A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
RAYSSA BRATILLIERI
REPRODUÇÃO/TV GLOBO
Em A Nobreza do Amor, Rayssa Bratillieri dá rosto a um recorte cultural raramente explorado na teledramaturgia: a influência da imigração árabe no Nordeste brasileiro. Na trama assinada por Duca Rachid, Elisio Lopes Jr e Júlio Fischer, a personagem Salma vive na fictícia Barro Preto, no Rio Grande do Norte, onde precisa equilibrar as rígidas tradições de sua família libanesa com o silêncio de um amor não correspondido.
Segundo a atriz, a construção de Salma passa por uma camada de generosidade extrema, que também se tornará seu maior obstáculo. "Ela é uma menina muito boa, até demais, muito generosa, muito altruísta, uma menina de muita fé e muito discreta também. De alguma forma essa discrição faz com que ela esconda esse amor de infância pelo Tonho, que é o personagem que o Ronald Sotto interpreta", revelou a atriz, em entrevista ao Notícias da TV no evento de lançamento de A Nobreza do Amor.
Para Rayssa, a trama resgata a herança da colônia árabe no Nordeste, um detalhe histórico que ela celebra pela oportunidade de explorar novas facetas na televisão. A artista explicou que a origem familiar de sua personagem ditará o ritmo de seus conflitos mais íntimos.
"Ela também é descendente de libaneses, os pais são libaneses. Apesar de ela ter nascido nessa cidade fictícia no Rio Grande do Norte, os pais querem que ela se case com alguém que eles acreditam ser o melhor para ela, que é um libanês, um moço libanês da colônia. Então, a gente tem alguns retratos da própria história do Brasil, mas como é uma história fictícia que está sendo escrita, nós temos a liberdade criativa de ter um tom e um olhar diferentes, não só realmente retratando historicamente aquele momento", analisou.
Para a artista, o grande diferencial de Barro Preto reside na atmosfera peculiar que envolve cada habitante. Ela destacou que o trabalho de caracterização e roteiro permite uma entrega mais leve e divertida no set dos Estúdios Globo.
"Isso é muito interessante, porque a gente consegue dar uma brincada assim, sabe? Está sendo muito divertido, porque o elenco é maravilhoso. Barro Preto em si, que é essa cidade fictícia, tem uma estranheza, tem uma esquisitice em cada personagem. Todos são muito bem desenhados, e estou encontrando a minha Salma nesse bolo, nesse lugar", contou Rayssa.
A reviravolta na vida de Salma acontecerá quando o destino colocar a realeza em seu caminho, provocando um choque cultural dentro da própria cidade: a chegada de Alika (Duda Santos), princesa de Batanga, e de sua mãe, a rainha Niara (Erika Januza).
"E aí para [disputar] esse grande amor, que é o sonho da vida dela, que é o Tonho, chega essa menina que ela não sabe que é uma princesa, essa menina que vem de um reino fictício que sofreu um golpe. Mas a Salma percebe que essa menina e a mãe têm uma elegância, têm um jeito diferente de se portar, diferente de como aquelas pessoas daquela cidade existem. E a Salma gosta disso, sabe?", adianto.
"É muito interessante porque, mesmo que o amor romântico atrapalhe essa relação das duas, a amizade de alguma forma é um elo que as conecta. E é bonito a gente descobrir outros tipos de amor, não só o romântico. Eu acho que isso diz muito sobre a personagem", refletiu a atriz.
Rayssa não esconde o entusiasmo por integrar uma produção que considera um marco estético e narrativo na sua carreira. O desejo de trabalhar com a equipe técnica, especialmente sob a batuta de Gustavo Fernandez, foi o que a motivou a aceitar o desafio antes mesmo de conhecer os detalhes do papel.
"Eu realmente nunca participei de um projeto tão necessário, tão especial, tão elegante esteticamente na minha vida. E, independentemente do personagem que fosse fazer, eu queria estar nesse projeto. Porque, primeiro, é uma equipe que sempre quis trabalhar na Globo, eu perguntava para todo mundo: 'Quem é o melhor diretor hoje?', e todo mundo falava do Gustavo Fernandez", elogiou.
"E é um roteiro da Duca, do Elisio e do Júlio. É um roteiro muito bom. Tudo muito redondo, com arcos dramáticos muito interessantes, e eu só queria participar, independentemente [de como fosse]", confessou.
A empolgação de Rayssa Bratillieri com A Nobreza do Amor está também na potência da representatividade que a trama carrega ao colocar um reino africano no centro do folhetim das seis. Para ela, estar no elenco é uma forma de crescimento profissional e pessoal.
"Aí, tenho a oportunidade de fazer uma personagem que tem um arco muito legal, que vai se desenvolver ao longo da trama, e eu acho que o público vai se identificar pela pluralidade, pela diversidade, pelo humor, pelo romance... São tantas camadas tão interessantes e tão profundas", avaliou.
"Mas, verdadeiramente, só de estar fazendo parte de um projeto tão representativo --e não é só sobre a minha personagem, mas sobre a importância de contar de um reino africano por essa perspectiva--, só de estar aqui desde a preparação, eu já estava assim: 'Muito obrigada Deus, muito obrigada por estar fazendo parte disso, estou muito feliz'", finalizou.
Leia também -> Resumo dos próximos capítulos de A Nobreza do Amor.
A Nobreza do Amor tem como protagonistas a princesa africana Alika, interpretada por Duda Santos, e o trabalhador brasileiro Tonho, vivido por Ronald Sotto. A trama conta com a direção artística de Gustavo Fernandez
e é ambientada na década de 1920.
A história se desenvolve em dois universos fictícios: o reino de Batanga, na costa ocidental da África, e a cidade de Barro Preto, localizada no Rio Grande do Norte, no Brasil.
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