TOLERÂNCIA ZERO

Até Netflix brinca com fama de cancelar séries, mas rivais têm foice mais afiada

Divulgação/Netflix

Montagem com fotos das séries Anne With an E, Julie and the Phantoms e Cidade Invisível

Fãs não superaram cancelamentos de Anne With an E, Julie and the Phantoms e Cidade Invisível

LUCIANO GUARALDO

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 27/9/2026 - 8h10

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Apesar da fama da Netflix de cancelar suas séries sem um final adequado --uma reputação com a qual a própria plataforma brincou na última semana--, a líder do mercado adota uma política bem menos agressiva do que algumas de suas rivais. Disney+, HBO Max e Prime Video têm a foice bem mais afiada do que a sua principal concorrente.

A informação consta em um estudo da empresa Luminate, que analisa dados da indústria do entretenimento. E o relatório traz um índice surpreendente: a Netflix renovou 51% das séries norte-americanas disponibilizadas em 2025. Ou seja, mais da metade das suas produções ganharam novas temporadas.

Para efeito de comparação, a HBO Max confirmou a renovação de apenas 31% das atrações lançadas no ano passado, contra 33% do Disney+ e do Peacock (plataforma da NBCUniversal não disponível no Brasil) e 34% do Prime Video. Todos os dados são referentes a produções dos Estados Unidos.

O Apple TV encomendou mais episódios de 43% de suas séries, e o Paramount+ deu nova chance para 50%. O streaming mais benevolente é o Hulu, que por aqui disponibiliza suas atrações no serviço da Disney --a plataforma renovou 54% dos lançamentos do ano passado.

A Luminate optou por contabilizar renovações, em vez de cancelamentos, por uma questão prática: como os streamings, em sua maioria, não trabalham com a lógica da TV aberta de lançar uma temporada anualmente, os anúncios de fim da produção podem levar meses ou até anos para acontecer. The Politician, produção de Ryan Murphy para a Netflix, por exemplo, nunca foi oficialmente cancelada, apesar de não ter episódios inéditos desde 2020.

Mas por que a Netflix carrega o estigma de assassina de séries? É uma mera questão de volume, já que a plataforma tem muito mais lançamentos do que suas rivais. Em números brutos, os 49% não renovados pela líder do mercado superam os 69% da HBO Max com folga. Ou seja: a Netflix cancela mais, mas também renova mais, simplesmente porque produz mais do que todas.

Segundo o Luminate, a plataforma disponibilizou 91 séries norte-americanas no ano passado. Dessas, 46 foram renovadas para novas temporadas, oito foram encerradas com um final de verdade, e apenas dez acabaram canceladas. As outras 27 ainda aguardam uma decisão --pela demora, a falta de novidades não parece uma notícia muito promissora.

Crise nas big techs?

Comparar os dados de 2025 com os de anos anteriores também traz algumas informações relevantes: Apple TV e Prime Video, que levam fama de boazinhas por estarem ligadas a empresas trilionárias --a Apple e a Amazon, respectivamente--, já foram bem mais benevolentes.

Em 2024, a primeira havia renovado 54% de suas produções, enquanto a segunda tinha encomendado novas temporadas de impressionantes 62% do catálogo norte-americano. Mudanças recentes (e para pior) no cenário econômico das big techs forçaram as duas a apertarem o cinto.

Netflix faz piada com o rótulo

O levantamento da Luminate pode até mostrar que a Netflix não é tão cruel quanto os assinantes pensam, mas isso não impediu a própria plataforma de brincar com a fama negativa. Na última semana, para comemorar os 15 anos do serviço no Brasil, ela lançou algumas vinhetas bem-humoradas com o elenco de suas produções nacionais.

Uma delas, estrelada por Marco Pigossi (de Cidade Invisível, encerrada sem desfecho depois de duas temporadas), mostra o ator chegando para a festa do streaming e sendo pego de surpresa pelo fato de seu nome não estar na lista. Ao descobrir que o galã fez uma série cancelada, o recepcionista vai buscar outra relação --a de atrações já encerradas. O livro que ele traz é um verdadeiro calhamaço, com milhares de nomes listados. Confira:


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