A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
BRUNA SPÍNOLA
DIVULGAÇÃO/HBO MAX

Bruna Spínola em cena de Dona Beja como Eulália: personagem volta no último bloco de capítulos
O amor entre duas mulheres que se conheceram num convento em Dona Beja tem final feliz. "Eu acho importante elas ficarem juntas, porque isso manda um recado. Um recado de liberdade, de que esse sentimento não precisa ser punido, escondido nem tratado como erro. Fica a sensação muito clara de que, apesar de tudo, o sentimento venceu", diz Bruna Spínola, que interpreta Eulália.
A novela da HBO Max lançou seu último bloco de capítulos nesta segunda (23), e a volta da personagem de Bruna encerra a complicada história de Maria (Indira Nascimento). Ela foi da vilania à loucura ao longo da trama e sempre condenou sua paixão por outra mulher, Beja (Grazi Massafera).
No caso de Eulália e Maria, há a vitória de um sentimento que resistiu ao peso de um mundo inteiro contra ele. Para Bruna, a trajetória de sua personagem reflete a de Maria, marcada por um embate direto entre desejo e repressão.
Desde o início, ela surge como uma figura que desperta em Maria um sentimento intenso, imediatamente interpretado como algo proibido dentro do ambiente religioso.
"Eu construí a Eulália entendendo que ela vive num lugar em que o desejo vira culpa muito rapidamente. Existe um cuidado, uma prudência, uma leitura constante do risco. Mas, ao mesmo tempo, ela tem uma clareza afetiva muito forte. Ela sustenta o que sente", comenta a atriz.
Essa clareza se traduz em um dos momentos-chave da relação, quando Maria define o envolvimento como algo demoníaco, e Eulália não aceita isso.
Quando a Maria interpreta esse amor como 'coisa do diabo', a Eulália devolve com uma frase que, para mim, define muito a personagem. Ela diz que o diabo desconhece o amor. Isso coloca a relação num outro lugar. Não é tentação; é sentimento, é humanidade.
Ao longo da novela, o romance entre as duas é atravessado por avanços e recuos, reflexo do peso moral e social imposto às personagens. Bruna afirma que esse movimento não enfraquece o vínculo. "Ela ama, acredita na pureza do que sente, mas precisa lidar com o peso do mundo em volta. Os avanços e recuos não negam o sentimento. Eles revelam o tamanho do conflito."
arquivo pessoal

Bruna com Indira Nascimento nos bastidores
A atriz destaca também que a história de Eulália e Maria, apesar de ambientada no passado, dialoga diretamente com questões atuais.
Ela fala de estruturas que tentam controlar o corpo e o desejo feminino. Hoje, existe mais espaço para nomear e debater, mas ainda há culpa, julgamento e tentativas de enquadramento. Quando a Eulália diz que aquilo é um sentimento puro, ela está dizendo também que o amor não deveria ser tratado como crime ou doença.
Um dos momentos mais duros da trama acontece quando Maria, incapaz de lidar com o que sente, tenta tirar a própria vida. Bruna explica que a cena não nasce do amor em si, mas da opressão. "O que me mobilizou foi pensar que aquilo vem da falta de saída, do terror moral. Com a Indira, a gente trabalhou com muita parceria e escuta. São cenas que exigem verdade e sobriedade."
Agora no final, a volta de Eulália funciona como um posicionamento claro da história, segundo Bruna. "O retorno dela vem como uma afirmação do que a novela sempre defendeu: que o que elas sentem é amor, e que esse amor merece existir."
Além da carga emocional, a construção de Eulália exigiu também uma preparação física. A atriz revela que trabalhou intensamente a linguagem corporal da personagem, moldada pelo ambiente do convento. O desafio foi maior porque Bruna gravou boa parte das cenas grávida de cinco meses.
"Isso me colocou num estado de sensibilidade muito particular. Eu estava mais atenta aos silêncios, às emoções contidas. Usei isso como uma camada íntima da personagem", conta.
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