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LÁ E CÁ
REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Alika/Lúcia (Duda Santos) em A Nobreza do Amor; ela foge de conflitos comuns a mocinhas
Com uma personalidade que se divide entre a mocinha romântica e a princesa guerreira, Alika/Lúcia (Duda Santos) vive uma situação curiosa em A Nobreza do Amor. Ao mesmo tempo em que os autores da novela erraram feio no desenvolvimento do triângulo amoroso formado pela protagonista, por Tonho (Ronald Sotto) e por Omar (Rodrigo Simas), eles acertaram em cheio ao criar um obstáculo muito mais interessante para o final feliz do casal principal.
Cinco meses após a estreia da trama, nem o fã mais ardoroso da trama seria capaz de negar que Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr deram um tropeço muito grave quando mantiveram o turco vivido por Rodrigo Simas afastado da história durante tempo demais.
A viagem de Omar até o Brasil demorou tanto que, quando ele finalmente deu as caras novamente, Alika e Tonho já haviam conquistado de vez o carinho dos fãs, impossibilitando a possibilidade de um triângulo --pela segunda vez, pois Mirinho (Nicolas Prattes) também nunca teve seus sentimentos retribuídos pela verdadeira herdeira do trono de Batanga.
Até os autores parecem ter percebido seu deslize imperdoável quando fizeram o turco beijar a princesa à força, em um abuso que enterrou de vez qualquer chance que teria de virar par romântico da mocinha. Alika e Tonho são um casal inabalável, e nenhum antagonista será capaz de separá-los.
E é aí que a novela tem o seu grande trunfo: os protagonistas superam facilmente as armações de Mirinho e de Virgínia (Theresa Fonseca) porque o amor deles enfrenta um problema muito maior: suas missões na vida. Quem eles são --e não com quem estão-- são a grande barreira para o seu amor.
Alika sabe que sua passagem por Barro Preto e a identidade de Lúcia são apenas medidas temporárias enquanto se prepara para voltar a Batanga, derrotar Jendal (Lázaro Ramos) e recuperar o trono que é dela por direito. Tonho é um homem batalhador, que está construindo seu futuro na pequena cidade potiguar e nem sonha em liderar um reino africano com a amada.
Assim, A Nobreza do Amor constrói um conflito muito mais interessante. Os dois se amam, mas não podem ficar juntos: não por causa das picuinhas dos rivais que tentam separá-los, mas porque seus destinos parecem caminhar em direções diametralmente opostas.
Não é a primeira vez --e certamente não será a última-- que uma novela usa um conflito de classes para criar barreiras entre o casal principal. As novelas mexicanas estreladas por Thalia exploraram o recurso à exaustão. O folhetim das seis da Globo, no entanto, vai além de um simples "ela é rica, ele é pobre".
Para que os dois possam viver o amor por completo, um deles terá que abrir mão da sua vida. Alika já deixou claro que não desistirá de voltar para Batanga. Tonho precisará mesmo largar o engenho e a casinha que deseja construir no terreno que adquiriu? Será que o destino da princesa vale mais do que o do administrador apenas pelo fato de envolver a realeza?
É um dilema tão cheio de camadas que a futura revelação de que Tonho está ligado ao mítico rei Shaka soa como uma resposta fácil demais. Como herdeiro do fundador de Batanga, o personagem de Ronald Sotto será o único capaz de empunhar a adaga cravada no baobá milenar, e ele usará a arma justamente para derrotar Jendal.
Dessa maneira, ele também fará parte da realeza do país africano e será um nobre mais do que capaz de reinar ao lado de Alika. A resolução prevista soa como um deus ex machina, aquela solução milagrosa que surge do nada para resolver uma situação aparentemente sem saída no final da história.
Seria mais interessante que Alika fosse a responsável por derrotar Jendal --em uma novela que fala tanto de empoderamento feminino, não faz sentido que o salvador da história seja um homem-- e que Tonho aprendesse a governar Batanga porque ama a princesa, não porque tem a realeza no seu sangue. Ou, ainda mais surpreendente, que os dois entendessem que não podem ficar juntos simplesmente porque não pertencem ao mesmo mundo.
Leia também -> Resumo dos próximos capítulos de A Nobreza do Amor.
A Nobreza do Amor tem como protagonistas a princesa africana Alika, interpretada por Duda Santos, e o trabalhador brasileiro Tonho, vivido por Ronald Sotto. A trama conta com a direção artística de Gustavo Fernandez
e é ambientada na década de 1920.
A história escrita por Duca Rachid, Júlio Fischer e Elisio Lopes Jr se desenvolve em dois universos fictícios: o reino de Batanga, na costa ocidental da África, e a cidade de Barro Preto, localizada no Rio Grande do Norte.
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A Nobreza do Amor
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Resumo de A Nobreza do Amor: Capítulos da novela das seis da Globo - 16 a 24/10
Sexta, 12/10 (Capítulo 175)
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