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CRÍTICA SEM SPOILERS
REPRODUÇÃO/SONY PICTURES

Anne Hathaway como Verity: atriz interpreta escritora incapacitada que guarda segredos de sua vida
Estreia desta quinta-feira (30) nos cinemas brasileiros, a adaptação de Verity consegue ser fiel ao livro de Colleen Hoover e, ainda assim, deixar escapar o que fez a história funcionar. O diretor Michael Showalter e o roteirista Nick Antosca preservam os principais acontecimentos, conflitos e personagens, mas não conseguem transportar para a tela a atmosfera de mistério que transformou o romance em um "page-turner" (livro que prende a atenção, que o leitor não consegue largar).
O material original nem sequer é um suspense perfeito. Há furos, conveniências e situações que exigem certa boa vontade do leitor. Mas a autora compensa essas fragilidades com ritmo. Uma descoberta leva à outra, as suspeitas mudam, e existe sempre uma razão para avançar nas páginas. No filme, sem a mesma sensação de urgência, as fragilidades da história ficam muito mais aparentes.
A falta de tensão também passa por Dakota Johnson. Como Lowen, a atriz permanece no mesmo registro durante boa parte do longa. Sua interpretação contida pouco diferencia medo, desejo, curiosidade e desconfiança. O problema é que a protagonista deveria funcionar como os olhos do público dentro daquela casa. Se ela não transmite a sensação de que existe algo errado, o suspense perde força.
Anne Hathaway está no extremo oposto. Como Verity, ela entende o tom sombrio da narrativa e consegue provocar desconforto até quando permanece em silêncio. São olhares, expressões e pequenas reações que mantêm a dúvida sobre a personagem. É quando a vencedora do Oscar está em cena que o filme se aproxima da atmosfera inquietante encontrada no livro.
Josh Hartnett, como Jeremy, acaba no meio desse contraste. O ator funciona bem como coadjuvante, mas seu desempenho oscila de acordo com a dinâmica das cenas. Ao lado de Anne, encontra mais tensão e intensidade; com Dakota, acompanha a cadência baixa da protagonista. Isso enfraquece um triângulo que deveria sustentar boa parte da inquietação da história.
Outra escolha questionável está nas cenas de sexo e nudez. Elas também existem no livro, mas ajudam a revelar desejos, obsessões e relações de poder entre os personagens. No longa, algumas parecem inseridas mais para provocar impacto do que para desenvolver a trama. O erotismo permanece, mas nem sempre carrega o peso psicológico que tinha na obra original.
Para quem leu o romance e quer apenas ver aquele universo ganhar vida, há satisfação em reconhecer acontecimentos e personagens, sobretudo com uma Anne Hathaway tão adequada ao papel. O filme respeita o material de origem para não descaracterizá-lo.
O maior problema é que adaptar Verity exigia mais do que reproduzir sua história. O roteiro e a direção não imprimem a sensação de desconfiança, de questionar cada descoberta e de sentir a necessidade de saber quem está contando a verdade. O filme mantém quase tudo que Colleen Hoover escreveu, mas perde o mistério que fazia seus defeitos importarem menos.
Confira o trailer de Verity:
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