ANÁLISE
Divulgação/Netflix

Will (Noah Schnapp) na quinta temporada de Stranger Things; divulgação gratuita na CCXP25
Maior evento de cultura pop da América Latina, a edição 2025 da CCXP virou uma prova --mesmo que não intencional-- de que o processo de aquisição da Warner Bros. Discovery (WBD) pela Netflix, a um custo de US$ 82,7 bilhões (R$ 449,3 bilhões, na cotação atual), não é uma exibição de superioridade ou um mero capricho da plataforma; é uma necessidade.
É que a CCXP25, que aconteceu no último fim de semana, teve uma ausência relevante: a Netflix não levou nenhum de seus talentos para divulgar séries ou filmes nem tampouco investiu em um grande estande no pavilhão --como fizeram suas rivais HBO Max, Paramount+, Prime Video e Crunchyroll.
Ainda assim, o fã menos atencioso pode nem ter percebido que a gigante do streaming não marcou presença. Afinal, Stranger Things estava por todos os lados, dos cosplays de quem quis aproveitar o evento caracterizado como seu personagem favorito aos estandes de marcas que ostentavam produtos licenciados dos mais variados.
Além dos já tradicionais bonequinhos Funko, a série foi vista em loja de camisetas, montadora de veículos, marca de canetas e até em uma famosa empresa alimentícia, que estampou Eleven (Millie Bobby Brown) e sua turma em pizzas e nuggets --do lado de fora, uma marca de chocolates também deu biscoitos com os jovens de Hawkins para quem ia a pé até a CCXP25.
Ou seja: sem investir um centavo sequer na divulgação dos episódios finais de Stranger Things --talvez o produto da cultura pop mais aguardado pelos fãs para os poucos dias que restam do ano--, a Netflix se manteve na mente de quem gosta da série durante o evento. Melhor: ela recebeu por isso, já que as marcas precisam pagar pelo licenciamento para a plataforma.
E é aí que a entra a compra da WBD. Stranger Things chega ao fim no próximo dia 31, e a Netflix não tem nenhum sucessor à altura. Wandinha pode até ser um fenômeno de audiência (maior até do que a própria série dos irmãos Duffer), mas não rende tantos produtos licenciados. O mesmo é válido para Bridgerton. E ninguém vai querer comer um nugget de Dahmer: Um Canibal Americano (2022) ou de outro capítulo da franquia Monstros, não é mesmo?
A gigante do streaming precisa de propriedades intelectuais (IPs) de peso para se manter na lista de desejos dos licenciadores, e isso a Warner tem de sobra. Não foi por acaso que, na carta enviada pela Netflix aos seus assinantes para anunciar (precocemente) a compra da WBD, a empresa destacou marcas como Harry Potter, Friends (1994-2004), The Big Bang Theory (2007-2019), Casablanca (1942), Game of Thrones (2011-2019) e os heróis do Universo DC.
São IPs que rendem muito dinheiro até hoje --Harry Potter, por exemplo, ganhou neste ano uma área temática no parque Epic Universe, que a Universal inaugurou em Orlando, na Flórida (EUA). Big Bang e GoT são tão populares que vão estrear spin-offs no ano que vem. E Batman e Superman, só para citar a dupla mais popular da DC, já renderam mais de US$ 40 bilhões (R$ 217 bilhões) em receita para a editora, entre HQs, figuras de ação e cinema.
Há muitos outros motivos para a Netflix estar disposta a abrir o cofre para comprar a WBD --de crescimento do seu prestígio em Hollywood até treinamento de inteligência artificial generativa--, mas a necessidade de IPs que caiam nas graças do público não pode ser ignorada. E a CCXP25 deixou isso bem claro --pelo menos, para quem estava prestando atenção.
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