COM MILLY ALCOCK

Supergirl: Filme da DC vai na contramão de heróis para ser feliz no simples

REPRODUÇÃO/YOUTUBE

Milly Alcock como Supergirl no filme da DC

Milly Alcock como Supergirl no filme da DC: novo capítulo do estúdio expõe pontos fortes e fracos

IVES FERRO

ives@noticiasdatv.com

Publicado em 25/6/2026 - 14h00

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Supergirl não é o tipo de filme que tenta conquistar o público pelo espetáculo. O novo capítulo no Universo da DC, sob a direção de Craig Gillespie, abre mão da grandiosidade das cenas de ação e dos efeitos visuais batidos para investir em uma narrativa mais introspectiva e humana de Kara Zor-El (Milly Alcock). Feliz no simples, a heroína dispensa os poderes para se conectar com o público através do luto e permanece no seguro, sem apostas mirabolantes.

Inspirado na HQ Supergirl: Mulher do Amanhã, o longa apresenta uma versão da heroína distante do ideal clássico. Kara surge marcada por um trauma que a diferencia de seu primo Superman. Jovem e "sozinha" no mundo, ela não acredita em si mesma como heroína e afoga a perda da família em bares e viagens intergaláticas com seu único companheiro, o cão Krypto.

O resultado é uma protagonista emocionalmente instável, com reações impulsivas e dificuldade de se conectar com o mundo ao redor. Milly sustenta essa construção com uma atuação contida, que evita exageros e aposta mais na tensão interna do que em grandes demonstrações dramáticas. Ela mesma se menospreza e faz questão de deixar isso claro.

A trama, que acompanha uma jornada de vingança ao lado de Ruthye (Eve Ridley) contra o mercenário Krem (Matthias Schoenaerts), funciona quase como pano de fundo. O verdadeiro conflito está na incapacidade de Kara de reviver o trauma do luto com a perda do cão, Krypto.

Nesse sentido, o animal ganha protagonismo mesmo sem aparecer o tempo inteiro. Esse é um dos acertos do roteiro de Ana Nogueira. O cachorro deixa de ser um recurso leve e representa o último vínculo afetivo da heroína. Krypto significa para Kara tudo o que restou de sua família e do planeta natal, Krypton, mesmo com Clark Kent (David Corenswet) na Terra.

As cenas de ação, longe de serem momentos com foco em impacto visual, acompanham o estado emocional da protagonista. No início, são desordenadas e agressivas. Com o avanço da história, ganham precisão e controle para refletir o processo da reorganização interna e da evolução de Kara. A obra se sustenta no roteiro pouco midiático para os fãs de filmes de super-heróis e deixa evidente que quer ser um clássico da Sessão da Tarde.

A entrada de Lobo (Jason Momoa) quebra a densidade da história e coloca mais humor nos acontecimentos. A personagem de Milly Alcock por si só já é ácida, mas Momoa tem uma energia caótica que funciona como respiro, sem comprometer o tom mais sóbrio do filme. Ruthye, por outro lado, representa todas as dores do luto vividas por Kara.

Supergirl evita o caminho fácil dos filmes de super-heróis de colocar uma ameaça grandiosa ou uma narrativa cheia de quebra-cabeças --é aqui que a direção de Craig Gillespie escorrega. O recorte da história não permite expansão de universo e abusa dos flashbacks em uma tentativa de emocionar.

Em um flerte com Guardiões da Galáxia (2014) e John Wick (2014), o novo capítulo da DC reposiciona o objetivo do estúdio em humanizar mais seus personagens para fora da tela. É uma boa adição e casa perfeitamente com o tom e o tratamento dado ao ótimo Superman (2025).


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