MARCELO ALVIM

Ator não espera por 'projeto perfeito' e vai do musical às novelas bíblicas

NATAN QUINHÕES/DIVULGAÇÀO

Homem de barba e cabelos cacheados posa sério em retrato de estúdio, com fundo cinza.

O ator Marcelo Alvim: ele também atua em projeto social para ajudar a formar jovens artistas

DANIEL FARAD

vilela@noticiasdatv.com

Publicado em 4/6/2026 - 14h00

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O ator Marcelo Alvim chega aos 15 anos de carreira com dois musicais nos palcos cariocas e a primeira experiência na TV, mas sem comprar a imagem glamourosa da profissão. Ele brinca que o artista também precisa encarar o corre do dia a dia e nem sempre pode esperar apenas pelo projeto dos sonhos. "Acho que artista brasileiro também não pode fingir que escolhe só o projeto perfeito, né? A gente quer trabalhar!", diz o intérprete ao Notícias da TV.

Renomado no teatro musical, Alvim esteve em cartaz no Rio com Chatô e os Diários Associados: 100 Anos de uma Paixão, sobre a trajetória de Assis Chateaubriand (1892-1958) e o impacto dos Diários Associados na comunicação brasileira. Em maio, também retomou Cartas para Gonzaguinha, que roda o país desde 2019 e já foi visto por mais de 18 mil pessoas.

Para o ator, a longevidade da montagem está diretamente ligada à identificação do público com a obra do compositor:

Cartas para Gonzaguinha fala de humanidade, de afeto, de desigualdade, de esperança, de coragem. As pessoas se reconhecem nas músicas e nas histórias. É um espetáculo feito com muito amor, e acho que isso atravessa a plateia.

A aproximação com Gonzaguinha (1945-1991) também reforçou a visão de Alvim sobre o papel político da arte. Ele afirma que o cantor não separava criação artística e posicionamento, mesmo em um Brasil atravessado pela ditadura e pela censura. "Ao me aproximar da obra dele, aprendi que a arte pode emocionar e, ao mesmo tempo, provocar reflexão, questionar estruturas e falar sobre humanidade", afirma.

O ator também prepara sua estreia na TV em Ben-Hur, nova produção bíblica da Record, ainda sem data de exibição. Alvim admite que começar em um projeto desse porte dá frio na barriga, mas vê a sensação como parte do processo. "Significa que aquilo importa pra você. A TV tem uma dimensão muito diferente, outro alcance, outra dinâmica. Estou vivendo tudo com muita vontade de aprender", conta.

A mudança de linguagem também tem exigido adaptação. Segundo o ator, a essência da atuação continua a mesma, mas o trabalho diante das câmeras pede outro tipo de atenção. "Diante das câmeras, tenho aprendido muito sobre precisão, economia e verdade no detalhe", diz.

Ele também reconhece que a TV impõe um retorno diferente do teatro, onde a reação do público aparece na hora. "É bonito pensar que o trabalho vai chegar em lugares e públicos que talvez eu nunca alcançasse no palco", pondera.

Além dos musicais e da estreia na televisão, Alvim atua como professor de teatro e diretor cênico do Aprendiz Musical, programa presente em todas as escolas municipais de Niterói, no Rio. Para ele, o contato com crianças e jovens reforça a importância da arte na formação social. "Arte não pode ser privilégio. Quando o poder público oferece acesso ao teatro, à música e à cultura, horizontes são ampliados e possibilidades reais de futuro são criadas para muitos jovens", defende.

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