DAVID ELLISON

Aliado de Trump, CEO da Paramount abre mão de mexer na CNN após comprar Warner

REPRODUÇÃO/ELLISON MEDICAL INSTITUTE/CNN

dois homens brancos dividem a imagem

David Ellison é CEO da Paramount Skydance desde agosto de 2025; Donald Trump em debate da CNN

REDAÇÃO

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Publicado em 4/8/2026 - 13h25

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Em meio à batalha judicial movida por 12 estados americanos, David Ellison, CEO da Paramount Skydance, reiterou que não pretende interferir na linha editorial da CNN caso a compra da Warner Bros. Discovery seja concluída --a despeito de sua proximidade com o presidente Donald Trump.

  • Entenda a notícia
  • David Ellison prometeu manter a independência editorial da CNN;
  • O executivo negou que pretende influenciar a cobertura da emissora;
  • A compra da Warner Bros. Discovery pela Paramount ainda enfrenta ações antitruste;
  • Um acionista acusa Ellison de negociar apoio de Donald Trump em troca de mudanças na CNN;
  • A Paramount rejeita as acusações e afirma que o compromisso da empresa é com o jornalismo baseado em fatos.

Em um artigo pago publicado pelo The New York Times nesta terça-feira (4), o executivo afirmou que a emissora continuará independente. Há suspeitas de que, caso a compra seja concluída, Trump iria intervir na linha editorial do canal de notícias. A CNN é conhecidamente uma crítica do republicano.

Visando enviar um recado em meio às especulações, Ellison afirmou acreditar que o foco das ações não está no impacto econômico da operação, mas na desconfiança sobre sua condução da CNN. Segundo ele, se a preocupação fosse apenas concorrencial, a fusão não teria recebido aval de autoridades regulatórias de dezenas de países, incluindo Estados Unidos, Brasil, União Europeia e China.

A desconfiança ganhou capítulos na Justiça também, já que um acionista da Paramount entrou com uma ação alegando que David Ellison e seu pai, o bilionário Larry Ellison, teriam firmado um acordo com Donald Trump para facilitar a aprovação da compra da Warner. Entre as acusações está a promessa de mudanças na CNN, incluindo a demissão de apresentadores criticados pelo presidente. A Paramount nega as alegações e afirma que nunca assumiu qualquer compromisso com autoridades sobre o futuro da emissora.

O CEO disse que as especulações sobre suas posições políticas e suas intenções em relação à CNN não refletem seus planos para a empresa. "Nossos jornalistas continuarão respondendo aos fatos e a todas as pessoas que servem. Não a qualquer partido ou causa", escreveu.

O empresário também afirmou que já votou em candidatos dos dois principais partidos americanos e declarou que possui posições tanto conservadoras quanto liberais. Segundo ele, isso não significa que pretende direcionar a cobertura das empresas sob seu comando para refletir suas convicções pessoais.

"Acredito que as notícias devem ser baseadas em fatos e na verdade", afirmou. Para Ellison, veículos como CNN e CBS News, que já pertence à Paramount, precisam manter independência editorial para preservar sua credibilidade.

Também circulou a informação de que os estados poderiam desistir da ação caso a Paramount aceitasse separar a CNN do restante da companhia. No entanto, o procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta, que lidera o processo, rejeitou essa possibilidade e afirmou que desmembrar apenas um canal não seria suficiente para preservar a concorrência.

Compra da Warner enfrenta batalha judicial

As declarações acontecem enquanto a Paramount tenta concluir a aquisição da Warner Bros. Discovery em um negócio avaliado em US$ 111 bilhões. A operação, porém, enfrenta ações judiciais movidas por uma coalizão de 12 estados americanos e pelo sindicato dos roteiristas dos Estados Unidos (WGA), que alegam que a fusão reduziria a concorrência no setor de mídia e entretenimento.

Na última semana, a Paramount Skydance pediu que o julgamento do caso antitruste comece em 4 de novembro de 2026. Já os estados e o WGA defendem que o processo seja iniciado apenas em 5 de abril de 2027. A decisão sobre o calendário ainda depende da Justiça americana.

O executivo também rebateu as críticas sobre concentração de mercado. Segundo ele, a empresa resultante da fusão representaria menos de 20% do tempo total de audiência da televisão nos Estados Unidos e cerca de 13% quando o consumo de vídeos no YouTube também é considerado. Além disso, afirmou que a companhia respondeu por apenas 18% da bilheteria americana nos últimos 12 meses, números que, em sua avaliação, demonstram que o grupo continuará competindo com gigantes como Netflix, Amazon, Apple e YouTube.

Ellison ainda prometeu ampliar os investimentos em entretenimento caso a operação seja concluída. Entre os compromissos anunciados estão o lançamento de 30 filmes por ano nos cinemas, a produção de 170 séries anuais para suas plataformas e para serviços concorrentes e investimentos superiores a US$ 30 bilhões em conteúdo. 


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