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CADE
REPRODUÇÃO

Cade concluiu que fusão entre Warner Bros. Discovery e Paramount Skydance não compromete
A Superintendência-Geral do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) aprovou, sem restrições, a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance no Brasil. A operação, avaliada em US$ 110 bilhões (R$ 563 bilhões), ainda não foi concluída de maneira definitiva, mas ficará automaticamente aprovada caso nenhum conselheiro do órgão peça uma nova análise nos próximos 15 dias. A decisão faz parte da análise antitruste, que avalia se uma fusão pode prejudicar a concorrência no mercado.
No parecer, a área técnica concluiu que, embora a nova empresa reúna alguns dos maiores estúdios, das plataformas de streaming e das marcas do setor de entretenimento, ela continuará enfrentando forte concorrência de grupos como Disney, Sony, Netflix, Globoplay e distribuidoras independentes. Por isso, o Cade entendeu que a fusão não deve reduzir a competição nem dar à companhia poder para dominar esses mercados.
A análise também avaliou os impactos em diferentes áreas de atuação das empresas, como distribuição de filmes para os cinemas, produção e licenciamento de conteúdo audiovisual, streaming por assinatura, publicidade, licenciamento de propriedades intelectuais para produtos e desenvolvimento de videogames. Em todos esses segmentos, a conclusão foi de que ainda haverá concorrentes suficientes para manter a disputa pelo público.
No mercado de streaming, por exemplo, o Cade entendeu que a união entre Paramount+ e HBO Max não muda de maneira significativa o cenário competitivo. Segundo o parecer, a participação conjunta das duas plataformas continua abaixo do nível considerado dominante, enquanto o setor segue liderado pela Netflix e conta com concorrentes relevantes, como Disney+, Globoplay, Prime Video, Apple TV e Claro TV+.
Outro ponto analisado foi a relação entre a distribuição de filmes e a rede de cinemas UCI, que pertence ao grupo Paramount Skydance. O órgão avaliou se a empresa poderia favorecer seus próprios cinemas ou dificultar o acesso de concorrentes aos lançamentos, mas concluiu que esse risco é baixo devido à forte concorrência entre distribuidoras e exibidores.
Durante a análise, a Federação Nacional das Empresas Exibidoras Cinematográficas e a Associação Brasileira das Empresas Exibidoras Cinematográficas Operadoras de Multiplex pediram para participar do processo. As entidades argumentaram que a fusão poderia aumentar o poder de negociação da nova companhia e reduzir o poder de barganha das redes de cinema. O Cade negou o pedido, mas ressaltou que essas preocupações foram levadas em conta durante a avaliação.
Se a decisão for confirmada após o prazo regimental, a empresa resultante passará a reunir alguns dos principais ativos do entretenimento mundial. No Brasil, além de plataformas como HBO Max e Paramount+, o grupo também concentrará importantes direitos esportivos, entre eles a Libertadores, a Copa Sul-Americana, a Champions League e o Campeonato Paulista.
O parecer ainda destaca que o avanço do streaming mudou a forma como o mercado audiovisual funciona e que, por isso, a análise levou em conta a integração entre cinema, televisão e plataformas digitais. Segundo o Cade, esse entendimento poderá servir de referência para futuras fusões entre grandes empresas de mídia e entretenimento.
Vale ressaltar que a aprovação no Brasil não significa que o mesmo ocorrerá ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, Donald Trump já se mostrou favorável à negociação, mas órgãos de regulação europeus ainda veem com desconfiança a fusão dos dois conglomerados.
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