UM ANO DEPOIS
REPRODUÇÃO/CBS

Donald Trump durante entrevista ao jornalístico 60 Minutes, da CBS; rede promete nova visão
Mais de um ano depois de a Paramount Global acertar sua venda para a produtora Skydance Media, a negociação finalmente foi aprovada pela Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos (FCC, na sigla em inglês). O órgão, que responde ao presidente Donald Trump, só aceitou a aquisição depois de o conglomerado fazer vários acenos ao governo, ao Partido Republicano e ao conservadorismo.
No início do mês, a Paramount também fez um acordo com Trump para resolver fora dos tribunais um processo movido pelo presidente por causa de uma entrevista exibida pelo jornalístico 60 Minutes com a então candidata democrata à presidência Kamala Harris. O grupo pagou US$ 16 milhões (R$ 88,3 milhões, na cotação atual) para acabar com a questão judicial.
Só depois desse acerto, a FCC voltou a analisar a venda do conglomerado de mídia para a Skydance, em uma negociação cujo valor é estimado em cerca de US$ 8 bilhões (R$ 44,1 bilhões). Chefe da comissão, Brendan Carr disse que o acordo entre Trump e a Paramount não teve nenhuma influência na sua decisão --embora o timing da aprovação seja, no mínimo, suspeito.
Em comunicado à imprensa nesta quinta (24), Carr também ressaltou que decidiu aprovar a venda porque os executivos da Skydance prometeram transformar a rede CBS, líder de audiência nos Estados Unidos, em uma TV com diferentes pontos de vista --tradicionalmente, a TV aberta é mais liberal e bastante crítica às decisões de Trump, que tem como seu principal defensor midiático o canal pago Fox News.
"Os norte-americanos não acreditam mais na mídia tradicional do país para noticiar a verdade completa e de maneira justa. É hora de uma mudança. E é por isso que eu recebo tão bem o compromisso da Skydance em promover alterações importantes na outrora famosa CBS", alfinetou Carr no texto.
"A Skydance assumiu compromissos por escrito de que vai garantir que a programação da nova empresa incorpore uma diversidade de pontos de vista de todo o espectro político e ideológico. A Skydance também vai adotar medidas para expurgar a parcialidade que destruiu a confiança do público na imprensa nacional", seguiu o chefe da FCC.
"Esses compromissos, se implementados, permitirão que a CBS opere dentro do interesse público e foque em coberturas justas, imparciais e baseadas apenas na verdade. Fazer isso inicia o processo de recuperação da confiança dos norte-americanos. A decisão de hoje também marca um passo à frente nos esforços da FCC para acabar com formas invejosas de DEI [Diversidade, Equidade e Inclusão]", finalizou Brendan Carr.
A Paramount Global inclui, além do seu braço cinematográfico homônimo, a rede CBS, líder de audiência nos Estados Unidos, canais pagos como MTV, Nickelodeon, Comedy Central, VH1 e BET, e os streamings Paramount+ e Pluto TV. Ela ainda é dona da Telefe, na Argentina; do Channel 5, no Reino Unido; e do Network 10, da Austrália, entre outras emissoras internacionais.
A aprovação da venda ocorre depois de duas movimentações opostas em plataformas ligadas à Paramount. A primeira foi o anúncio do cancelamento do talk show The Late Show with Stephen Colbert, líder de audiência em sua faixa e aclamado pela crítica com duas indicações ao Emmy 2025.
A CBS decidiu acabar com o programa de entrevistas dias depois de Colbert criticar Donald Trump e o acordo feito pela Paramount com o presidente. Como segue no ar até maio do ano que vem, por causa de compromissos com anunciantes, o âncora tem usado seu talk show para aumentar o nível das críticas ao governo. Ele chegou a mandar Trump "se f*der" na atração.
O segundo movimento é a renovação do contrato que a Paramount tem com Trey Parker e Matt Stone, criadores da animação South Park. O conglomerado vai pagar US$ 1,5 bilhão (R$ 8 bilhões) à dupla para produzir mais cinco levas de episódios do desenho desbocado e controverso.
Logo na estreia da 27ª temporada, Parker e Stone deixaram claro que não vão abaixar a cabeça e se render às novas diretrizes. Eles chegaram a exibir um deepfake de Trump tirando a roupa e com um micropênis no meio do episódio. O presidente, é claro, odiou a brincadeira: a Casa Branca se pronunciou e disse que South Park "não é relevante há mais de 20 anos".
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