na sociedade. Caso contrário, a continuação corre o risco de ficar deslocada da realidade --justamente o que transformou a obra original, há 14 anos, em um fenômeno de audiência, repercussão e crítica.
Marco da programação da TV Cultura, o Bem Brasil volta ao vídeo neste domingo (7), às 12h. O apresentador Wandi Doratiotto, que conduziu fases anteriores da atração, dividirá o comando com a jornalista Roberta Martinelli. Carlinhos Brown é o músico convidado do primeiro programa. O Bem Brasil é transmitido ao vivo, direto do Sesc Itaquera, em São Paulo.
Filipe Bragança é tão bom ator que até as atitudes pouco coerentes de João Raul acabam aceitáveis. Sorte de Coração Acelerado ter um protagonista tão talentoso e competente. Aliás, o elenco no geral tem salvado a novela das sete em muitos momentos.
A Casa do Patrão segue no ar, mas... Parece que ninguém sabe. A impressão é de que o reality, primeira empreitada de Boninho na Record, não mobiliza mais ninguém. A audiência é ínfima, e a repercussão nas redes sociais inexiste.
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