MANUEL BELMAR

Globo confirma demissão de chefão, mas o isenta de culpa pela Copa

REPRODUÇÃO/TV GLOBO

Foto de Manoel Belmar

O executivo Manoel Belmar, que está de saída da Globo: emissora vai focar no digital e em I.A

REDAÇÃO

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Publicado em 4/9/2026 - 13h37
Atualizado em 4/9/2026 - 13h51

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A Globo confirmou nesta sexta-feira (4) que vai promover uma espécie de "dança das cadeiras" em seu alto escalão. Como o Notícias da TV já havia adiantado, uma das principais mudanças é a saída do executivo Manoel Belmar. De acordo com a emissora, a reestruturação faz parte do plano de tornar o seu negócio mais digital --e focado, principalmente, em inteligência artificial.

Em nota, a Globo afirmou que Belmar já havia pedido para deixar o cargo há dois anos, trabalhando desde então na reestruturação do seu setor. Também acrescentou que a iniciativa não teria relação com a compra dos direitos da Copa do Mundo 2026, que teria sido uma decisão "tomada exclusivamente pelo Conselho de Administração do Grupo, como é de praxe em deliberações de grande porte, que não podem ser atribuídas individualmente aos executivos da empresa" [leia o comunicado na íntegra no final do texto].

Como a reportagem já havia mostrado, a Copa do Mundo foi um dos principais "calcanhares de Aquiles" da emissora em 2026. Além das críticas da imprensa especializada e do próprio público, a decisão de não adquirir todos os jogos para transmissão na TV aberta foi visto internamente como um erro --especialmente porque deu protagonismo à CazéTV, que ampliou a sua base de inscritos no YouTube graças ao torneio.

Paulo Marinho, diretor-presidente da Globo, disse em comunicado à imprensa que o desenho da nova estrutura faz parte "das mudanças no mercado, nos hábitos de consumo e nas novas gerações", que "reforçam um movimento importante de evolução da nossa estratégia".

As alterações no quadro de executivos incluem a saída de outros nomes, além de Belmar, a saber:

  • Manuel Falcão: Após quase 30 anos no grupo, o executivo deixa a liderança de Marca e Comunicação. A área será assumida interinamente por Cristovam Ferrara até a definição de um novo nome vindo do mercado.
  • Pedro Garcia: Com 45 anos de serviços prestados à Globo e um dos fundadores da antiga Globosat, o executivo também encerra sua trajetória. A nova estrutura unificada de Distribuição e Direitos ficará sob a responsabilidade de Fernando Ramos.

O grupo também passa por uma atualização em sua estrutura com a criação de uma nova editoria e a reestruturação de outros setores:

  • A Globo criou a diretoria de Consumidor, Marketing e Marca, de olho na hiperpersonalização, no comportamento do telespectador e das novas necessidades do mercado publicitário;
  • Integração entre TV Globo e Estúdios Globo, aproximando a TV do seu principal estúdio de conteúdo.
  • Ampliação do escopo de Estratégia, incorporando o papel de Governança corporativa, para assegurar decisões conectadas às prioridades da Globo.
  • Consolidação de Distribuição e Direitos em uma única estrutura, ampliando a capacidade de capturar oportunidades e fortalecer parcerias estratégicas.
  • Migração de Relações Institucionais, Jurídico e Compliance para a Holding, reconhecendo a atuação transversal dessas áreas para todo o Grupo Globo.

Outro ponto crucial da reformulação é a chegada de Júlia Rueff para a diretoria de Plataformas Digitais, deixando a estrutura da seguinte maneira:

  • Plataformas Digitais: sob comando de Júlia Rueff, como parte do Centro de Resultados;
  • Negócios integrados em publicidade: sob comando de Manzar Ferres, como parte do Centro de Resultados;
  • TV e Estúdios Globo: sob comando de Amauri Soares, como parte do Centro de Resultados e Operações Core;
  • Jornalismo: sob comando de Ricardo Vilela, como parte de Operações Core;
  • Esportes: sob comando de Renato Ribeiro, como parte de Operações Core;
  • Tecnologia: sob comando de Raymundo Barros, como parte de Operações Core;
  • Distribuição e Direitos: sob comando de Fernando Ramos, como parte de Operações Core;
  • Finanças e CSC: Manuel Belmar permanece à frente do departamento durante o período transitório, como parte de Gestão Corporativa;
  • Estratégia e Governança: sob comando de Marina Mansur, como parte de Gestão Corporativa;
  • Pessoas e Cultura: sob comando de Georges Riche, como parte de Gestão Corporativa;

A Globo ainda está definindo o nome de quem vai ocupar a diretoria de Consumidor e Marketing, que faz parte do departamento de Operações Core.

Veja o comunicado da Globo na íntegra:

"O presidente do Grupo Globo e do Conselho de Administração do Grupo, João Roberto Marinho, reforçou hoje a comunicação da nova estrutura organizacional feita há pouco pela Globo para se alinhar à evolução da estratégia corporativa da empresa e a reforçou como único motivo para as movimentações de seus executivos.

João Roberto Marinho recordou que Manuel Belmar, até então diretor de Produtos Digitais, Finanças, Jurídico e Infraestrutura da Globo, havia, há pelo menos dois anos, compartilhado com a empresa a decisão de encerrar sua jornada executiva. Sua decisão deu início a um processo cuidadoso de transição, em consonância com a parceria de sucesso e confiança de mais de duas décadas de Belmar com a Globo.

O presidente do Grupo Globo repudiou com veemência as especulações que rondam a iniciativa e afirmou que a decisão de renegociação da compra dos direitos da Copa do Mundo 2026 foi tomada exclusivamente pelo Conselho de Administração do Grupo, como é praxe em deliberações de grande porte, que não podem ser atribuídas individualmente aos executivos das empresas.

João Roberto Marinho se uniu a Paulo Marinho, diretor-presidente da Globo, no agradecimento à liderança, contribuição, impacto e legado de Manuel Belmar, do diretor de Aquisição de Direitos, Pedro Garcia, e do diretor de Marca e Comunicação da Globo, Manuel Falcão, na trajetória das empresas do Grupo Globo e em suas transformações."


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