AÇÃO ANTITRUSTE

Paramount encaminha acordo pela compra da Warner após ameaçar deixar Hollywood

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logo da paramount divide a tela com o logo da warner bros.

Paramount se aproxima de sacramentar de vez a compra da Warner Bros. por R$ 562 milhões

REDAÇÃO

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Publicado em 21/9/2026 - 14h11

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A Paramount Skydance chegou a um acordo com a Califórnia e outros 11 Estados que tentavam impedir a aquisição da Warner Bros. Discovery. O entendimento elimina um dos principais obstáculos para a conclusão do negócio e foi alcançado depois de semanas de pressão da compradora, que chegou a ameaçar deixar Hollywood e transferir suas operações para outro Estado.

As negociações avançaram durante o fim de semana, após quatro Estados (Massachusetts, Nova York, Connecticut e Minnesota) que ainda resistiam aos termos discutidos com a Califórnia aceitarem o acordo. Os advogados trabalharam durante a madrugada para finalizar o entendimento, segundo a Bloomberg. O anúncio oficial dos termos é esperado para esta segunda (21).

Os detalhes ainda não foram divulgados oficialmente, mas o acordo inclui compromissos relacionados à produção de filmes e ao controle editorial de veículos das duas empresas. Entre as condições negociadas, está a criação de conselhos editoriais independentes para a CBS e a CNN.

A Paramount também deverá se comprometer a distribuir 30 filmes por ano nos cinemas. Caso fique abaixo da meta, poderá ser obrigada a pagar US$ 30 milhões (R$ 153 milhões) por filme que deixar de lançar. A empresa ainda poderia ser obrigada a vender sua participação no estúdio Miramax se não cumprir o compromisso.

O acordo encerra uma disputa que havia colocado a aquisição em espera. Em julho, o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, liderou outros 11 Estados em uma ação contra a fusão, mesmo depois de o Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter aprovado a operação. O julgamento do processo antitruste estava marcado para 2 de março de 2027.

A Justiça havia determinado uma suspensão da transação, por potencial dano à concorrência nos mercados de TV e filmes. Os Estados também alegavam que a operação poderia elevar preços e reduzir opções, com possíveis reflexos para os consumidores.

A Paramount passou, então, a pressionar Bonta por um acordo. Nas últimas semanas, a empresa chegou a ameaçar deixar a Califórnia e transferir suas operações para o Texas ou o Tennessee.

O lobby ganhou peso porque a companhia começaria a pagar uma taxa de US$ 7 milhões (R$ 35,7 milhões) por dia à Warner Bros. Discovery a partir de 1º de outubro caso a aquisição não fosse concluída.

A ameaça de saída colocaria em risco uma parcela importante da atividade econômica ligada à Paramount em Hollywood. A empresa, um dos estúdios mais antigos da indústria, tem sua história ligada à Califórnia desde sua fundação, em 1912. Uma eventual transferência também ocorreria em um momento delicado para Los Angeles, que ainda enfrenta os efeitos das greves de Hollywood, dos incêndios e das mudanças provocadas pela expansão do streaming.

A estratégia de pressão provocou críticas de opositores da fusão. Alvaro Bedoya, conselheiro sênior do American Economic Liberties Project, acusou Bonta de ceder à pressão da Paramount e afirmou que trabalhadores da indústria cinematográfica e televisiva e pequenas empresas ligadas ao setor seriam prejudicados pelo acordo.

O Sindicato dos Roteiristas (WGA), que também entrou com uma ação para impedir a aquisição, deverá aderir ao acordo. A entidade havia questionado os efeitos da fusão sobre a concorrência e os salários dos roteiristas.

A Paramount defendeu ao longo do processo que a operação seria pró-competitiva e permitiria ampliar a produção de conteúdo para enfrentar concorrentes como Netflix e Amazon. Com o acordo com os Estados, a empresa fica mais perto de concluir a maior fusão da história de Hollywood.


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