ROMEU BENEDICTO
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O ator Romeu Benedicto interpreta Tonhão na novela Guerreiros do Sol, do Globoplay
Na pele do militar aposentado Tonhão, personagem que entrou em Guerreiros do Sol após a morte brutal do filho, Romeu Benedicto vai do luto à matança. O ator revela como acessou dores profundas e primordiais para compor um homem tomado pela sede de vingança. "Ele teve a alma dilacerada, não havendo outro jeito de ajeitar as coisas com a própria consciência, a não ser a morte daqueles que a causaram. O coração vira pedra", diz.
Para estabelecer uma conexão real com o personagem, o intérprete usa como base aquilo que o motiva: a obsessão pela justiça como meio de se vingar a todo custo. "É se conectar ao que tem de mais primitivo dentro de si, coisa que todos nós temos", fala o ator.
Nos capítulos mais recentes da trama original do Globoplay, Tonhão se aliou à tropa de Arduíno (Irandhir Santos), matando parte dos cangaceiros liderados por Josué (Thomás Aquino). Ele também tem feito atrocidades no centro de flagelados da seca.
O ator explica que o personagem representa um drama coletivo vivido no Brasil dos anos 1930, quando pais recebiam cotidianamente a notícia da morte dos filhos, fosse no cangaço ou entre os policiais. "Era um conjunto de sentimento coletivo", comenta Benedicto.
Na história, o personagem viu seu universo desmoronar justamente quando o filho policial foi assassinado pelos cangaceiros e sua mulher foi marcada no rosto com ferro quente pelo bando de Josué. O pior é que ele a culpa por tudo, por acreditar que uma fofoca dela motivou a tragédia familiar.
Eu me ver na condição daquele homem, e pensar na possibilidade de perder tudo que amo e tenho de mais precioso na vida, fez com que eu me conectasse profundamente com ele. É como pular num abismo, mesmo sem saber o que tem lá embaixo. É um trabalho interno e solitário, e só conseguimos isso estando inteiros no processo.
Segundo o artista, para abordar a morte, é necessário encarar os demônios sem medo. "Pensei muito nos meus filhos. E essa possibilidade é real pra todos nós."
Apesar da dureza do tema, Romeu Benedicto acredita que o contato com o luto pode aproximar as pessoas daquilo que realmente importa. "Olhar pra morte não deve nos amedrontar, mas nos impulsionar a viver intensamente e valorizar quem realmente é importante para nós."
A aparência sofrida de Tonhão deixa o personagem bem distante do ator. Ele conta que poucos o reconhecem fora da novela. "A caracterização feita pela Valéria Toth e o figurino do Antônio Medeiros e Cao Albuquerque foram fundamentais para compor o peso da dor do personagem", elogia.
Benedicto também destaca a direção de Thomaz Cividanes e sua parceria com o ator Irandhir Santos. "Nessa onda de maldade, vingança, amor e ódio, Tonhão ainda terá bons momentos que valem a pena ver", adianta o intérprete.
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