PARA MELHORAR

3 lições que a CCXP precisa aprender o quanto antes com a San Diego Comic-Con

David Jon/DJP

Dois homens apontam os punhos fechados um para o outro, com um campo de energia verde entre eles

Kyle Chandler e Aaron Pierre testam ativação da HBO Max para Lanternas fora da convenção

LUCIANO GUARALDO, de San Diego

luciano@noticiasdatv.com

Publicado em 27/7/2026 - 19h00

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A edição 2026 da San Diego Comic-Con chegou ao fim no domingo (26) depois de cinco dias com o melhor da cultura pop reunido em um mesmo ambiente, para o delírio de mais de 135 mil fãs. A CCXP, realizada em São Paulo todo fim de ano, já a superou em número de visitantes, mas ainda tem algumas lições a aprender com a "original" para melhorar a experiência de quem deseja "viver o épico".

A mais importante --e mais fácil de realizar-- diz respeito à programação. Em San Diego, são centenas de painéis realizados ao longo dos cinco dias, com temas diversos. Além das já esperadas apresentações sobre filmes e séries, há debates sobre quadrinhos, brinquedos, música, representatividade na arte, inteligência artificial, o futuro do entretenimento e tudo mais que imaginar.

Há opções de eventos para todos os gostos, sem exageros. O Notícias da TV participou até de uma discussão sobre o jornalismo na era da internet, em que qualquer pessoa pode se tornar uma crítica ou produtora de conteúdo --seja em um blog pessoal ou em suas redes sociais. É um tema nichado, claro, mas que atraiu até pessoas de fora do ramo interessadas no debate.

A principal vantagem de se ter uma gama de opções amplas diz respeito à dispersão do público. Com mais painéis, os fãs não precisam esperar por horas e horas na fila dos auditórios principais --e ainda correr o risco de ficar de fora-- para ter uma experiência interessante.

É claro que a possibilidade de não entrar num painel existe --que o digam os fãs barrados do evento da Marvel no sábado (25)--, mas a San Diego Comic-Con sempre oferece um plano B. Quem não teve vez no grande anúncio pôde acompanhar a série de Carrie, a Estranha, aprender a publicar uma HQ própria ou até assistir à versão karaokê de Wicked: Parte 2 (2025).

todd williamson/january images

A banda Green Day e o elenco de Nimrods distribuem sorvetes na praça

Outra lição importante --e que também resultaria numa diminuição das filas na São Paulo Expo, que ficam piores a cada ano-- envolve o que ocorre fora do Centro de Convenções de San Diego. Basicamente, todo o bairro histórico do Gaslamp Quarter se transforma em uma extensão da Comic-Con, com ativações ocorrendo em prédios da região, nos hotéis próximos e até na praça.

A HBO Max, por exemplo, montou um centro de treinamentos de heróis para divulgar Lanternas e uma loja de HQs para promover a comédia Stuart Não Consegue Salvar o Universo, lançada na última quinta (23). E ela estava aberta até para quem não tinha ingressos para a convenção, tornando a divulgação ainda mais acessível. Enquanto o primeiro episódio era exibido no painel do Auditório H horas antes de chegar ao streaming, quem ficou de fora pôde conhecer mais sobre a série e até tentar salvar o universo.

E o streaming da Warner Bros. Discovery não foi o único a fazer a festa fora do Centro de Convenções. A Paramount tinha um grande espaço na principal avenida do bairro, que contou até com uma aparição surpresa de Johnny Depp caracterizado como Ebenezer Scrooge, o velho rabugento do livro Um Conto de Natal, que ganhará uma nova adaptação para o cinema no fim do ano.

Ainda mais ousada foi a equipe de marketing do filme Nimrods, que posicionou um food truck com sorvete no meio da praça ao lado do estádio de beisebol Petco Park e colocou os integrantes da banda Green Day e parte do elenco do longa para distribuir potes da sobremesa para os fãs. Depois, os músicos ainda subiram ao palco para um minishow --totalmente grátis.

Hotéis e prédios próximos ao Centro de Convenções também são envelopados com imagens das principais séries e dos filmes e dos games mais aguardados da temporada, fazendo com que a Comic-Con seja uma experiência que vai muito além de um único espaço fechado. Não são poucas as pessoas que circulam pelo bairro mesmo sem terem ingressos.

HBO Max/Acronym

Loja de HQs deStuart foi recriada em San Diego

Por fim, a CCXP precisa aprender com San Diego (e com Nova York) a separar sua área de estandes e ativações do espaço onde ficam os auditórios e os painéis. Nas duas convenções internacionais, é perfeitamente plausível passar o dia inteiro apenas indo a debates sem sequer entrar no chamado Show Floor, onde as lojas e as plataformas divulgam seus produtos --e no qual é praticamente impossível caminhar, tamanha a quantidade de gente.

No Brasil, o fã que entra na São Paulo Expo já se depara com os estandes e com a multidão de pessoas, precisando desbravar a área para chegar nos auditórios --ou mesmo os banheiros e a praça de alimentação. É um design extremamente contraproducente, em especial para quem está com pressa.

CCXP também tem algo a ensinar

Para não dizer que não falamos das flores, a CCXP também tem algo a ensinar para a San Diego Comic-Con: as opções de alimentação. Na São Paulo Expo, você pode encontrar um cardápio dos mais variados --embora os preços sejam muito elevados. Na "mãe das convenções", você basicamente pode escolher entre pizzas, sanduíches e pretzels.

Sobreviver cinco dias à base de fast food pode até tornar a experiência mais norte-americana, mas passa longe de ser algo saudável ou mesmo recomendado. Por sorte, há restaurantes no Gaslamp Quarter, mas as filas e o processo de sair e entrar do Centro de Convenções não são muito atrativos.


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