OBSTÁCULO

Estados se rebelam contra Trump e ameaçam fusão de Warner e Paramount

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Montagem com logos da Warner Bros. e da Paramount

A Warner Bros. Discovery está em processo de ser adquirida pela Paramount Skydance

REDAÇÃO

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Publicado em 13/7/2026 - 21h04

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Já aprovada por alguns dos principais órgãos reguladores do mundo --inclusive o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Ecônomica), no Brasil--, a compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount Skydance encontrou o seu maior obstáculo até o momento nesta segunda (13). Doze procuradores-gerais de Estados norte-americanos entraram com uma ação conjunta para barrar a fusão --contrariando até o presidente Donald Trump, que já deu o sinal verde para que os dois conglomerados virem um só.

Capitaneado por Rob Benta, procurador-geral da Califórnia, o processo apresentado nesta segunda-feira em um tribunal federal contesta a transação, alegando que ela sufoca a concorrência em áreas como a distribuição de filmes em cinemas e a licença de canais básicos de TV a cabo.

Em um comunicado, Bonta declarou que "a fusão ilegal dessas duas gigantes do entretenimento levaria a preços mais altos, qualidade menor e menos conteúdo para cinema e televisão, prejudicando cinemas, operadoras de TV a cabo e, no fim, o público no sofá e nos assentos de cinema nos EUA".

"Depois dessa fusão, para cada dólar gerado por filmes de grande lançamento nos cinemas e por canais básicos de TV a cabo no país, a empresa resultante da fusão embolsará mais de um quarto. Em resumo, essa fusão criaria um gigante da mídia", afirmou o processo.

Além da Califórnia, também aderiram ao processo os procuradores-gerais de Arizona, Colorado, Connecticut, Massachusetts, Minnesota, Nevada, Nova Jersey, Novo México, Nova York, Oregon e Washington.

Eles alegam que a fusão levará a preços mais altos e qualidade mais baixa, pois Paramount e Warner Bros., juntas, poderiam extrair uma parcela maior da receita de bilheteria dos exibidores. Segundo Bonta, Paramount e WB representam cerca de 27% da bilheteria dos cinemas dos EUA. A empresa resultante da fusão das duas ainda controlaria mais de 30% dos filmes de grande orçamento lançados em ampla distribuição.

A mudança no cenário da TV paga --um setor cada vez mais ameaçado por causa do crescimento das plataformas de streaming-- também é uma preocupação. Com boa parte dos principais canais no seu catálogo, a empresa resultante da fusão poderia forçar operadoras a pagarem mais caro para contar com eles, sob o risco de ficar sem opções fundamentais.

"Uma distribuidora que rejeitasse as exigências da empresa correria o risco de perder, por exemplo, a CNN para telespectadores de notícias, a Nickelodeon e o Cartoon Network para famílias, HGTV e Food Network para o público de programas de estilo de vida, e a TNT e a TBS para telespectadores de esportes e entretenimento", apontou o processo dos procuradores-gerais.

"Diante dessa ameaça, as distribuidoras provavelmente seriam forçadas a aceitar taxas mais altas para distribuir os canais básicos de TV a cabo do que aceitariam antes da fusão proposta. Essas taxas mais altas provavelmente seriam repassadas aos assinantes na forma de contas mensais mais caras."

Outro lado

Em resposta ao processo, um porta-voz da Paramount Skydance afirmou que o processo não tem lógica e apenas atrapalhará a indústria audiovisual: "O processo movido pelos procuradores-gerais estaduais, mesmo na melhor das hipóteses, reflete uma aplicação fundamentalmente falha das leis antitruste e está errado tanto nos fatos quanto na lei".

"Defenderemos vigorosamente a transação e demonstraremos que essa contestação é incompatível com uma política de concorrência sólida e com a realidade competitiva do mercado de mídia. Adiar essa transação só prejudicará os trabalhadores do entretenimento que já sofreram nos últimos anos com a tecnologia, que impactou seus meios de subsistência e custou à Califórnia dezenas de milhares de empregos no setor."

A Paramount ainda argumentou que a fusão impulsionará a concorrência, com a fusão com a WBD colocando-a em melhor posição para competir com gigantes do streaming, como Netflix, Prime Video e Disney+.

A empresa também se comprometeu a lançar pelo menos 30 filmes nos cinemas por ano, em um momento em que grande parte da indústria está preocupada com o futuro da exibição cinematográfica em geral.


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