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OBSTÁCULO
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A Warner Bros. Discovery está em processo de ser adquirida pela Paramount Skydance
Já aprovada por alguns dos principais órgãos reguladores do mundo --inclusive o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Ecônomica), no Brasil--, a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance encontrou o seu maior obstáculo até o momento nesta segunda (13). Doze procuradores-gerais de Estados norte-americanos entraram com uma ação conjunta para barrar a fusão --contrariando até o presidente Donald Trump, que já deu o sinal verde para que os dois conglomerados virem um só.
Capitaneado por Rob Benta, procurador-geral da Califórnia, o processo apresentado nesta segunda-feira em um tribunal federal contesta a transação, alegando que ela sufoca a concorrência em áreas como a distribuição de filmes em cinemas e a licença de canais básicos de TV a cabo.
Em um comunicado, Bonta declarou que "a fusão ilegal dessas duas gigantes do entretenimento levaria a preços mais altos, qualidade menor e menos conteúdo para cinema e televisão, prejudicando cinemas, operadoras de TV a cabo e, no fim, o público no sofá e nos assentos de cinema nos EUA".
"Depois dessa fusão, para cada dólar gerado por filmes de grande lançamento nos cinemas e por canais básicos de TV a cabo no país, a empresa resultante da fusão embolsará mais de um quarto. Em resumo, essa fusão criaria um gigante da mídia", afirmou o processo.
Além da Califórnia, também aderiram ao processo os procuradores-gerais de Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon e Washington.
Eles alegam que a fusão levará a preços mais altos e qualidade mais baixa, pois Paramount e Warner Bros., juntas, poderiam extrair uma parcela maior da receita de bilheteria dos exibidores. Segundo Bonta, Paramount e WB representam cerca de 27% da bilheteria dos cinemas dos EUA. A empresa resultante da fusão das duas ainda controlaria mais de 30% dos filmes de grande orçamento lançados em ampla distribuição.
A mudança no cenário da TV paga --um setor cada vez mais ameaçado por causa do crescimento das plataformas de streaming-- também é uma preocupação. Com boa parte dos principais canais no seu catálogo, a empresa resultante da fusão poderia forçar operadoras a pagarem mais caro para contar com eles, sob o risco de ficar sem opções fundamentais.
"Uma distribuidora que rejeitasse as exigências da empresa correria o risco de perder, por exemplo, a CNN para telespectadores de notícias, a Nickelodeon e o Cartoon Network para famílias, HGTV e Food Network para o público de programas de estilo de vida, e a TNT e a TBS para telespectadores de esportes e entretenimento", apontou o processo dos procuradores-gerais.
"Diante dessa ameaça, as distribuidoras provavelmente seriam forçadas a aceitar taxas mais altas para distribuir os canais básicos de TV a cabo do que aceitariam antes da fusão proposta. Essas taxas mais altas provavelmente seriam repassadas aos assinantes na forma de contas mensais mais caras."
Em resposta ao processo, um porta-voz da Paramount Skydance afirmou que o processo não tem lógica e apenas atrapalhará a indústria audiovisual: "O processo movido pelos procuradores-gerais estaduais, mesmo na melhor das hipóteses, reflete uma aplicação fundamentalmente falha das leis antitruste e está errado tanto nos fatos quanto na lei".
"Defenderemos vigorosamente a transação e demonstraremos que essa contestação é incompatível com uma política de concorrência sólida e com a realidade competitiva do mercado de mídia. Adiar essa transação só prejudicará os trabalhadores do entretenimento que já sofreram nos últimos anos com a tecnologia, que impactou seus meios de subsistência e custou à Califórnia dezenas de milhares de empregos no setor."
A Paramount ainda argumentou que a fusão impulsionará a concorrência, com a fusão com a WBD colocando-a em melhor posição para competir com gigantes do streaming, como Netflix, Prime Video e Disney+.
A empresa também se comprometeu a lançar pelo menos 30 filmes nos cinemas por ano, em um momento em que grande parte da indústria está preocupada com o futuro da exibição cinematográfica em geral.
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