Menu
Pesquisar

Buscar

Facebook
X
Instagram
Youtube
Pesquisar

Buscar

ESTRATÉGIA GRANDE

Em todo lugar e ao mesmo tempo: Disney tem pé nas três maiores emissoras do Brasil

REPRODUÇÃO/SBT

Ana Furtado no Fábrica de Casamentos

Ana Furtado é a apresentadora do Fábrica de Casamentos, reality do SBT em parceria com Disney+

IVES FERRO

ives@noticiasdatv.com

Publicado em 4/4/2026 - 10h00

A Disney achou um caminho raro na televisão brasileira em 2026. Em vez de escolher um lado na guerra da TV aberta, o conglomerado decidiu jogar em três campos ao mesmo tempo. Reforçou a aliança com o SBT e a Record para colocar no ar dois reality shows que terão transmissões "casadas" com seu streaming e, na Globo, manteve uma estratégia "premium", com a coprodução de um filme que será lançado nos cinemas.

A estratégia da Disney vai além de apenas querer números para suas plataformas. A empresa entendeu que o mercado brasileiro já não funciona mais na lógica antiga, em que a TV aberta e o streaming competiam como inimigos. A televisão ainda tem grande alcance e fornece até mesmo uma monetização complementar nesse sentido.

Quando põe o pé no SBT, na Record e na Globo ao mesmo tempo, a Disney deixa de depender de uma vitrine só e passa a operar como fornecedora de conteúdo, marca e prestígio para perfis bem diferentes de público. Não por coincidência, o catálogo do Disney+ carrega grandes produções que atendem os públicos das três emissoras, do infantil ao conservador.

No SBT, a movimentação tem um peso maior. A relação entre as duas empresas é antiga e remonta aos anos 1990, quando a emissora fundada por Silvio Santos (1930-2024) firmou uma parceria que rendeu o Disney Club (1997-2001) e um pacote robusto de desenhos, séries e filmes. Foi ali que a Disney fincou uma bandeira afetiva na TV aberta brasileira.

Quase 30 anos depois, a reconexão ganhou cara nova. Primeiro com o The Voice Brasil, lançado com uma temporada inédita em parceria entre SBT e Disney+, com exibição multiplataforma e conteúdo extra no streaming, e agora com o Fábrica de Casamentos. A empresa do Mickey mostra que não quer apenas licenciar uma marca pronta, mas sim participar do formato, da distribuição e da fatia de faturamento.

Na Record, o movimento é mais ousado porque marca uma entrada em território inédito. O reality Casa do Patrão estreia em 27 de abril, com produção conjunta da emissora e do streaming, direção de Boninho e apresentação de Leandro Hassum. Não é pouca coisa. A Disney compra presença justamente no tipo de produto que mais mobiliza a TV aberta hoje: reality show de confinamento, convivência e eventos ao vivo.

Ao mesmo tempo, a empresa ainda se aproxima da dramaturgia bíblica da emissora por meio do acordo com a Seriella, que prevê lançamentos simultâneos no Disney+ e na TV aberta das séries Ben-Hur e Amor em Ruínas. É uma jogada que amplia catálogo, conversa com um público popular e fiel e ainda testa um filão que nenhuma plataforma grande havia abraçado com tanta clareza no Brasil.

Já na Globo, a Disney caminha pelo lado "premium", sem menção de entrar diretamente na casa dos telespectadores globais ou do Globoplay. O acordo firmado para quatro longas brasileiros colocou o filme Na Linha de Fogo como primeiro cartão de visitas.

A obra, prevista ainda para 2026, será lançada nos cinemas e depois seguirá para Globoplay e plataformas da Disney. A parceria une o poder de distribuição e promoção da Globo ao alcance internacional e ao caixa da Disney, numa tentativa de valorizar produção nacional com escala de blockbuster.

No fim das contas, a estratégia revela uma Disney menos interessada em exclusividade. Ela não quer ser da Globo, do SBT ou da Record. A companhia costura perfis de audiência distintos e transforma cada emissora em uma porta de entrada diferente para o mesmo ecossistema. É uma tática fria, calculada e eficiente.


Mais lidas


Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.