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CRÍTICA
DIVULGAÇÃO/PIXAR

Brinquedos de Toy Story 5 assustados com a tecnologia; quinto filme é adição necessária à franquia
Quando a Pixar anunciou Toy Story 5, a reação de boa parte do público foi de desconfiança. Afinal, muitos fãs defendem até hoje que Toy Story 3 (2010) encerrou a história de Woody, Buzz e companhia de forma perfeita. O quarto filme, embora tenha seus méritos, deixou a sensação de que a franquia estava esticando uma despedida que já havia acontecido. Por isso, a existência de um quinto capítulo parecia mais uma decisão comercial do que uma necessidade criativa.
A surpresa, no entanto, é que Toy Story 5 consegue justificar a própria existência. Mais do que revisitar personagens queridos, a nova animação entende exatamente o que tornou a saga um fenômeno de três décadas.
O filme recupera a combinação de aventura, humor, emoção e reflexão que transformou a franquia sobre brinquedos em muito mais do que uma série de filmes infantis. E faz isso sem depender apenas da nostalgia.
Embora o reencontro com Woody, Buzz, Jessie e os demais brinquedos desperte memórias afetivas imediatas, a história encontra relevância ao abordar temas extremamente contemporâneos.
O principal deles é a relação das crianças com a tecnologia. A chegada da vilã Lilypad, dublada por Maisa, afunda as crianças em uma era que depende totalmente das telas.
REPRODUÇÃO/PIXAR

Bonnie com Lilypad em Toy Story 5
O conflito entre os brinquedos tradicionais e as novas formas de entretenimento, porém, não surge como uma crítica simplista ao mundo digital, mas como uma discussão inteligente sobre atenção, desenvolvimento infantil e conexões humanas.
Nesse aspecto, Toy Story 5 consegue dialogar tanto com as crianças quanto com os adultos que cresceram acompanhando a franquia. É um filme sobre mudanças, adaptação e pertencimento, temas que sempre estiveram presentes na saga, mas que ganham novos significados em uma geração cercada por telas.
Outro grande acerto está em Jessie. Desde sua introdução no segundo filme, a personagem se consolidou como uma das figuras mais carismáticas da franquia, mas raramente recebeu o mesmo destaque dado a Woody e Buzz. Desta vez, a vaqueira finalmente ocupa o espaço que merece. Sua participação não parece uma concessão tardia aos fãs, mas uma evolução natural da narrativa.
O protagonismo ampliado de Jessie também ajuda a renovar a dinâmica do grupo. Em vez de repetir fórmulas já conhecidas, o filme encontra maneiras de explorar relações diferentes e apresentar novos pontos de vista dentro daquele universo que o público conhece tão bem.
Mas talvez o maior mérito de Toy Story 5 seja seu equilíbrio tonal. A Pixar provou que continua sabendo emocionar como poucos estúdios conseguem. Existem momentos capazes de arrancar lágrimas até dos espectadores mais resistentes, mas o filme não se apoia exclusivamente na emoção.
A comédia continua afiada, os diálogos são leves e os personagens seguem extremamente carismáticos. O resultado é uma experiência divertida do início ao fim, sem o peso excessivo que poderia surgir em uma continuação lançada tantos anos depois.
Visualmente impecável e emocionalmente sincero, Toy Story 5 supera seu antecessor em praticamente todos os aspectos. Talvez ele não alcance o status quase intocável de Toy Story 3, mas consegue algo igualmente importante: lembrar por que o público se apaixonou por essa franquia em primeiro lugar.
Ninguém estava realmente pedindo um quinto filme. Depois de assisti-lo, porém, fica difícil imaginar que ele não deveria existir. Toy Story 5 estreia nesta quarta (17) nos cinemas brasileiros. Assista ao trailer na íntegra:
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