CRÍTICA
DIVULGAÇÃO/DISNEY

Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis em Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda; química da dupla é o coração do filme
Mais de 20 anos se passaram desde que a Disney lançou Sexta-feira Muito Louca (2003), que se tornou um sucesso mundial. A história era sustentada pela química afiada entre as protagonistas Jamie Lee Curtis --bem antes do Oscar-- e Lindsay Lohan --no auge da sua popularidade (para o bem e para o mal). A partir desta quinta (7), a trama ganha uma nova chance. Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda chega aos cinemas com a missão de retomar a troca de corpos mais famosa dos anos 2000. E, mesmo assim, consegue transformar esse peso em um fardo leve.
Para quem não lembra, Sexta-Feira Muito Louca contava a história da adolescente rebelde Anna (Lindsay Lohan) e sua mãe metódica, a Dra. Tess Coleman (Jamie Lee Curtis). Após um conflito que envolvia o novo casamento de Tess --que Anna rejeitava--, elas trocavam de corpos graças a um biscoito da sorte chinês. O resultado? Mãe e filha entravam em uma jornada sobre empatia, comunicação e compreensão.
Na nova versão, o ciclo se repete. Com direção de Nisha Ganatra, a sequência atualiza o eterno conflito de gerações e multiplica o caos por quatro. No entanto, um grande mérito de Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda é permitir que seus personagens amadureçam.
Anna agora é mãe de Harper (Julia Butters), e agora é ela quem precisa se entender com a filha adolescente, que não aceita o relacionamento da mãe com Eric (Manny Jacinto), o noivo cozinheiro, e muito menos a convivência com a filha dele, a britânica metida Lily (Sophia Hammons).
Às vésperas do casamento, a troca de corpos acontece mais uma vez, graças a um feitiço de uma vidente (Vanessa Bayer) freelancer, que as protagonistas conhecem durante a despedida de solteira de Anna. Só que agora são duas duplas envolvidas no pacote: Anna assume o corpo de Harper (e vice-versa) e Tess troca com Lily.
Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda sabe valorizar momentos icônicos do original sem precisar ficar refém da nostalgia. Há somente as referências necessárias para justificar boa parte dos ingressos que serão comprados pelos saudosistas dos anos 2000, mas nada que paralise a nova trama.
Os conflitos são ressignificados dentro de um novo tempo, com humor e saídas inteligentes. E até mesmo a presença quase desnecessária de Chad Michael Murray --que reprisa o papel de Jake, ex-namorado de Anna e apaixonado de maneira platônica por Tess-- encontra algum espaço.
A trilha sonora reforça essa virada. Músicas de Chappell Roan na trilha parecem reforçar que se trata de uma produção que sabe com quem está falando e onde está situada. Ou pelo menos, com quem quer dialogar.
Há tropeços, claro. O roteiro amarrado com nós frágeis, por vezes, deixa pontas soltas. Mas a direção solar consegue contornar os pontos fracos da história com eficiência.
Quanto ao elenco, a expectativa é correspondida à altura. Além da dupla de adolescentes rivais, Maitreyi Ramakrishnan (de Eu Nunca…) brilha como a cantora promissora agenciada por Anna. E funciona muito bem para que Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda não abandone sua essência musical --o retorno do hit Take Me Away da banda fictícia Pink Slip que o diga.
Mas o show é mesmo de Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis. As duas retomam os papéis com frescor e segurança, além de uma clara descontração. Lindsay, especialmente, parece confortável de volta ao papel, após enfrentar um período de quase encerramento da carreira --e ainda com timing afiado. Já Jamie Lee Curtis deixa muito de si na personagem, entregando uma Tess ainda mais singular.
Assim como em 2003, a química entre as duas é o verdadeiro coração do filme. Quando Anna e Tess se encontram em cena, é impossível não sentir a conexão de uma dupla que ainda tem muito a oferecer. Logo, uma continuação que sabe respeitar o passado e ainda assim consegue olhar para frente com tanto fôlego merece ser vista na tela grande.
Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda entende o espírito do original e o traduz com eficiência para um novo tempo. É divertido, esperto e até emocional quando precisa ser. E, mais importante: prova que amadurecer não significa perder o humor. Nem precisa se apoiar em um passado bem-sucedido. Significa, na verdade, evoluir.
Confira o trailer de Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda, principal estreia da semana nos cinemas:
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