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FOTOS: BEATRIZ DAMY/TV GLOBO

Zé Dassilva divide a autoria da novela Três Graças com Aguinaldo Silva e Virgílio Silva
Zé Dassilva afirma que Três Graças é, sobretudo, uma novela que confirmou que o gênero continua forte e vivo. O autor, que divide a criação da trama com Aguinaldo Silva e Virgílio Silva, faz um balanço exclusivo do trabalho que termina nesta sexta (15). Ele fala sobre a sintonia nos bastidores, o desafio de escrever mais de 6.500 páginas, a repercussão dos vilões amados pelo público e o fenômeno de Loquinha, casal formado por Lorena (Alanis Guillen) e Juquinha (Gabriela Medvedovsky).
Para o novelista, o sucesso da história de Gerluce (Sophie Charlotte) não nasceu por acaso. Ele atribui a resposta da audiência à combinação entre uma história de apelo popular, personagens reconhecíveis e a simbiose entre texto, direção e elenco.
O autor destaca que a protagonista Gerluce (Sophie Charlotte) foi concebida como uma mulher do povo, daquelas que todo mundo conhece. Em entrevista exclusiva ao Notícias da TV, ele também revela que o clima entre os criadores foi de leveza, mesmo diante do volume pesado de trabalho.
Segundo o roteirista, não houve discordâncias criativas importantes, mas afinidade sobre a história, o tom e os caminhos da novela. Confira:
NOTÍCIAS DA TV - Como foi estrear no horário nobre já com a responsabilidade de assinar uma novela como Três Graças, que virou um fenômeno de crítica, repercussão e identificação popular? Em algum momento vocês tiveram dimensão do tamanho que a novela alcançaria?
ZÉ DASSILVA - Mais do que estrear no horário nobre, tivemos também a alegria de dividir a autoria com Aguinaldo Silva. Eu já havia sido roteirista em dez novelas antes dessa, sendo três das 21h, e uma das coisas que aprendi nessa trajetória é que a gente logo percebe se o trabalho tende a ter bom resultado ou não, se vai ser sucesso ou não, quando há sintonia entre quem escreve e quem dirige, artisticamente falando.
Se o autor está pensando uma coisa e o diretor outra, vai ser muito difícil dar certo. E desde o começo deste trabalho a direção do Luiz Henrique Rios esteve em perfeita simbiose quanto ao que queríamos passar de emoção para cada personagem, em cada cena, em cada história.
Isso, aliado ao excepcional elenco, fez com que os personagens ganhassem vida de uma forma que potencializou ainda mais nossa história, cativando o público. A trama foi concebida para ter apelo popular: Gerluce é mulher do povo, eu sempre falo que todo mundo conhece uma Gerluce.
Mas acho que nem eu nem ninguém tinha dimensão do tamanho que essa novela alcançaria. Isso foi lindo de se ver também por comprovar que o gênero continua forte e vivo. A novela segue sendo uma marca do brasileiro, inclusive entre os jovens que não só assistem, como reverberam nas redes sociais.
Dentro de uma trama tão grande e cheia de personagens fortes, quais núcleos, conflitos ou personagens carregam sua assinatura pessoal?
Tudo que a gente lê, vê e vive corre o risco de virar inspiração para novela. Eu sempre curto colocar alguma referência à minha cidade natal, Criciúma [SC], nas novelas que escrevo. Nessa, citei até meu bisavô, o imigrante italiano Luigi Girardi, como se ele tivesse sido um dos antigos donos da escultura das Três Graças.
Algumas pessoas com quem a gente se envolve ou se envolveu em nossas vidas pessoais poderiam até achar que há indiretas nas falas dos personagens, mas isso eu jamais assumiria! (risos).

Casal Loquinha com Lucélia (Daphne Bozaski)
Como funcionava a dinâmica criativa com Aguinaldo Silva? Houve momentos de discordância, debates mais intensos ou situações em que você defendeu caminhos importantes para a novela?
A sinopse que criamos é a referência, o plano de voo, mas não nos prendemos totalmente. Até porque, ao assistir, outras ideias surgem, inevitavelmente, pois o desempenho do elenco nos inspira de volta e a própria história também vai tomando outros rumos, novela é uma narrativa viva.
Não tivemos discordâncias criativas, pois estávamos bem afinados quanto à história que queríamos contar, o tom dela e tudo o mais. Pelo contrário, a gente se divertiu muito fazendo!
Eu lembro que, aos 18 anos, eu havia lido uma entrevista do Aguinaldo em que ele falava que escrever novela tinha que ser divertido, para compensar o fato do volume de trabalho ser tão grande. E foi bem assim que agimos.
Ao longo das mais de 6.500 páginas de texto que tivemos que escrever, houve percalços, sim, mas encaramos todos com garra, alto-astral e otimismo. O trabalho já é pesado, então sejamos leves. E buscamos irradiar esse "mood" [clima] para todos: direção, produção e nossa equipe de roteiristas formada por Márcia Prates, Claudia Gomes, Patrícia Moretzshon e Eli Nunes.
Três Graças conseguiu algo raro: transformar mocinhas, vilões e casais românticos em fenômenos simultaneamente. Quais personagens mais surpreenderam vocês ao longo da exibição e que tipo de reação do público mais marcou nessa trajetória?
O casal Loquinha realmente surpreendeu a todos por tudo que reverberou. Isso gerou um desafio extra: escrever a história delas na novela, enquanto simultaneamente era lançada uma novelinha vertical com outra história -- coisa inédita na TV mundial, acho eu.
Quanto aos vilões, eles foram construídos para passar essa leveza mesmo, para contrabalançar o fato de cometerem crimes muito pesados. Tenho recebido mensagens de pessoas que comentam: "Estou amando os vilões, será que o problema sou eu?".
Agora que a novela se aproxima do fim, qual sensação fica? Três Graças vai deixar saudade? E o que esse projeto muda na carreira e nos próximos passos de vocês dentro da teledramaturgia?
Desde 2022 vínhamos trabalhando nessa sinopse de novela. Quando Três Graças estreou, eu brinquei dizendo que o período em que a novela estivesse no ar seria a "reta final" do nosso trabalho, pois já vínhamos debruçados nessas tramas há anos --e isso eu acredito que seja um dos fatores da narrativa ter cativado: já havíamos pensado e discutido muito sobre a história.
Sobre o que esse projeto muda para nós e para a TV brasileira, só tem um jeito de saber: não perca os próximos capítulos!
Leia também -> Resumo dos capítulos da novela Três Graças
Três Graças é uma novela criada por Aguinaldo Silva em parceria com Virgílio Silva e Zé Dassilva. A história é ambientada em São Paulo e terminará nesta sexta-feira (15). A trama será substituída por Quem Ama Cuida, de autoria de Walcyr Carrasco e Claudia Souto.
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Três Graças
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Quarta, 13/5 (Capítulo 177)
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