A gente manda.
Você recebe.
Depois manda a real pra todo mundo.
LESLIANA PEREIRA
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Lesliana Pereira e Lázaro Ramos em A Nobreza do Amor; atriz já foi Miss e é noveleira
A adaptação a um novo trabalho costuma exigir esforço, mas, no caso de Lesliana Pereira, a preparação para a novela A Nobreza do Amor começou muito antes de o convite oficial chegar: basicamente, uma vida inteira. A atriz e jornalista angolana, que interpreta Binta no folhetim, recorreu às memórias de infância e ao hábito de assistir às produções brasileiras para construir o tom de sua personagem e dominar o "sotaque carioca" na televisão.
Em conversa com o Notícias da TV nos Estúdios Globo, a artista revelou que a relação com o audiovisual brasileiro vem de longa data. Lesliana contou que o consumo de novelas fez parte de sua formação desde muito jovem, servindo de primeiro passo para a ambientação ao "jeitinho brasileiro".
"Amor, eu vejo novela desde Roque Santeiro (1985). Isso é engraçado, porque desde pequena eu via as novelas e eu já fazia um 'cara, é isso aí!'", exemplificou, ressaltando todo o seu "carioquês".
"Sabe aquela coisa de ficar no espelho e fingir que está discutindo com um namorado que nem existe? Eu fazia: 'Você não é assim, cara, não pode ser!' (risos). E foi meu laboratório, quase que a vida toda, para poder chegar aqui e estar um pouco mais à vontade no sotaque carioca, que é o sotaque que eu encontrei, junto com a nossa preparadora, que me ajudou muito a encontrar o tom da Binta. E eu fico feliz quando alguém pergunta: 'Mas tu és brasileira?'. Tá bem feitinho, né? eu acho", valorizou a artista.
A construção da personagem, no entanto, não parou nos exercícios diante do espelho ou no trabalho de preparação nos bastidores dos Estúdios Globo. Segundo ela, o suporte cotidiano no set de gravação foi decisivo para o alinhamento com a trama.
"E eu tenho os colegas também, que às vezes vão dando um toque, numa palavra ou outra mais difícil. Mas eu tô muito feliz com esse tom. E acho que é o mais próximo de toda a narrativa. Porque também tem isso: ela tem um pai, uma mãe, um avô, todos eles nesse tom. Então eu encontrei esse lugar e a gente tem seguido", pontuou.
Em A Nobreza do Amor, Binta (Lesliana Pereira) foi escolhida por Jendal (Lázaro Ramos) para se tornar a nova rainha de Batanga. A escalação para a novela aconteceu já com a trama em andamento, exigindo uma mudança rápida na rotina da artista.
"A chegada [na novela] foi assim, uma coisa que surgiu muito do nada. Eu tô maravilhada com a personagem, tô maravilhada com toda a equipe. É um presente realmente ter tido esta oportunidade. Quando recebi o convite, eu estava na Nigéria, a caminho de Luanda. E organizei minha vida, disse: 'eu vou para o Rio de Janeiro', e tô muito feliz de estar aqui", celebrou.
"Encontrar um comboio meio que em andamento é sempre um pouco difícil. Mas eu fui muito bem recebida. Desde a primeira pessoa que encontrou comigo na portaria, eu lembro que foi o Ronald [Sotto], eu fui cumprimentá-lo, e ele: 'Ai, tu vieste pra novela? És a nossa rainha, bem-vinda'. E todo mundo foi muito assim", contou.
Em A Nobreza do Amor, Binta surge como uma figura de estética elegante, trazendo para a tela a representação da realeza africana. A atriz destacou a importância de abordar posições de prestígio e autoridade na teledramaturgia, enquanto uma mulher negra.
"Ela é uma senegalesa, da realeza, que vem com esse poder da feminilidade, da beleza negra, da representatividade, uma coisa bonita de se ver na televisão, porque não é só o Brasil que vive isso. Nós na Angola, e não só Angola, Portugal, também temos essa questão de termos pouca representatividade nesse lugar de nobreza, de classe, elegância", analisou.
Para Lesliana, que também tem cidadania portuguesa, a composição da personagem vai além do entretenimento, atuando como um referencial positivo para o público de diferentes países que também falam a nossa língua.
"Acho que ela traz isso: esse frescor da elegância, da mulher forte, bonita, negra, de bem consigo mesma e que pertence a esse lugar de realeza. Acho que ela é uma referência muito boa pra todos nós", destacou.
A trajetória de Lesliana no meio artístico e na comunicação teve início quase por acaso, quando ela ainda planejava focar exclusivamente na formação acadêmica. Natural de Soyo, no Zaire, a atriz foi Miss Angola 2008 e representou o seu país no concurso Miss Universo, no mesmo ano.
"Isso eu digo sempre que foi em outra vida. 18 anos se passaram de lá para cá. Eu era uma menina, estudante, que queria na verdade representar meu país. Esse foi o meu propósito maior quando participei. Eu na altura vivia e estudava fora de Angola. Estudava em Portugal e eu queria muito voltar para a Angola. E é óbvio, o objetivo para a minha família era estudar e só depois de estudar voltar para a Angola", explicou.
"E aí eu vou de férias pra Angola e está acontecendo o concurso de Miss. Eu disse: 'Ah, tô de férias, vou só participar ali do concurso, com outras meninas, me divertir. E quando acabar eu volto para os estudos, volto para a rotina'. E não aconteceu. Eu venci o concurso da cidade e aí tive que representar a cidade no concurso nacional, ganhei o concurso nacional e tive que voltar a viver em Angola... que era minha pretensão, era o objetivo maior, e assim foi", completou.
"Surgiram daí outras oportunidades, entre elas a primeira oportunidade de trabalho com a Globo Internacional. Comecei a apresentar um programa na TV Globo Internacional em Angola, a viajar pelos países africanos, a contar histórias, mostrar a lugares, a vir ao Rio de Janeiro e São Paulo... e a vida seguiu", relembrou a atriz.
A atuação em A Nobreza do Amor marca também a consolidação da parceria com o intérprete do temido vilão Jendal, Lázaro Ramos. Um profissional que Lesliana se considera fã, e peça fundamental para a sua integração no fluxo intenso de gravações.
"Algumas pessoas eu já conhecia. Já tinha conhecido o Lázaro, porque eu o entrevistei num programa da Globo Internacional. Então muitas vezes eu vinha fazer esse tipo de trabalhos aqui no Projac, ou mesmo em Luanda, quando ele visitou Angola. Alguns colegas da parte de caracterização também já trabalharam comigo em outros projetos. Então está sendo um reencontro com algumas pessoas e um momento de muita alegria, porque fui muito bem recebida", detalhou.
"O Lázaro é muito generoso nesse sentido, é um ator que eu admirava. É uma referência para os atores e para quem gosta de ver audiovisual em Angola e Moçambique, enfim, nos países de língua portuguesa como um todo. Pra mim tem sido uma honra, um privilégio gigante dividir a cena com ele", disse ela.
"E ele é realmente uma pessoa super generosa, entendeu o lugar de uma pessoa que está chegando num processo de encontrar várias pessoas e entrar numa máquina já em andamento, e foi muito acolhedor nesse sentido. E tem sido assim, temos nos divertido muito em cena", concluiu.
Leia também -> Resumo dos próximos capítulos de A Nobreza do Amor.
A Nobreza do Amor tem como protagonistas a princesa africana Alika, interpretada por Duda Santos, e o trabalhador brasileiro Tonho, vivido por Ronald Sotto. A trama conta com a direção artística de Gustavo Fernandez
e é ambientada na década de 1920.
A história escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr se desenvolve em dois universos fictícios: o reino de Batanga, na costa ocidental da África, e a cidade de Barro Preto, localizada no Rio Grande do Norte.
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