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DIREITOS ESPORTIVOS
Alexandre Loureiro/COB

Gabi Portilho na final dos Jogos Olímpicos de 2024; Copa Feminina de 2027 será realizada no Brasil
Apesar da pouca experiência na transmissão de torneios esportivos completos, a Netflix investiu pesado para comprar os direitos da Copa do Mundo Feminina, que em 2027 será realizada no Brasil. A plataforma de streaming pagou US$ 200 milhões (mais de R$ 1 bilhão, na cotação atual) para poder exibir os jogos --e apenas nos Estados Unidos e no Canadá.
O alto valor foi revelado nesta quarta-feira (29) pela Bloomberg, que ouviu pessoas ligadas à negociação --a própria Netflix não se manifestou. A gigante do streaming também adquiriu os direitos do Mundial Feminino de 2031.
A quantia não chega nem perto da investida na Copa do Mundo Masculina --a Fox norte-americana, que comprou os direitos exclusivos em inglês do torneio deste ano, desembolsou US$ 485 milhões (R$ 2,47 bilhões) pelos jogos.
Mesmo assim, o valor chama a atenção. Entre os esportes disputados pelas mulheres, fica atrás apenas dos direitos da WNBA, a liga de basquete feminina, que custa em média US$ 280 milhões (R$ 1,4 bilhão) por ano. Essa quantia, porém, é dividida por vários players: Disney (ABC e ESPN), Comcast (NBC e Peacock), Paramount (CBS), Scripps (ION) e Versant (USA).
A Netflix, aparentemente, bancará os direitos da Copa Feminina sozinha --a não ser que os executivos do streaming decidam licenciar a transmissão para parceiros na TV aberta ou fechada, o que parece pouco provável.
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, chegou a fazer um apelo público para que emissoras e plataformas interessadas em transmitir o Mundial Feminino fizessem propostas "justas" pelos direitos. Ele ainda criticou ofertas baixas demais e pediu números mais próximos dos pagos pelos jogos masculinos.
A Fifa e a Netflix anunciaram a aquisição da Copa do Mundo de 2027 em dezembro de 2024. Na época, foi celebrado que esse seria o primeiro torneio completo a ser disponibilizado na plataforma --que já transmitiu jogos isolados da NFL, a liga de futebol americano, e eventos de lutas especiais.
"Este é um momento histórico para os direitos de mídia esportiva", disse Infantino na ocasião. "Como uma marca de prestígio e nova parceira de longo prazo da Fifa, a Netflix demonstrou um forte comprometimento com o crescimento do futebol feminino."
"Além de transmitir os torneios em si, a Netflix desempenhará um papel fundamental em levar o fascínio do futebol feminino a uma audiência multimilionária na preparação para as duas fases finais, permitindo-nos, assim, aumentar ainda mais o seu apelo", valorizou o presidente da Fifa.
"Tenho visto o entusiasmo pela Copa do Mundo Feminina crescer tremendamente, da atmosfera eletrizante na França em 2019 até, mais recentemente, a energia incrível que vimos na Austrália e na Nova Zelândia [em 2023]", disse Bela Bajaria, diretora de conteúdo da Netflix.
"Trazer este torneio icônico para a Netflix não se trata apenas de transmitir partidas, mas também de celebrar as jogadoras, a cultura e a paixão que impulsionam a ascensão global do esporte feminino", cravou a executiva.
Além de oferecer a cobertura ao vivo dos jogos, a Netflix produzirá séries documentais exclusivas antes do torneio, destacando as melhores jogadoras do mundo, suas trajetórias e o crescimento global do futebol feminino --essas, sim, devem ser disponibilizadas mundialmente, e não apenas para Estados Unidos e Canadá.
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