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POLÍTICA

Eleição assusta a Globo, mas YouTube já sabe como lucrar com a polarização

REPRODUÇÃO/GLOBONEWS

Andréia Sadi na GloboNews

Andréia Sadi na GloboNews; jornalista faz "jornada dupla" no YouTube em ano eleitoral

GIOVANNA RIBEIRO, do Rio de Janeiro

giovanna@noticiasdatv.com

Publicado em 2/6/2026 - 9h00

Em um ano com eleições para presidente da República, cada clique, visualização ou mesmo televisão ligada conta. Não à toa, a Globo tem se preparado para o pleito com uma série de estratégias, que mexerá até no horário do debate presidencial. Contudo, o fantasma que assombra a emissora líder de audiência parece ser justamente aquilo que fortalece os seus rivais na internet: a polarização.

Em painel realizado no Rio2C, evento de inovação que aconteceu na última semana no Rio de Janeiro, Gabriel Volfzon, head de Produto de Canais, Telecine e Conteúdo da Globo, confessou que "não existe eleição tranquila" para a emissora, mesmo após décadas de tradição na cobertura política.

"Não tem eleição tranquila. Então é mais uma eleição. Mas é legal isso também, porque a Globo tem diversas marcas de Jornalismo. Então imagina, reúne uma turma, e essa turma tem que conversar. E o que vai fazer com o G1? Com a GloboNews? Com o próprio Jornalismo na TV Globo? Como cada um vai trabalhar, até para a gente não se canibalizar, mas sim se retroalimentar", explicou ele.

O painel intitulado Impacto do Ao Vivo na Audiência e nos Negócios reuniu, além do representante da Globo, Monica Pimentel, VP de Conteúdo e Head de Talentos da Warner Bros. Discovery, e Douglas Rodrigues, Gerente de Parcerias de Conteúdo TV & Filme do YouTube.

"A Globo pensa muito nessa multidistribuição, em função da nossa multicapilaridade de propriedades e plataformas de atuação. A GloboNews tem mais ou menos 20 horas de programação ao vivo todo dia, com a exceção dos fins de semana, em que isso diminui um pouco. Mas é muito intenso, porque o fato tem que ter recência. Senão, você perde o seu diferencial de atrair o fato com recência, com comentaristas e de conseguir ir aprofundando conforme as coisas forem acontecendo", disse o executivo da Globo.

Todavia, a recente decisão da GloboNews de lançar o programa "Pod I", com Andréia Sadi, transmitido ao vivo pelo YouTube, já reflete uma mudança profunda na maneira como a emissora entende o comportamento do público. Esse movimento converge com dados recentes do Google sobre os hábitos de consumo da Geração Z.

No painel, os convidados lembraram que pesquisas recentes do Google notaram um distanciamento progressivo entre os jovens e os veículos de comunicação tradicionais. Em vez de sintonizarem os canais convencionais, esses usuários preferem consumir informações por meio de criadores de conteúdo e do ecossistema do YouTube.

"O jornalismo não tem nenhum IP proprietário. Ele repercute os fatos, e os fatos são os mesmos para todos. Então você tem que ter, além de uma capacidade de ser muito ágil, um time de especialistas muito competentes para você conseguir se diferenciar e valorizar a cobertura daquele fato dos seus concorrentes. Mas a Globo não participa dos fatos, a Globo cobre os fatos", ressaltou o executivo.

Também presente no painel, o representante do YouTube destacou o papel da plataforma como um espaço "democrático" onde os criadores podem comentar acontecimentos políticos e até mesmo fazer uma cobertura factual e em tempo real; contudo, eles deixam seus posicionamentos claros para o público --indo assim, na contramão da TV.

"Essa pesquisa é muito interessante. Acho que um dos principais pontos que trazia ali apontava que essa geração, principalmente um público mais jovem, quer esse jornalismo mais direto e mais 'realístico'. No sentido de: 'Eu sei que você, a pessoa que está transmitindo essa notícia, vai ter um viés sobre aquilo, vai ter uma opinião, e eu quero ouvir a sua opinião [estando] consciente disso'. Então, não é só ter o fato", disse Douglas Rodrigues.

O executivo da empresa, que também pertence ao Google, trouxe um produto da própria Globo para a discussão: a cobertura do BBB, que também é feita por criadores no YouTube. Segundo ele, o programa, que é um grande evento nacional consumido pelo país inteiro e que se torna notícia, extrapola o controle editorial da Globo.

Ele lembrou que no YouTube, existem vários canais que noticiam os acontecimentos de dentro do Big Brother. Esses canais trazem as próprias opiniões, muitas vezes utilizando o recurso do ao vivo, enquanto as pessoas reagem dentro do chat, discutindo e falando sobre o que pensam a respeito daquele determinado assunto.

Para o executivo do YouTube, esse cenário demonstra uma resposta direta à necessidade do público de ouvir a opinião de quem está comentando a notícia, para saber o que essa pessoa acha (pessoalmente) sobre o assunto. "Ele quer também entender a opinião que aquela pessoa tem sobre aquilo e quer que essa opinião seja clara, seja que x ou y", comentou Rodrigues.


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